Pages Navigation Menu

DITOS & ESCRITOS

MUSEU REINA SOFIA

MADRI, 16 DE OUTUBRO DE 2017. 

O caminhão de lixo que passa, invariavelmente, às 2 da madrugada interrompeu meu sono que já não era tão bom. Decidi então escrever um pouco e as seis da manhã já estava acordado, lembrando que em Madrid o sol começa a nascer às oito e meia. Acordei moído e o dia parecia que iria exigir boas caminhadas.

Hoje era o dia de conhecermos o Museu Reina Sofía, o segundo maior de Madrid e onde detém em seu acervo a famosa Guernica, dramático painel de Picasso em reação ao ataque aéreo, realizado pelos governos alemão e italiano, a pedido do General Franco, quando em 1937 , em plena guerra civil espanhola (1933-1939) matou com o bombardeio 350 civis. Franco consolidaria uma cruel ditadura que só viria a fenecer em 1977.

Disse um crítico que Guernica é uma declaração de guerra à guerra. Parece que Picasso conseguiu, de alguma forma, uma vitória sobre a loucura da guerra. Veio a Segunda Guerra Mundial (1939-1945); passou o terrível regime de Franco, a Espanha entra em uma democracia e sua obra é quem se impõe nos corações e mentes de todos os povos. O homem continua sua ensandecida trajetória de guerras, mesmo no século XXI, onde a sociedade da informação une povos, rompendo barreiras nos deixando próximos, irmãos em humanidade filhos da mesma Mãe Terra. Guernica, entretanto, pairará para sempre como um alerta da necessidade da civilização se impor sobre a barbárie.

O Reina Sofia é um enorme complexo de salas, valioso acervo porém mal sinalizado. São dezenas de salas com capítulos da evolução da arte moderna. Braque, Picasso e todos os outros pintores relevantes do período. Uma surpresa nos esperava logo na entrada. Um folheto com a foto da obra máxima de Portinari, Os Retirantes. Na verdade a exposição era uma grandiosa homenagem a Mário Pedrosa, pernambucano de Timbaúba (1900-1981). Importante crítico de arte e militante político de esquerda, influenciou, como crítico, parte relevante da arte moderna no Brasil. Lá estavam obras de Ligya Clark, Hélio Oiticica, Volpi e, para nossa agradável surpresa, uma sala só com obras de Millôr Fernandes. Lá estava o “Guernica, um minuto antes do bombardeio”. Uma obra prima!

Pena que – queria omitir, mas o grupo, durante o ritual do vinho do pijama, insistiu -, eu cansado pela noite mal dormida fraquejei. Cansei e, confesso, chiei com o excesso de caminhadas fora e dentro do museu. E quando meu cansaço chega vai-se embora o bom humor. Atrapalhei todo o grupo e esse é um problema para quem viaja em grupo, pois diferente dos animais que deixam para trás os mais fracos do matilha, entregue a sanha feroz do predadores, nós, turistas-humanos, as vezes com mal humor e frustração, nos cercamos dos retardatários e reduzimos o ritmo para continuarmos juntos. Foi o que aconteceu hoje. Chamamos o uber e zarpamos para o El Corte Inglés na Plaza Callao. Havíamos decidido nos despedir de Madrid com estilo. No nono andar, tem uma bela vista da cidade, e um cluster gastronômico de excelente qualidade. Pedimos pintxos e chop. Eu, com um pouco de dor de cabeça manerei. Como as meninas queriam ir em algumas lojas, decidimos nos separar. Fomos eu e Tonho para casa descansar e elas, com o celular de chip local foram na Sephora.

Fizemos com El Corte Inglés o que Arraes fez com o Palácio das Princesas, de forma inversa: saímos pela porta em que entramos.

Clique para galeria Museu Reina Sofia

Madri – Índice 12345678

*

João e Elba Rego
São casados há 40 anos e adoram viajar. Os registros das nossas viagens são uma forma de compartilhar nossas experiências com os amigos.
www.joaorego.com/viagens

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This