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DITOS & ESCRITOS

EL RASTRO e CASA DEL LIBRO

MADRI, 16 DE OUTUBRO DE 2017.

Nosso sábio jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues afirmou, como conhecedor das vicissitudes humanas:“Toda unanimidade é burra! ”, evidenciando a precariedade de tudo aquilo que se afirma sem a oposição de uma crítica ou contestação. Desde que Elba começou a pesquisar nossa viagem encontrou avaliações unânimes de que, para o domingo em Madrid, era obrigatória a visita ao Mercado de Pulgas do El Rastro. 
Partimos assim, ansiosos para viver mais uma rica experiência local. Caímos na maior roubada da viagem! São dezenas de ruas cheias de barracas vendendo peças de roupas, objetos usados – vai de boné de escoteiro a aro de tampa de penico-, se repetindo a exaustão, tudo de péssima qualidade. Agora acrescente a isso os milhares de turistas entupindo as ruas forçando você a andar de mãos dadas pra não se perder da companheira.

Imaginem um Galo da Madrugada, sem música nem cerveja, e você no meio achando tudo uma merda.

Eu, como bom claustrofóbico, pensei em duas ameaças. A primeira, mais amena, são os batedores de carteira. Aquilo é um shopping center de oportunidades para eles! A segunda são os radicais do fundamentalismo islâmico. Meu amigo aquilo ali é um prato cheio para um homem bomba se lançar na “aventura divina “ de se juntar a Alá.

O grupo, sem querer assumir que tinha caído em uma cilada ainda tentou ver algumas peças, quando dobramos a esquina, vem à nossa frente uma ladeira de gente se acotovelando até onde a vista alcançava. Pronto, estava decidido, vamos fazer a retirada.

Ufa! Enfim um espaço para respirar.

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CASA DEL LIBRO

Chamamos um über e nos mandamos, eu para a Casa del Libro e Elba, Fabiana e Tonho para uma enorme loja de departamentos que fica do outro lado da rua, na Gran Vía. Pronto, estava agora em um ambiente agradável e acolhedor. Passei umas duas horas perambulando pelos quatro andares de livros. Lá estive em boa conversa com Ortega y Gasset, Manuel Castells e muitos outros que já conhecia de longas datas, cujos saberes veem alimentando meu espírito… muitas vezes o inquietando terrivelmente.

Me deparo com o livro de Michael Freeman, fotógrafo especializado em Preto e Branco. Leio uns dois capítulos e imediatamente começo a fuçar meu smartphone Samsung, que de tanta tecnologia deixei minha câmera Canon em casa. O resultado dos ensinamentos de Freeman foi a série Madri em Preto e Branco que publiquei no Facebook.

Madri em Preto e Branco

Comprei apenas um livro, sobre a importância dos árabes na formação europeia. Gostaria de levar mais, mas certamente iria ser um transtorno durante a viagem, que ainda tem vários dias pela frente (Putz! Acho que, em três dias, já comi a cota de pão da viagem toda!)

Os vários séculos de domínio dos árabes é um tema fundamental para quem desejar conhecer a formação histórica e cultural da Espanha. Isso se você quiser passar em Toledo, Granada, Córdoba e Sevilla curtindo tudo que vê pela frente, com certa compreensão do que significam aquelas cidades e seus séculos de história.

Bem, a brincadeira lá, na loja de departamentos, é cá, na livraria, só terminou lá para cinco da tarde. Achamos, com a ajuda do TripAdvisor, um ótimo restaurante para almoçarmos, La Quintina.

Ô que beleza! Abrimos com uma cerveja tostada, vermelha e encorpada, e pintxos deliciosos. Parece que para nós vingarmos da cilada do El Rastro estávamos em busca de um prazer, de Intensidade equivalente a frustração. E foi o que aconteceu. Almoçamos um generoso contrafilé argentino, o que já era razoável mas pedimos uma boa paeja, acompanhanda com uma segunda rodada de cerveja. Finalizamos, naquele espírito de barco perdido só bem carregado, com uma deliciosa sobremesa.

Conseguimos, andando lentamente, chegar em casa. Nessas horas toda raiva de Tianming desaparece, pois é muito bem localizado seu flat. Perto de tudo e, ainda mais, longe do vuco-vuco. Ou seja estrategicamente localizado para quem quer avançar nos embates gastronômicos e voltar correndo para a recuperação em nossa trincheira… Para, à noite, partir para novas aventuras.

Mas chegamos em casa muito tarde, quase seis da noite. Não se nota porque só escurece às oito. Desmaiamos todos para às nove sairmos. Nota para Tianming de novo. Como estávamos meio ressacados decidimos dar apenas uma caminhada pela vizinhança, e que vizinhança! O Palácio Real, os parques ao seu redor, o Teatro Real e as belas ruas cheias de restaurantes e suas cadeiras espalhadas pelas calçadas. Extremamente agradável.

Como o apartamento é precário, ficar trancado por muito tempo é muito ruim, daí você é impulsionado a sair. E turista serve pra que?

Bem, para quem está nos acompanhando sabe que agora é o ritual sagrado do vinho de pijama, e foi o que aconteceu. Nosso mercadinho da esquina que fica na Plaza Santo Domingo- que acho que é a menor Plaza de Madrid pois só cabe duas lixeiras e duas vespas, das pequenas – é o nosso local de encerramento do dia. Tinha saído do forno umas deliciosas baguetes, para nossa alegria, que com queijo e muita conversa assinaríamos mais um dia bem vivido em Madrid – apesar do El Rastro. 

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Madri – Índice 12345678


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João e Elba Rego
São casados há 40 anos e adoram viajar. Os registros das nossas viagens são uma forma de compartilhar nossas experiências com os amigos.
www.joaorego.com/viagens

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