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DITOS & ESCRITOS

DE TOLEDO A GRANADA

18 DE OUTUBRO DE 2017.

Pegando a estrada para Granada

UM POUCO DE HISTÓRIA 
Desde que Elba começou a pesquisar e planejar nossa viagem, que venho tentando ler alguns livros que nos apresentassem um pouco mais do que as atrações turísticas. Tenho particular interesse pela história e a formação cultural dos povos. No caso da Espanha me atraia o fato de saber que os árabes dominaram a península ibérica por vários séculos. Os registros são de 711 a 1492, quando Granada foi Reconquistada. Juan Vernet autor do livro “Lo que a Europa debe ao Islam de España “ faz importante ressalva de que quando usamos a palavra árabe está não deve se referir a nenhuma etnia ou religião e sim a língua utilizada por árabes, persas, turcos, judeus e espanhóis, durante aquele período.

Imaginem essa dominação como um complexo mosaico onde nada é uniforme nem linear. Ou seja, a dominação que foi por curto período no norte se estendeu para o sul, por sete séculos, onde Granada, Córdoba e Sevilha representam os três mais relevantes legados da permanência árabe.

Os cristãos europeus começaram a “Reconquista” em 722 e terminaram em 1492. Coloco “Reconquista ” entre aspas pois esse é um termo inadequado, uma vez que não existia nenhum império cristão antes e sim o Visigodo que, por sua vez ficaram do século III ao VIII; estes, por sua vez, chegaram após os quatro séculos do império romano, que antes dos romanos já haviam passado os fenícios… Putz, aluno de história aqui sofre pra cacete!

Vamos ficar apenas com os sete séculos dos árabes. De um lado foi a dominação islâmica, do outro, na visão dos vencedores foi a Reconquista, no mesmo período. Os Reis cristãos numa jogada marqueteira (estão pensando que marketing e poder é coisa recente?) fincaram sua legitimidade histórica dizendo – se herdeiros dos visigodos, daí o termo reconquista.

Mas, enfim, o que interessa tudo isso?

Interessa no sentido de que os povos muçulmanos-, infelizmente queimados hoje pelo fundamentalismo islâmico, – foram transmissores e produtores de muito conhecimento. Da medicina a filosofia, passando pela matemática e diversas tecnologias de navegação… E muito mais, foram transmitidos por eles.

Ou seja, montaram parte importante da espinha dorsal da civilização ocidental. Essa em que vivemos, que inclui toda Europa e as américas. Como foram derrotados, os reinos cristãos tratarem de apagá-los da história, fazendo uso de um enorme legado cultural e tecnológico, sem citar a fonte, como se diz na academia.

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Ontem ao chegarmos a Granada caminhamos pela Rua Elvira em direção à Plaza Nueva, parecia que estávamos em um pedaço do Marrocos. Dezenas de restaurantes árabes, ruas estreitas cheias de pequenas lojas, vendendo tudo quanto é de objetivo da cultura árabe.

A bela vista da nossa casa em Granada

Como sei quão enviesada é a história contada pelos vencedores, procurei mergulhar em outras fontes com o objetivo de compreender o que outras abordagens poderiam me mostrar. 
De fato, a indústria do cinema de Hollywood ajudou muito na construção de uma identidade estereotipada dos árabes, com suas cimitarras, seus haréns e suas batalhas sempre perdidas para o colonizador inglês. Fizeram o mesmo com a conquista do Oeste onde o genocídio do homem branco era tratado como um ato de heroísmo e os nativos ferozes inimigos da “civilização “.

O que tentei foi fazer um breve resumo da formação histórica da Espanha, um quebra cabeça tão complexo que se você tentar compreender rápido demais dá um nó no juízo.

*

Bem, ontem foi só estrada de Toledo a Granada, com uma breve parada em Consuegro para tirar fotos perto dos Moinhos de vento, imortalizados por Cervantes em Dom Quixote. Seria um saco descrever viagem de carro em estrada. De qualquer maneira tirei várias fotos da viagem e da nossa chegada em Granada, onde estamos confortavelmente alojados.

De Toledo a Granada – Parada em Consuegro

Para hoje vamos visitar o Castelo de Allambra um monumento histórico – arquitetônico da dominação árabe. 


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Espanha 2017 – Índice 1234

João e Elba Rego
São casados há 40 anos e adoram viajar. Os registros das nossas viagens são uma forma de compartilhar nossas experiências com os amigos.
www.joaorego.com/viagens

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