Introdução ao Grupo País de Caruaru

jul 8, 2014 by

João Rego. Junho de 2014

Sejam bem vindos ao Grupo País de Caruaru!

É um grupo criado no Facebook e formado por caruaruenses de várias gerações, lá pelos anos 60, que hoje vivem em outras terras e desejam, com certa nostalgia, resgatar estórias, causos e fatos&fotos daquela época.

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Rua 13 de Maio, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

jul 1, 2014 by

RUA 13 DE MAIO, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.
Filhos de Sr. Zeza e Dona Débora.

João Rego, Domingo, 8 de junho de 2014

Lembro de Dona Débora, era uma mulher jovem e bela. Tinha um rosto fino e delicado e estava – nas vezes que ia brincar com Carlinho em sua casa – sempre trabalhando em uma máquina de costura.  A máquina de costura ficava na sala, logo na entrada da casa, seguia-se um corredor que levava aos quartos e chegava-se até a copa e a cozinha. É muito viva na memória, o jogo de futebol de botão em um “campo” que ficava na cozinha. Ficávamos horas jogando, cada um com seu time e seus jogadores polidos com esmero para ter um bom desempenho em campo. Após o jogo, todos os jogadores eram zelosamente guardados em um estojo de flanela com várias casinhas – pequenos bolsos – para cada um deles.

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Os locais de bate-papo de Meu Pai.

jul 1, 2014 by

Rua 13 de maio e arredores – Os locais de bate-papo de Meu Pai.

 João Rego, Recife, 14 de Junho de 2013.

 

Maurílio Rego, Seu Lila, como era mais conhecido, como bom contador de estórias, causos e piadas, tinha o dom e o timing para isso. Juntava sempre amigos ao seu redor, ou então, depois do trabalho ia ao encontro dos mais diversos personagens da Rua 13 de maio e arredores; sapateiros, marceneiros; seleiros e, aos sábados, no Bar de Chaguinhas finalizava a semana.

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Rua 13 de Maio, Caruaru – O Circo Dublin.

jul 1, 2014 by

João Rego, Recife 12 de junho de 2014.

Com a ajuda de César Rego, por telefone lá de Fortaleza.

 

O espaço onde aconteciam os espetáculos era um velho curral, por trás da Casa Grande, (Rua 13 de Maio, 90); o camarim, era uma pequena cocheira em desuso, pois construída por meu avô João do Rego, a Casa Grande era um conjunto de construções composto pela Casa Grande, construção principal; ao seu lado havia uma ladeira, que à esquerda encontrava o Escritório de papai; mais para cima, a Sala de Processamento de Mel de Tio Murilo, grande estudioso da apicultura no Estado; logo depois, do lado direito, havia o portão que nos levava ao pomar, na realidade, era um grande quintal que acompanhava toda a extensão da Rua João José do Rego. Essa rua foi construída por meu avô e fica ao “pé” do Morro Bom Jesus. À esquerda, havia uma construção que servia para armazenar o que era produzido nas fazendas: café, milho, feijão, enfim, um suporte para a logística de seu João do Rego. Dali, certamente, estes grãos eram comercializados. Bem vizinho, ainda subindo a ladeira, havia a oficina, que como toda oficina, tinha o piso sujo de óleo e peças e mais peças de tratores utilizados nas fazendas. Aí, logo depois da oficina era a entrada do Circo Dublin. Um portão alto com a bilheteria ao lado, escrito em letras vermelhas, bi-lhe-te-ria em forma de arco, acompanhando a forma do buraco feito na parede pelos meus primos, os idealizadores do Circo.

Estávamos todos entre 10 e 15 anos.

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A TV Trancham e o pai.

jun 27, 2014 by

A TV Trancham e o pai.

João Rego, junho de 2014.

Meu pai não era muito chegado a investir em geringonças tecnológicas e a TV, para ele, era uma delas. Assim, este moderno equipamento veio chegar na nossa casa algum tempo depois que muitas famílias da Rua 13 de Maio, em Caruaru, já tinham essa coisa mágica que iria mudar a forma de vermos o mundo. Era muito comum ficarmos esticando o pescoçoe “pescando” da calçada os filmes, as primeiras novelas da Rede Tupi e outros programas nas casas dos vizinhos. Não sabíamos que a TV iria acabar com uma época onde os vizinhos saiam para conversar na praça ou colocar as cadeiras na calçada, à noite, para prosear.

Ela, ao mesmo tempo em que nos abria um enorme e fantástico universo de conteúdo, qual um monstro bigbrotheano, iria nos enclausurar em nossas casas.

Lembro, muito claramente, eu e mais outras pessoas –  e aí não tinha distinção de idade ou classe social, a única coisa que nos unia era a curiosidade e a enorme cara de pau de não se incomodar em incomodar o vizinho – em pé, na calçada, diante do janelão de Seu Ernesto, assistindo a novela Redenção ou a célebre e lacrimosa o Direto de Nascer. E Seu Ernesto com sua esposa, num gesto de generosa solidariedade para com nós, pobres mortais desprovidos de TV, nos acolhia sem nenhum incômodo. A horda era inconveniente, ficava dando pitacos e só faltava pedir água, café e uma bolachinha. Era como se você estivesse lendo seu jornal com um grupo de pessoas “fungando em seu cangote” para ler junto, sem ter sido convidado

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A Casa da Rua 13 de Maio, 312.

abr 30, 2014 by

João Rego, em 5 de novembro de 1993.

 

Foi nesta casa onde eu me vi construir como ser humano, portanto é também um dos principais cenários de grande parte dos meus sonhos. Ela era sinônima de segurança, era o abrigo do mundo exterior, o qual à medida que eu crescia ia ampliando os horizontes.

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O sofá e o Pai Omnipotente.

abr 30, 2014 by

*João Rego

Na sala me recordo inicialmente do sofá azul, com curvas sinuosas, espuma fina ( o que o deixava um pouco duro) e pernas de ferro. É neste sofá que tenho talvez uma das mais remotas recordação da minha vida com meu pai.

Eu me lembro de papai recém chegado de uma caçada deitado no sofá, sem camisa brincando comigo, pelo meu tamanho é possível imaginar que a minha idade era por volta de 2 anos, no máximo três. Eu pulava brincando de cavalinho em seu peito forte e cheio de cabelos. Me recordo da intensa alegria e da forte sensação de conforto e admiração por ter um pai tão forte e bom[1].

Tempos depois, esse sofá foi substituído por um conjunto de três cadeiras confortáveis separadas por duas tábuas, supostamente colocadas para servir de suporte para cinzeiro. Foram estas três cadeiras que nos acompanhou até Recife após a morte de papai.

***

É importante destacar que essa imagem do pai bom e onipotente vai ao longo da psicanálise assumindo a sua forma mais real, inclusive com características ambivalentes de amor e ódio, fruto da tragédia edipiana, da qual nenhum ser humano escapa e é o próprio momento estruturador do indivíduo.

 

***

DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

 

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Caruaru, a feira e o pai.

abr 30, 2014 by

Crônica de um Sábado Chuvoso

João Rego

Recife, 04 de setembro de 1999

Hoje acordei e estava chovendo. Gosto muito da chuva, especialmente se ela ocorre pela manhã e é bem fraquinha. Não tenho dúvidas que isto me remete a um passado cheio de felicidade, que é o período da infância. As férias na Fazenda Vasante em Caruaru onde, junto com os primos e colegas acordávamos o mais cedo possível para avisar, aos gritos, que era o primeiro na fila do leite. Enchíamos as nossas canecas e copos de Toddy e açúcar, e partíamos para a cocheira que ficava a uns 300 m da casa da fazenda.

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O banquinho da bicicleta Hércules, meu pai e a apresentação ao mundo.

abr 30, 2014 by

*João Rego

Vem-me involuntariamente, a memória do meu pai me conduzindo até a fazenda Cachoeira das Onças. O meio de transporte era a sua bicicleta Hércules. Eu ia ainda pequeno, creio 3 ou 4 anos, sentado num banquinho especial que ficava instalado no quadro. Esse banquinho era de madeira e zinco, especialmente desenhado por ele e mandado fazer por um marceneiro, Sr. Miguel. A posição onde o banco era instalado, possibilitava, em um caso de um buraco ou um tropeço qualquer da bicicleta, os braços do meu pai me segurarem de imediato. Portanto era um esquema bastante seguro.

É forte a sensação de alegria e proteção de estar sendo apresentado ao mundo,  através do meu pai. O clima frio e gostoso de Caruaru, o cheiro do mato orvalhado, os pés de avelós utilizados como cerca. Tudo era encantamento e excitação dentro de mim, garantido por uma áurea invisível, naquele momento, que era o amor, a proteção desse pai forte e bom.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

 

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Cenas avulsas da minha infância.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

Noto que cenas  da minha infância surgem do inconsciente sem nenhuma solicitação de minha parte. É como um filme antigo que eu tivesse me recusado, durante anos, a ver, e de repente, algum controlador desses filmes (o inconsciente) insiste em me exibir.

Na maioria das vezes são cenas agradáveis, bucólicas que me envolvem com uma sensação de prazer e segurança. Esta segurança é transmitida pela figura dos pais, e pela casa sólida e enorme em que nós morávamos.

Devo anotar item por item dessas lembranças e depois convertê-las em crônicas da minha vida:

-O pé de castanhola próximo ao sobrado da praça Cel. Porto

-A alfaitaria de Sr. Nelson, onde papai costumava ir lá bater papo.

-O cachorro branco, pequeno e chato que pertencia a casa da frente de casa, passava as horas correndo atrás dos carros. Acho que era do vizinho de seu João Rosas – o dono da padaria.

-A sensação de onipotência e o desejo de conquistar o “mundo” que a visão do alpendre da casa de vovô Elídio me causava. De lá era possível se ver o Campo de Monta, o Matadouro público e as curvas do Rio Ipojuca. Sentia um desejo enorme de partir e conquistar o mundo, que na minha visão era logo depois do primeiro morro da linha do horizonte. Acho que eu tinha 9 ou 10 anos, e ficava horas em estado de contemplação.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

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As férias na casa de Lulú.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

As férias na casa de Lulú eram sempre momentos extremamente prazeirosos. Lá eu era tratado com exclusividade de um filho único. Passava horas vasculhando, no quarto de empregada, a coleção de revistas “O Cruzeiro” de Tio Zezé. Lia seus livros, em sua grande maioria eram atlas geográficos e de Ciências Naturais, ouvia seus discos clássicos (lembro-me que tinha um disco de List). Durante as tardes eu ficava ansiosamente esperando a televisão entrar no ar, e passava as tardes me deleitando com aquela programação que hoje lembro com saudades. A televisão era em preto e branco mas a sensação e a expectativa diante da programação era muito grande.

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