O passeio para as Chartreuse- A Capela de Arkabas em Saint Hughes

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron, 2007

Após a descida, um rápido lanche dentro do carro e partida para uma cidade vizinha, Saint Hughes, onde tem uma famosa capela ilustrada, em seu interior, por um artista plástico Arkabas. A cidade é uma pequena vila no meio das montanhas e o clima é de paraíso. Parece um cenário montado por algum estúdio de cinema.

Subimos, com Cezar nos guiando, para uma pequena colina onde é possível ver toda a vila. São no máximo sessenta casas, serpenteadas pela estrada asfaltada que nos leva para outros locais mais ermos ainda.

Um local perfeito para a contemplação, as pessoas vão para lá e ficam ali “bestando”, caladas diante daquele cenário.

Após algumas fotos, descemos e partimos para uma estação de esqui. O objetivo era encontrar alguma neve.

Queríamos ver neve, apesar de estarmos na primavera. Cezar nos levou até uma estação de esqui mais adiante. Bem, não era neeeeve, mas para turista nordestino foi o suficiente para brincarmos e tirarmos algumas fotos.

Já era o final do dia quando regressamos pelas estradas sinuosas das Chartreuse, estávamos felizes, cansados e extasiados com tudo que tínhamos visto naquele dia.

Á noite eu havia prometido fazer uma massa para o grupo todo, macarrão a carbonara, bem “diet”. Eu sou um aprendiz de cozinheiro, e não me sinto confiante para fazer comida para mais de quatro pessoas, mas no final, parece que tudo deu certo, eu não sei se pela fome e o cansaço do grupo, mas não sobrou um fio de macarrão para contar a estória.

Amanhã seria nosso último dia em Voiron e já prevíamos choros e emoções na despedida, pois bem sei como essas coisas funcionam para quem vive distante, no exterior. Quando chega alguém você rapidamente enraíza seus afetos com o grupo visitante, vive com bastante intensidade aqueles momentos, para também, de forma abrupta, desenraizar-se das relações afetivas.

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João Rego
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O passeio para as Chartreuse – O monastério

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron 2007.

Vencemos a preguiça que se instala em nosso corpo depois de um lanche com cerveja em lugar como esse. Eu estava cochilando embaixo de uma árvore, as crianças brincando e o resto do grupo conversando animadamente. Fabiana, que estava no “estaleiro”, descansava.

O próximo local era o monastério das Chartreuse, motivo principal do nosso passeio.

A subida de carro é íngreme, mas é tudo envolto de uma beleza natural extasiante. Leva-se quase uma hora subindo e subindo. Noto que no meio do caminho havia muito carros estacionados, descubro depois que é do pessoal que vai fazer o tracking montanha a cima e floreta a dentro. É muito fôlego, pois de carro, só vendo a subida, você já cansa, imagine a pé por dentro da floresta.

Lá em cima há um estacionamento, tudo muito organizado. Para chegar até o monastério deve-se caminhar uns 800 metros subindo ladeira. È uma boa subida, mas se vai devagarinho, passo a passo, não cansa, e, para onde você vira o olhar, encontra um detalhe, uma vista bonita.

As meninas subiam correndo ao lado da trilha, pelo mato. Cada uma com uma vara na mão e muita folia, até que… ouve-se um choro, era Tatiana que havia raspado a perna na urtiga. Para-se para tratar dela e o grupo continua a subida.

De repente a gente já começa a avistar o monastério, algo grandioso, com seus tetos de ardósia cinza. Está ali há nove séculos, é incrível não é? Não pude evitar de lembrar do filme O Nome da Rosa, com Sean Conney e Cristian Slater.

Os monges ficam anos enclausurados no monastério, não se deixam ver nem conversar. No alto havia um grupo de monges tomando sol e orando, consegui algumas fotos com a minha câmera.

No meio do caminho uma defecção do grupo. Norma cansou e decidiu nos esperar no meio da subida.

Uma vez lá em cima, podemos ver toda a grandiosidade do monastério.

Confiram no site deles

http://www.chartreux.org

É de tirar o fôlego de tão bonito. Fica isolado no meio do nada, cercado pelas montanhas com seus picos cobertos de neve.

Ficamos ali tirando fotos e apreciando a beleza da vista. Num lugar daquele é fácil se converter a monge contemplativo, pois o silêncio e a natureza o convidam à reflexão.

O que me chamou a atenção era que na volta, saiam de dentro da floresta os trackers, jovens, idosos, com as faces vermelhas pelo esforço da subida mas, com um ar de satisfação de um desafio vencido.

Um casal já chegando aos setenta sai com seus stick de esqui na mão, lépido e fagueiro, caminhando rápido, nos passaram como se estivessem saindo de casa naquela hora.

Que saúde da gota!

Carlota conta que nessa região a cultura do alpinismo e montanhismo são muito fortes, nas escolas as crianças têm aula – obrigatória – de montanhismo.

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João Rego
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O passeio para as Chartreuse – o picnic em Saint Pierre du Pont

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron 2007

 De madrugada, um incidente, Fabiana passou mal por conta do vinho e da gordura do queijo. Na verdade o termo “passar mal’ é uma forma delicada de dizer que estava “elaborando” a ressaca da noite anterior.

De manhã, ela que tem enxaqueca, estava derrubada. Pensamos em fazer uso do plano de saúde caso ela não melhorasse logo. Mas Carlota, que é enfermeira Ana Nery, decidiu que o melhor era se curar em casa, pois uma vez no hospital a burocracia e o rigor são muito grandes e isso poderia ser um atrapalho para Fabiana, e todo o grupo.

Bem, enquanto isso os preparativos para o passeio continuavam. O plano era pararmos a beira de um regato em uma cidade vizinha, St Pierre du Pont, fazermos o picnic e de lá subirmos para as Montanhas Chartreuse.

A família de Miguel e Cláudia nos acompanhará. Sobre essa bela família, devo destacar a Inês, a mais nova. É uma menina encantadora, que conquistou de imediato Elba e a todos nós, sentando no colo de Elba e mostrando a sua ferida no joelho. Além de muito bonita é espevitada, está sempre fazendo algo para atrair a atenção, o que consegue com muita frequência. O mais gozado é que, apesar de nova, tinha consciência do seu poder. Não se podia apontar a máquina fotográfica para ela, que de imediato fazia poses de modelo.

Sanduíches, saladas, refrigerantes, água, fraldas, comida de bebê e muito desencontro na hora de se organizar para sair, o que é muito natural em um grupo grande. Um é mais rápido que o outro, a mãe briga com um, discute com outro, enfim aquele “caos harmonioso” que faz parte de todo evento desse tipo em uma família.

Enfim, partimos.

Eram três carros atolados de gente.

A estrada que tomamos, por si só já é uma atração turística. É tudo muito bonito! Ao longo do caminho, passamos por pequenas cidades, cada uma mais charmosa que a outra. È isso que imaginava mesmo do interior da França, afinal já tinha visto em filmes.

O local do nosso picnic é a beira de um regato, tudo muito acolhedor. Os meninos se espalharam pelo parque, outros foram andar nas águas friiiiiias de lascar.

Ao seu redor as belas montanhas nos espreitando.

Sol e frio, pães deliciosos e cerveja gelada, família, tudo envolvido pelo belo visual das montanhas. O que se pode querer mais para ser feliz?

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João Rego
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Europa 2007 – Voiron – A Raclete.

jun 27, 2014 by

João Rego

À noite, Carlota preparou uma Raclette, que é aquele tipo de comida feita para um grupo de pessoas passar a noite conversando. Convidaram uma família de portugueses amiga. Essa família era composta por Miguel, Cláudia e os três filhos, Maria, João e Inez.

Foi uma noite muito agradável, Miguel e Cláudia imediatamente se entrosaram com aquele sotaque peculiar – que acho com um ritmo melhor que o nosso português-, enquanto as meninas dançavam na frente da TV tentando acompanhar o vídeo de Xuxa.

É incrível o poder que Xuxa tem. Esse vídeo, segundo Carlota, é visto horas e horas, dias e dias, incansavelmente pelas meninas.

Miguel, um batalhador, nos contou o motivo de deixar Portugal e vir se arriscar no Sul da França. Com a entrada de Portugal na comunidade europeia, a economia de lá sofreu um forte impacto, atingindo os salários. Assim, veio ele para a França, onde o salário mínimo é bem superior ao de lá e o custo de vida um pouco mais alto. Contou, até bastante emocionado, o período de dificuldades que passou até se fixar no seu emprego. Estava desesperado, já pensando em desistir quando um outro português lhe convenceu a insistir. Essa conversa foi na associação de portugueses de Voiron, onde vão jogar damas e assistir aos jogos de futebol pela tv, ouvir fado e chorar de saudades de Portugal.

Hoje ele trabalha como mestre de obras, já tem sua casa, pequena é verdade, mas com conforto, carro e tudo mais. Carlota me contou que eles já estão comprando uma outra casa em uma cidade vizinha.

Bem, essa foi uma das conversas que atravessavam a sala da Raclette. O ritmo das conversas cruzadas era enorme, e tome vinho e raclette. Uma certa hora falei no vinho verde, que apesar de termos passado alguns dias em Lisboa, não havia tido a oportunidade de provar. Miguel de imediato se levantou e me convidou a ir, com ele, até a sua casa para apanhar algumas garrafas. Fomos eu, ele e as meninas. A estrada parecia uma estrada de fazenda, estreita e cheia de curvas. Tudo escuro, muito mato e algumas vacas nos cercados.

Seu carro, uma pick up com carroceria atrás, onde as meninas gritavam a cada curva que fazia. Lembro-me que não parávamos de conversar, eu curioso em saber da experiência de imigrante de Miguel e ele muito atencioso em me contar.

O vinho verde veio se somar ao vinho tinto que Cezar havia tirado da sua adega. Além do vinho, teve um licor secular feito pelos monges do Mosteiro das Chartreuse, que foi nos dado para provar. Bom, porém, como todo licor, doce.

A farra foi até de madrugada e nos despedimos com tudo acertado para no outro dia visitarmos as Chartreuse, que é uma bela cadeia de montanha nos Alpes, e fica entre Voiron e Grenoble. O nome Chartreuse é mais famoso pelo licor feito pelos monges há nove séculos enclausurados no belíssimo monastério incrustado nas montanhas.

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João Rego
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Europa 2007 – A visita a Juninho Pernambucano em Lion.

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron em 21 de abril de 2007 ( Sábado).

Eram apenas três dias que iríamos passar com eles. Portanto tudo tinha que ser bem planejado para extrairmos o máximo daquele convívio.

Cezar e Carlota, fãs de Juninho Pernambucano, verdadeiro herói do futebol na França, sabiam que Norma era muita amiga da mãe dele e aí cobraram a Norma trazer algum presente da mãe dele para irmos entregá-lo e conhecê-lo.

Partiu um grupo na Van, Carlota e Elba ficaram esperando o término da aula das meninas para seguirem. Cezar é engenheiro químico, doutor pela USP, trabalha em pesquisa na Universidade de Grenoble, gente boa, anfitrião de primeira, mas como guia turístico, se enrolou todo. Foi um sufoco para chegar até a casa de Juninho.

Havíamos ligado para Juninho e ele, muito solícito, disse que seria um prazer nos receber, só que tinha um pequeno problema, ele tinha um jogo importantíssimo pelo campeonato nacional e teria que partir das 14:30. Sei que a hospitalidade do pernambucano é muito boa, mas sacrificar um jogo por nós seria querer demais dele. E tome ruas e ladeiras com nome de Generais Franceses. Sobe, desce, dá volta, pergunta e nada. E o tempo passando. César suando frio com o mapa da cidade na mão – acho que pensava que iria perder a grande oportunidade de conhecer seu ídolo -, todos nós calados para não estressá-lo ainda mais. Decidimos parar em uma cabine telefônica para ligar para Juninho e nos rendermos como perdidos em Lyon. Pronto, daí com um telefonema seria barbada. Mas….o telefone estava quebrado! Aí bateu o desespero, pois pelo adiantado da hora iríamos chegar e ele já teria partido.

Para complicar um pouco mais a situação, liga Carlota, que estava no outro carro com Elba e as crianças, também perdida!!!!

Cezar decide entrar em um bar e perguntar, foi daí que veio a dica e finalmente chegamos a casa. A rua realmente não estava no mapa de tão pequena e estreita, mas um lugar muito bonito.

Juninho é realmente um cara simples e extremamente educado, pois havia preparado um grande almoço para todos nós, tudo regido pela batuta da sua cozinheira que era de Recife e sabia o valor da comida natal para quem está distante.

O 2º grupo ficou rodando, perdido, devido a pouca disponibilidade do tempo de Juninho e o avançar da hora, decidimos nos encontrar na catedral Fourvière.

Antônio Carlos e Cezar, que sabem tudo de futebol, não deixavam o Juninho um minuto sem conversar, o que foi muito bom, pois eu estava preocupado em não sermos inconveniente, uma vez que o cara tinha que pegar um avião daqui a pouco. Ele não estava nem aí para o tempo, nos tratou com muito carinho: almoço feito por Graciete, bolo, Juninho pajeando Jojô e João todo encabulado.
Eu como não entendo nada de futebol, pois sou aquele torcedor de copa do mundo, fui para o jardim com Jojô, enquanto todos curtiam a íntima tietagem com Juninho.

O Centro antigo de Lion

Após o agradável encontro com Juninho, fomos encontrar os desgarrados e conhecer a famosa catedral de Lion. È realmente muito bonita e de lá se tem uma bela vista de toda a cidade, que é enorme, acho que é a segunda maior da França.

Descemos e fomos para um centro antigo de Lion, Lion Vieux, ruas da época do renascimento e centenas de pessoas passeando, bebendo e comendo. Para nossa agradável surpresa, naquele dia eles estavam comemorando algo relacionado com o   Renascimento, então havia grupos de atores e cantores espalhados por todo o bairro. Muito bom! Apesar de não entendermos o francês, era muito instigante ver aqueles atores muito a vontade, representando pequenas peças de teatro que, provavelmente, foram escritas há séculos.

Cezar traduziu algumas dos diálogos dos atores e tinham sempre alguma sacanagem, como sentido figurado, de traição, virilidade e sexo, essa coisa é bem antiga mesmo.

O passeio pelas ruas antigas de Lyon, que já é agradável sem nada, tornou-se uma excelente experiência conviver com os lioneses no meio de uma festa de rua.

Lanchamos numa confeitaria divina, comemos a famosa torta de açúcar, e no fim, paramos em um bar escondido no meio daquelas vielas, para tomar uma cerveja.

Acho que prédio do bar tinha uns quinhentos anos. A arquitetura me remeteu para os filmes de Franco Zefirelli, Romeo e Julieta e Irmão Sol, Irmã Lua.

Foi um grande dia!

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João Rego
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Europa 2007 – Viagem Paris -Voiron, sul da França.

jun 27, 2014 by

João Rego, sexta- feira, 20 de abril de 2007.

A noite anterior, nossa última em Paris, foi comemorada com um jantar preparado por mim. Salada e lagosta na entrada e massa com camarão. Tudo regado champanhe e vinho comprados no Monoprix.

Fomos de trem até o aeroporto de Orly, onde pegaríamos a Space Ford, uma van já previamente alugada em Recife. A saída de Paris foi pela estação do metrô do Jardim de Luxemburgo. Sempre se despedir de um lugar onde você curtiu é um pouco melancólico, mas tínhamos que seguir para o nosso novo destino, Voiron, no sul da França perto de Grenoble. Lá, passaríamos três dias com Carlota, prima de Elba, e sua família: Cezar, seu marido, e seus três filhos: Tatiana, Luiza e o caçula, Joseph.

Um problema nessas horas é quando você está pegando o metrô e a bagagem é muito pesada, é um verdadeiro sacrifício! Na próxima viagem teremos que ser bem parcimoniosos no que vamos levar. Para Norma era uma dureza carregar aquela enorme mala, escada acima e escada abaixo. A sorte é que eu e Antônio Carlos nos revezávamos para ajudá-la.

A Van, uma Space da Ford, novinha em folha, era o máximo. Antônio Carlos, que fez engenharia mecânica e coleciona carrinhos, estava ungido para ser nosso motorista durante toda a viagem. Minha função era fotografar. O que, mais tarde descobrimos, foi uma ótima decisão, menos pelo fotógrafo e mais pelo motorista.

As mulheres, todas atrás, e uma sensação de alegria muito grande pelo desconhecido da estrada que estávamos prestes a entrar. Viajar pelo interior de um país da Europa sempre foi, para mim, um grande desejo. E era assim que estava me sentindo, feito um menino que estava para ganhar sua primeira bicicleta, super excitado. Mas…

… para que tudo não ficasse apenas nessa monotonia de felicidade e excitação, nos perdemos para pegar a saída de Paris. E aí começou o estresse. Eu apontava para um lado, Norma para outro e era aquela discussão. Tonho, paciente, dirigindo tentando achar a saída. O danado é que, nessas horas, o nervosismo toma conta do grupo e a tendência é uma acusar o outro como culpado pela situação. Ufa! Finalmente a saída e a estrada para Voiron.

A estrada é bonita, mas como é tudo muito plano, pelo menos até chegarmos em Dijon, aos poucos vai se tornado repetitiva e monótona. Havia muitas plantações de umas plantas baixas e amarelas, que depois Cezar nos informou que era Cousa, utilizada para a produção de bio-diesel..

A parada em Dijon

Dijon, famosa pela sua mostarda e gastronomia, estava vazia. Não sei se era um feriado ou algo parecido, mas a cidade estava um deserto. Fomos ao local mais elevado, onde tem uma igreja e uma bela vista do alto, mas nada de extraordinário.

O que tem de pitoresco são algumas casas antigas em ruas estreita, mas só. É provável que por estarmos apenas de passagem, nossa visão esteja um pouco distorcida, mas nada nos impressionou lá.

Na saída paramos para um lanche em um restaurante à beira de um lago. Um ambiente bucólico, com algumas pessoas praticando remo e muita área de lazer.
Na hora do pedido, tinha um tipo de vinho que nos chamou a atenção, outros pediram cerveja. Quando vem o vinho, o bicho vem quente e ruim que só a gota. (uma mistura de vinho, canela, rodelas de laranja e algo mais indefinido), Vinho quente !! Arghhh!

A chegada em Voiron.

A cidade é muito simpática, tem uma igreja no centro e foi onde acertamos com Carlota para nos encontrarmos. Havia uma grande expectativa para esse encontro, pois fazia certo tempo que não nos víamos. Lá vem Carlota, dando gritos e assovios de alegria. Ela estava com Tatiane e Luiza, filhas de Cezar com sua esposa do primeiro casamento, enquanto Cezar em casa arrumava Joseph.

É uma festa de abraços e beijos. Neste momento, me emociono lembrando do seu pai, Carlos Fernando, irmão de Norma, minha sogra, imaginei que se estivesse vivo como não estaria feliz.

Carlota vai à frente, com seu carro, nos guiando até sua casa, que fica em uma elevação nos arredores da cidade. É um lugar belíssimo, cercado de montanhas e com casas espalhadas pelas colinas. A casa de Carlota é grande, com vários níveis e estava toda arrumada, nos esperando.

O bom de visitar parente no exterior é que, de repente, sem muito esforço, você já se sente em casa. E foi o que aconteceu com todo o grupo, jogamos nossas malas no chão e tome a atualizar o papo.

À noite Cezar e Carlota preparam um jantar delicioso com Confit du Carnard (Confit de Pato). Comemos todos com muito vinho e conversa animada. Isso sem cessar de elogiar a paciência dos dois em preparar um prato tão trabalhoso. No final caíram na risada, era um prato enlatado.

Eu e Elba ficamos com o quarto de casal; Tonho e Fabiana com Joseph, o bebê; Norma dormiu no térreo, no sofá; Cezar e Carlota espremeram-se no quarto das meninas.

Chiei a noite toda com a falta de umidade. O clima estava muito seco e sempre tenho dificuldades com isso. Depois Carlota me orientou a utilizar o umidificador que fica no canto do quarto.

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João Rego
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Europa 2007 – O primeiro dia em Paris.

jun 27, 2014 by

João Rego, Paris. 11 de abril de 2007

Havíamos pago o aluguel de dois apartamentos com antecedência, através do My Apartment in Paris , uma empresa que nossos colegas de Recife tinham dado a dica. Foi por conta desta referência que pagamos antecipado no cartão os oito dias que iríamos ficar em Paris.

A chegada, arrastando as malas da estação de metrô de Luxemburgo até o apartamento, foi uma surpresa para nós. O apartamento fica ao lado da famosa igreja Saint Sulpicy,- por conta do livro e do filme O Código Da Vinci -, e é um luxo arretado. Portas de madeira alta e trabalhada, TV de plasma com trocentos canais de TV a cabo, uma decoração elegante e ainda mais, uma vizinhança chique da gota, entrando e saindo com carros caros como Jaguar e BMW.

Bem, para quem se lascou em Barcelona no quarto que quando alguém dava descarga lá em baixo, o vapor da merda invadia que tínhamos que sair correndo para o quarto de Tonho, este aqui era o paraíso.

Deixamos as malas e, todos excitados, fomos caminhar para acharmos os lugares estratégicos de comprar de comida, pois o flat tinha cozinha toda equipada, e não tínhamos a intenção de gastar com restaurantes. Achamos há duas quadras o Monoprix, uma rede de supermercado com ótimos preços.

No Boullevard Saint German paramos para “almoçar” um crepe num cara que vendia em uma barraca na rua. Muito bom e quebrou o galho.

Na volta passamos no Monoprix, compramos umas três garrafas de vinho, massa, e molho de tomate com cogumelos.

Eu preparei o jantar e parece que agradou.

Fomos dormir, para no dia seguinte, cumprimos uma agenda de clássica para quem chega a Paris pela primeira vez – esta era a minha segunda vez, mas na primeira tinha vindo sozinho, estudante e liso – visitar o Louvre.

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João Rego
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Europa 2007 – A chegada em Barcelona.

jun 27, 2014 by

Sexta-feira da paixão

João Rego, Barcelona 6 de abril de 2007.

A viagem de Lisboa para Barcelona é muito tranquila. Apenas uma hora de voo. Fomos por uma companhia, a Easy Jet, especializada em tarifas baratas. Como é apenas uma hora você não sente falta de comida. O chato é que fica o pessoal vendendo coisas para você, uma espécie de camelô do ar.

Quem comandava a equipe era um suíço que havia morado no Brasil, durante sua infância e adolescência, ou seja, era quase brasileiro. Ele foi muito simpático e seu português é impecável, tanto que eu tinha certeza que ele era brasileiro.

A queda e o susto

Chegando em Barcelona, o primeiro passo é logo comprar o ticket que nos dá direito a andar durante três dias em tudo quanto é de meio de transporte, sem falar ainda em vários teatros e casa noturnas que dão descontos. Como somos “jovens” e desenrolados, e como também vimos que o Hotel ficava a um passo do local do ônibus que faz o trajeto do aeroporto para o centro de Barcelona, decidimos ir de ônibus.

O problema do táxi, é que como estamos em um grupo de cinco pessoas, temos que alugar dois táxis, aí o custo vai lá pra cima.

Preferimos gastar estes euros em vinho, pães, jamon e queijo.

Quando o ônibus está chegando a Praça da Catalunha, que é praticamente o coração de Barcelona, pois fica de frente da principal Rambla, Norma pisa em falso e cai batendo com a costela na cadeira do outro lado. Fabiana ainda tenta segurá-la mais já tinha havido o impacto.

Recomposta, pois ela é dura na queda, ficou durante alguns dias com dores, mas decidiu não utilizar o seguro saúde. Filha de médico, ela raciocinava friamente: costela quebrada não tem o que fazer, é esperar. Na base do anti-inflamatório, não deixou de nos acompanhar nos percursos diários, a noite às vezes ficava descansando, mas muito raramente perdia a folia do vinho.

O Hotel Plaaaaazzzzzzzzaaaa!

Uma merda se comparado ao de Lisboa, mas era bem perto das Ramblas, depois eu falo sobre elas. No vídeo que filmo os quartos, não deixo de externar minha frustração, pois Lisboa era excepcional, com uma vista belíssima da cidade. Aqui eu teria que me conforma com umas janelas velhas, a dois metros de distância da minha, canos de esgoto e um cheiro que a princípio pensei que fosse do aquecedor, mais depois, quando o hotel foi enchendo de gente, para o meu desespero, era o cheiro de merda mesmo, que subia pelo respiradouro do hotel, onde minha janela teve o azar de dar nele.

A Procissão e Las Ramblas.

Bem, passado o impacto inicial do hotel, fomos todos correndo para Las Ramblas que são as famosas avenidas de Barcelona, belas e largas com uma multidão subindo e descendo e se espalhando pelas ruas vicinais a elas. É gente que só a gota! Bem, não deixa de ser interessante, pois à medida que você vai andando – ela tem 1,5 km- você vai vendo todo o tipo de artista: estátuas, um cara fantasiado de Ronaldinho fazendo embaixadas com uma bola, outro fantasiado de bruxo, que ficava parado e depois dava um grito aterrorizante.

Antes, porém, encontramos uma enorme procissão, com os fiéis vestidos com umas máscaras iguais às usadas pela Klu Klu Klan.

Sobre a procissão publico trecho de um e-mail que enviei a família.

“Chegamos em Barcelona na sexta-feira santa e fomos direto para a La Rambla, nunca vi tanta gente junta em uma rua só. A quinta avenida em Nova Yorque é a metade do fluxo de pessoas daqui, pelo menos em um feriado importante.
Assistimos a uma procissão com uma nossa senhora enorme, cheia de velas, carregada nas costas por alguns fieis. O povo bate palma, se emociona, chora. Tudo é acompanhado por uma banda tocando um tipo de música que lembra um cortejo militar. Depois li no jornal principal daqui, o El Pais, que no interior tem gente que sai batendo nas costas com um chicote, como os iranianos fazem naqueles eventos religiosos.
É incrível como a barbárie aliada à religião sobrevive aqui na Europa.”

Voltando a Las Ramblas.

Havia um cara gozado, deitado no chão dentro de uma caixa com a cabeça escondida na caixa e duas pernas falsas voltadas para cima. O que se via mesmo do corpo dele eram as mãos que ficavam arriadas, até quando alguém colocava uma moeda na lata que ficava a sua frente, aí ele se movimentava: botava a cabeça para fora, as pernas falsas balançavam, as mãos gesticulando freneticamente, tudo isso por alguns segundos, para depois, feito um peixe chupa-pedra voltar para a sua toca. O que me impressionou foi a babaquice do povo em colocar uma moeda para ver aquela cena. Era muito dinheiro que rolava. Uns poucos minutos que fiquei na frente, o cara não parou um minuto de fazer o seu show, com a cabeça para fora, fazia cara de besta, balançando as mãos e tum, tum, tome euro entrando na lata.

Mais adiante vi uma enorme multidão em volta de algo que, pela excitação da turba, devia ser um show de lascar. Sabe o que era? Um cara com uma cadela da raça labrador e seis filhotinhos mamando. E olhe que eu gosto de cachorro, mais ali comecei a construir uma teoria sobre o sucesso das Ramblas.

Uma cena interessante foi um tailandês com uma fantasia daqueles deuses deles, cheia de adereços, um negócio pesado mesmo. Tinha ele uma cobra de madeira na mão que balançava a cabeça de um lado para outro. Ele não podia se mover muito para não cair sua pesada fantasia. Aí vem um grupo de quatro jovens negros – ou afras descendentes, como queiram- e aí eles se postaram atrás do deus tailandês e começaram um rap zonando com a cara do deus. Eles eram muito bons, pois cada uma fazia os sons de batida com a boca e um deles cantava o rap. Não entendi bem o que dizia, mas sabia que era algo jocoso com cobra que o tailandês segurava na mão. O deus tailandês, vendo seu show ir par as cucuias, sem poder nem se virar para encarar os rappers, preso no peso da sua fantasia só fazia rir, e para tentar fazê-los parar mexia o braço tentando fazer com que a cobra de madeira, coitada, os alcançasse.

Todo mundo ria com a cena.

Dois dias depois, estávamos de volta as Ramblas e Elba, que tem um problema de dores nas costas quando anda muito, tem que alongar. Não é um alongamento discreto, é meio espalhafatoso. Ela se debruça e toca com as pontas dos dedos nos pés, e fica ali por alguns minutos, parada. Ou seja, quem passa por trás ver aquela cena de estranho contorcionismo. Como estávamos cansados, paramos eu, Norma e Fabiana para esperar Elba, olhando calados. De repente, um gringo que ia passando, parou e ficou ali esperando, junto com a gente, o show que Elba iria apresentar. Rimos muito, pois depois que se desfez o equívoco, o cara chispou.

Bem, minha teoria sobre o sucesso das Ramblas, é que é uma avenida como outra qualquer, só que criada para pedestres. As atrações não são nada demais, você encontra em qualquer esquina do mundo essas estátuas até na nossa Rua Bom Jesus, nos seus bons tempos. Lembram do mímico argentino? O principal motivo de sucesso somos nós, os turistas que, sem termos consciência disso, formamos aquela atraente multidão.

No fundo vamos lá para nos vê.

É assim mesmo o conceito de alienação de Karl Marx sobre a relação de alienação do operário com a mercadoria.

***

Como estávamos com fome, comemos um sanduíche caro que só, com umas fatias transparentes de queijo e presunto, acompanhado de uma garrafa de vinho.

Bem, no outro dia descobriríamos o Carrefour com seus vinhos maravilhosos de 3 euros. O Sangue de Touro é excelente.

Era quase meia noite e o movimento não dava nem sinais de que iria diminuir, voltamos andando para o hotel, que fica a poucos metros dela.

Fomos todos dormir pensando como Norma estaria no outro dia, quando a dor de uma pancada dada em um dia, vem com sua potência total no outro.

***

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João Rego
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Europa 2007 – Saída de Lisboa rumo a Barcelona

jun 27, 2014 by

Deixando Lisboa rumo a Barcelona

João Rego, maio de 2007

E-mail para família

Galera:

Estamos partindo hoje para Barcelona.

Ontem, nosso último dia, foi a visita a Sintra, uma bela e rica cidade que fica à uma hora de Lisboa.

Fizemos o que toda UNANIMIDADE — por essa palavra traduza-se sempre por: massa de turistas ávidos por conhecer o que tem de óbvio, desprezando tudo o que de essencial faz parte da vida da cidade — faz, visitar um Palácio da Pena, que é interessante mas perde de longe para o que vimos em Lisboa no Castelo de São Jorge.

A nossa rua é a Florida de Lisboa, jovens artistas tocando e cantando, centenas de pessoas do mundo todo passeando, restaurantes diversos tudo envolvido por uma atmosfera única, traduzida pela luz amarela dos lampiões se esparramando pelas pedras portuguesas que compõem a passarela.

Bem, de Barcelona escreverei um pouco mais, mas não pensem que escaparam dos meus textos, pois estou anotando as histórias no rascunho e quando chegar vou escrever em forma de crônicas.

Tem estórias engraçadas como a do cuspe que a japonesa deu na sopa de Caldo Verde, de Tonho, Norma e Fabiana. A minha e a de Elba era de Tomate e estava quente.

Ufa! Escapamos por pouco.

Ps. Guila, e Madri como está? Liga para mim lá pelas 21:00

Vou me embora galera que eu sou sozinho e a vida é vasta, como diria Chico Cézar.

Abraços
João Rego

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João Rego
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Europa 2007 – Visita a Sintra

jun 27, 2014 by

Visita a Sintra

João Rego, maio de 2007.

Acordamos dispostos a retomar nossa caminhada pela manhã. Afinal essa é a nossa marca registrada – minha e de Elba— quando estamos no exterior. Sempre, antes de tomar café, colocamos o tênis e fazemos à caminhada acelerada. Serve como um certo antídoto, – muitas vezes insuficiente —, para os carboidratos que iremos ingerir durante o dia, como também para mapearmos o terreno e sentir a cidade se acordar.

De vez em quando a gente entra em cada uma de lascar. Lembro-me quando em Buenos Aires, acordamos às 6 da manhã, Elba cheia de protetor solar, roupa de ginástica para o espanto do recepcionista do hotel que nos olhava como se fossemos ET’s. Fizemos o alongamento na calçada e estava tudo escuro ainda. Parecia três horas da madrugada em Recife. Não recuamos, partimos céleres para a Praça Gal San Martin, que fica no começo da Florida e nos danamos pelas ruas absolutamente vazias e escuras. Só na volta, lá pelas 7:30 foi que o dia chegou, e com ele o movimento de jornaleiros abrindo suas bancas de revista.

Bem, agora em Lisboa não tínhamos esse problema. Nos mandamos pela Av. Liberdade e saímos procurando ruas estreitas e ladeiras para nos enfronharmos nelas. O lugar não era tão bonito como o Parque, mas valeu a pena. Chegamos perto da entrada do Jardim Botânico, que pelo mapa pensei que fosse mais distante do nosso hotel. Como estava fechado, demos meia volta e nos dirigimos a praça do Rossio e depois para nosso hotel.

O café da manhã é simples, mas o atendimento do casal de idosos compensa. Todas as vezes que terminava o café ia até a copa pedir um pouco de gelo para a água, pois detesto água natural. Hoje, quando cheguei, logo assim que me sento, lá vem aquele senhor educado com a xícara cheia de gelo.

Considerando o enorme fluxo de turistas naquelas vinte e tantas mesas, todas ocupadas, num vai e vem incessante, esse gesto me sensibilizou.

Sintra

Nossa familiaridade com os trens e metrôs nos permitiu partir para Sintra de trem.

À medida que nos afastamos do Centro de Lisboa chega-se a uma periferia igual a de qualquer grande cidade. Ou seja, feia e de arquitetura repetitiva.

A cidade é fincada no meio de várias montanhas e suas atrações principais são: os castelos, que são dois – bem, há uma diferença hierárquica entre castelo e palácio que não vale a pena explicar aqui -, e o seu centro comercial com muitos artesanatos.

Pegamos um ônibus que nos leva ao tour dos palácios. O bicho vai acelerado por aquelas ruas estreitas e tome a subir. A gente em pé, espremido no meio de turistas do mundo inteiro, fica zonzo de tanta subida, numa ladeira em espiral que parece que não vai acabar nunca. Por baixo, são mais de vinte curvas subindo e subindo.

Me impressionou foi que quando estávamos já perto de chegar, lá vinha um ciclista no seu ritmo lento mas firme, tãin, tãin, tãin subindo aquela ladeira como se estivesse no quintal de sua casa. Eita cabra macho da gota!

Descemos finalmente em frente a um castelo onde já tinha uma fila de lascar de grande. È tudo muito bonito. Uma densa floresta e uma vista da cidade em baixo muito bonita, mas aquela fila não estava na nossa agenda.

***

Quando você está com fome, com vontade de fazer xixi e esperando em uma fila lá em cima de uma montanha, você começa a pensar besteira. Foi aí que provoquei Antônio Carlos fazendo a comparação entre a noite desagradável lá na casa de fado, com aquela japonesa chata e a noite no Alfama. Aí eu disse:

— Tonho, aquela japonesa cuspiu na sopa de vocês! Ela já estava arretada porque a gente não ia consumir nada além do courvert, Elba derrama vinho na toalha e Norma diz que a empregada dela faz uma sopa de caldo verde melhor, e ainda por cima pede para esquentá-la. Está muito claro que ela quando foi esquentar cuspiu na sopa de vocês.

Aí Tonho fez aquela cara, ficou pensativo e deu um sorriso amarelo.

A fila andava, eu esperava um pouco mais e soltava outra, olhando de lado com se estivesse comentando comigo mesmo:

— Ainda bem que minha sopa e a de Elba era de tomate e estava quente!

— Vocês não notaram aquele riso malicioso no canto dos lábios dela, enquanto olhava vocês tomarem a sopa?

Aí ninguém se aguentou e caímos todos na risada.

***

De imediato avaliamos e cancelamos a vista ao castelo. Ficamos apenas com a do palácio, que é maior e mais interessante.

Anda-se alguns metros para chegar até a entrada do Palácio. Lá tem as opções de você subir por uma ladeira, pelo meio da floresta, ou de subir de ônibus que fica circulando o tempo todo. Norma foi de ônibus e nós subimos a pé.

Lá dentro, descobrimos que tínhamos que enfrentar outra fila, apenas para garantir o fluxo normal de pessoas dentro do castelo.,. ops, palácio.

Tudo muito interessante e profissional. O palácio pertenceu a um rei, que era alemão e como tinha medo de ser assassinado, fez sua “humilde” moradia de férias bem longe do povo. Essa é minha versão rasteira para a forma erudita que me foi contada pelo guia, com nomes, datas e tudo mais.

Tudo está absolutamente preservado, louças, móveis, cristais etc… É como se tivessem congelado no tempo.

Os guias sempre muito atenciosos e bem informados.

Me chamou a atenção o quarto do rei, bem distante do da rainha. Até aí tudo bem, mas o estranho é que a rainha tinha um oficial de guarda particular cujo quarto é conjugado ao dela. Devia ser o seu personal alguma coisa daquela época.

Na descida ficamos um pouco no centro, onde comemos um delicioso sanduíche com cerveja. Após rápido passeio pelas lojas de artesanato, pegamos nosso rumo de volta à Lisboa.

 

***

DITOS &ESCRITOS
João Rego
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Europa 2007- Lisboa: Rua Augusta, Bairro Alto e outros

jun 27, 2014 by

Rua Augusta, Elevador da Santa Justa, Bairro Alto e outros.

João Rego, maio de 2007.

Um pouco ressabiados da maratona do dia anterior, decidimos fazer algo bem light e sem muita pressa. Saímos do nosso hotel caminhando tranquilamente, vendo lojas, batendo pernas. Passamos a Praça do Rossio e descemos à bela Rua Augusta. Lá tem lojas de qualidade, muita gente nos cafés e alguns tipos interessantes como o rapaz que tocava acordeom sentado na rua com seu minúsculo cachorro. O gozado era que o cachorro, que carregava meia garrafa pet no pescoço à guisa de cofre para amealhar os trocados, uivava todas as vezes que o cara tocava certa nota no acordeom.

Ah! Sim, ia me esquecendo. Aqui todo mendigo, não são muitos, tem o seu cão. Na nossa rua tem um mendigo que fica o dia inteiro sentado na Igreja, com seus três cães e sua pereba na perna. Os cães dormem o dia todo, mas acho que cumprem o seu papel de sensibilizar o passante. Em Recife, as mendigas usam seus próprios filhos – ou emprestados de outros – para cumprirem essa missão.

A Rua Augusta tem dois imponentes arcos, um no início e outro no fim. Fico pensando sobre qual função de erigir algo tão sofisticado sem ter nenhuma função prática, nem sombra faz. Mas a realeza era assim mesmo, tinha mão de obra sobrando, a função era mesmo de ostentar sua riqueza, acho. Como a bengala, mais tarde, tinha a função de mostrar que não se usava as mãos para o trabalho, outros trabalhavam para você.

Bem, voltando da Rua Augusta nos deparamos com o Elevador da Santa Justa, uma construção antiga e muito bonita encravada no meio da principal área do comércio chique de Lisboa. Subimos e de lá curtimos uma vista interessante da cidade. O elevador nos leva a entrada do Bairro Alto.

E foi para lá que fomos, caminhando pelas ruas estreitas e cheias de ladeiras. Lá tem também uma concentração de casas de fado. Saímos por ali até o ponto mais alto da área. As mulheres param em uma loja de produtos indianos, onde Fabiana comprou um vestido, acho, enquanto nós, e Tonho, esperávamos pacientemente lá fora. E foi nessa espera que demos de cara com uma padaria belíssima, chamada a Catedral do Pão.

Convencemos o grupo a tomar um café só para sentir o clima do local. Quando fomos pagar a conta, perguntei ao senhor do caixa há quantos anos ela havia sido fundada. Ele muito tranquilamente, como se não fosse nada demais, respondeu: 200 anos.

É essa estranha longevidade das coisas na Europa que me fascina.

Pegamos um ônibus e descemos até o Largo do Chiado, de onde pegaríamos o metrô que nos levaria a parte moderna da cidade, no caso o Parque onde houve a exposição internacional de comércio. Lá além do belo Shopping Vasco da Gama, tem um dos maiores aquários da Europa.

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João Rego
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Europa 2007 – Lisboa: Castelo de São Jorge

jun 27, 2014 by

Parque Eduardo VII e o Castelo de São Jorge.

João Rego, maio de 2007.

Abrimos o dia, eu e Elba, saindo num frio de 10 graus para caminhar até o Parque Eduardo VII. Somos cobras em identificar áreas verdes nos mapas. Subimos a nossa rua, num frio arretado, mas também com um nível de excitação e curiosidade enorme. Elba, como sempre, vai na frente, pois o ritmo natural dela é acelerado. Eu, um pouco mais atrás mas firme e forte (cof…..cof).

Nos surpreendeu a ausência de pessoas no parque. Só encontramos um pequeno grupo de japoneses fazendo Tai-chi-chuan, uma mulher passeando com um cão e mais nada. O Parque é grande e cheio de elevações, saímos andando por todo ele. Depois de 30 minutos andando acelerado, sua mãos já começam a aquecer e aí fica tudo muito agradável.

Elba, havia sonhado com essa viagem por anos e foi pelo menos um ano ou mais de planejamento, poupança, incertezas e determinação. Dezenas de revistas lidas, sites visitados, dicas com colegas e tudo mais.

Deu para perceber que o nosso ritmo era de quem queria sorver com intensidade aqueles momentos.

Chegamos no Hotel, descendo pela Avenida Liberdade e fomos direto para o café, onde lá já estavam Tonho, Fabiana e Norma.

O café é simplesinho, mas dá para quebrar um galho. Atendia-nos um casal idoso e muito atencioso. Aliás, o atendimento na recepção é excelente. O Antônio e o Carlos, dois gajos com seus 35 -40 anos, eram extremamente atenciosos e brincalhões. O Antônio me pegou numa logo assim que cheguei. Como estava chovendo eu perguntei:

— Você acha que amanhã vai ter sol?

E ele na bucha;

— Mas aqui em Lisboa tem sempre sol, o que acontece é que em alguns dias ficam nuvens entre o sol e Lisboa.

Caímos todos na risada.

Quando fazíamos uma pergunta sobre como ir a algum lugar ele tirava um mapa e nos explicava detalhadamente, só parando quando tinha a certeza de que havíamos compreendido. Houve um momento que, no meio de uma explicação, chegou um casal americano que estava de saída do hotel, e Carlos ficou imperturbável, terminando a explicação. Achei muito interessante aquele profissionalismo.

O Castelo de São Jorge.

Nosso passeio começou pegando o ônibus na Praça da Figueira, a poucos metros do nosso hotel, para irmos ao Castelo de São Jorge, imponente construção, que olha, dia e noite, o centro de Lisboa. Dava para vê-lo da janela do meu apartamento. Tirei tanta foto dele que gastou um pouco as muralhas.

O lugar é realmente privilegiado para se vê Lisboa. Andamos, sem pressa, curtindo o momento. O clima de 17-18 graus estava agradável com o sol aberto.

Norma firme e forte, não abria para escadaria nenhuma. Houve uma escada, entretanto, que é uma espécie de armadilha para turista. Depois de andarmos todo o Castelo, já quando estamos voltando, há uma bela e enorme escada de pedras nos convidando para descer. Imaginávamos que, como todos os caminhos do castelo, lá embaixo derivaria para a saída. Quando estávamos já no final dela Fabiana percebe que não há saída, ou melhor há mais subindo de volta centenas de degraus. Paramos no meio para descansar e tomar água e nos mandamos de volta.

Tendo dado por visto o Castelo de São Jorge, que é uma visita obrigatória em Lisboa, tomamos um sorvete, um bolo de bacalhau e uma cerveja e saímos caminhando pelas ruelas para a Feira da Ladra , uma atração que só acontece nas terças e o livro recomendara a visita.

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João Rego
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Europa 2007 A chegada em Lisboa

jun 27, 2014 by

Lisboa 2007 –  Passeio logo após a chegada

João Rego, Maio de 2007

Chegamos e, no aeroporto mesmo já compramos o Tourist Card, que significa uma grande economia para quem deseja cruzar a cidade sem se preocupar com custo de passagens de ônibus e metrôs, além de ter desconto na entrada das atrações turísticas.

O dia estava chuvoso, nosso Hotel, o Residencial Florescente, fica muito bem localizado, na Rua Porta de Santo Antão, bem próximo do coração de Lisboa, que é a Praça do Rossio e do Restauradores.

A nossa rua é, guardadas as devidas proporções, no estilo da Florida de Buenos Aires, não passa carro e é cheia de atrações: bares, teatro, restaurantes, comércio de frutas e queijos e a famosa Ginginha. A noite é um show de músicos de qualidade trocando seus talentos por alguns euros pingados.

Bem, a chuva não nos intimidou e saímos por ali caminhando a deriva. O que nos impressionava era a beleza das ruas. Os casarões e prédios antigos, as praças, é tudo muito bonito. O clima frio é sempre a prova de que estamos fora da nossa terra.

Subimos o Beco do Carmo, paramos em um Shopping – a essa altura a fome, nossa velha companheira de viagem, já começava a dar seus sinais de inquietação.- depois subimos a Rua Garret que nos leva ao Largo do Chiado. O objetivo era encontra o famoso café e restaurante A Brasileira, com cento e tantos anos onde lá tem a estátua de Fernando Pessoa, o maior poeta deles, depois de Camões. Ao lado da estátua há um banquinho onde os turistas se sentam para tirar foto.

Como o restaurante só abria depois de meio dia e era ainda 11 horas, fomos forçados a dar uma caminhada para passar o tempo, e a fome aumentando. Há um belo prédio no Largo do Chiado que é o consulado do Brasil. Nossa elite sabe gastar bem o dinheiro dos contribuintes, pelo menos nessa área diplomática.

Chegamos, e eu contando os minutos para comer, Elba, recriminando a minha pressa. Eu olhava a porta de vidro do restaurante e os garçons e as garçonetes, comendo tranquilamente. Não estavam nem aí para nós. Isso deve ser culpa do sindicado que organiza e garante os direitos dos trabalhadores daqui.

Finalmente eles abrem e nós pedimos sopa como entrada e dois pratos de bacalhau. Havia uma salsicha bem temperada que era deliciosa. Tudo regado a um bom vinho, que para os nossos padrões, a grande maioria se encaixa nesse patamar de qualidade.

Voltamos para o Hotel felizes da vida.

A proposta era descansarmos um pouco e a noite iríamos ao Parreirinha da Alfama, uma casa de Fado recomendada por Zé Nivaldo e que fica no bairro do …..Alfama, claro.

Após o descanso fomos caminhando, deslumbrados pela beleza da cidade, passamos o Largo do Rossio e descemos a Rua Augusta, belíssima com seus arcos no início e no fim. A ideia de pegarmos um ônibus ou táxi foi se diluindo até que de rua em rua chegamos lá no Alfama. Não é uma grande caminhada, mas à noite não me sinto seguro. O Parreirinha estava lotado e decidimos não ir para outro, pois Zé Nivaldo insistira que era esse o local.

Voltaríamos amanhã.

Ficamos peruando por ali até que decidimos voltar de ônibus para nosso hotel. Havíamos pago o Tourist Card foi para isso mesmo. O orçamento controlado por Elba não nos permitia certos luxos como táxis.

Na chegada, um pouco frustrados por não termos conhecido a casa de fado, a galera já ia passivamente entrando no hotel, foi quando insisti que deveríamos comer, nem que fosse uma bagette com uma taça de vinho.

Consegui convencer o grupo e paramos num bar em frente ao nosso hotel. Uma cerveja gelada, um bom atendimento e depois fomos dormir.

Para o segundo dia estava planejado – o que só depois viemos saber- uma verdadeira maratona turística: Começaríamos pelo Castelo de São Jorge, depois a Feira da Ladra, que só tinha naquele dia, dali nos mandaríamos para Belém, onde há o famoso pastel e a torre de Belém e o Mosteiro de São Jerônimo.

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João Rego
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Europa 2007 – Viagem para Lisboa.

jun 27, 2014 by

A Travessia do Atlântico.

João Rego, Lisboa 2007.

Estava munido de muita expectativa, ansiedade, algumas roupas – sempre organizadas por Elba-, e da máquina que Guilherme me deu, uma Kodak Z 710, de 7 MPixels, com zoom ótico 10X e tripé.

Havia a pretensão de além de curtir a viagem, registrá-la com fotos, textos e vídeos e publicar tudo em um blog.

Qual o sentido desse trabalho todo?

É que nós, eu e Elba, após anos e anos educando filhos e dando suporte para que eles construíssem seus destinos, havíamos decidido usar nossa poupança para viajar, batendo pernas pelos quatro cantos do mundo.

O fato de Guilherme, nosso filho mais novo morar e trabalhar nos EUA, tendo apenas dez dias de férias por ano, é uma variável a mais para a gente se encontrar nas viagens.

Assim, o registro de cada uma dessas viagens, além de compartilhar tudo com os parentes e amigos, serve como balizamento e estímulo para as outras que virão.

O voo para Lisboa.

A turma: eu, Elba, Antônio Carlos, Fabiana e Norma. Dois casais acompanhados da sogra.

Saímos no horário certo apesar dos problemas em todos os aeroportos há poucos dias.

Norma, através de Ricardo, conseguiu viajar na classe executiva, e nós, pobres mortais, fomos na econômica mesmo. Eu, como raramente consigo dormir, já vou preparado para ficar perambulando pelo avião. Ficar espremido naquela cadeira apertada, sem ter onde botar os meus pés com tênis Nº48, é um desafio arretado.

Registrei, só por fofoca, alguns vídeos de dentro do avião.

Notem que utilizei o mesmo recurso que Steven Spielberg utilizou em ET, naquela cena no início do filme, quando ele (E.T, não Spielberg) corre pela floresta. Pendurei a câmera no pescoço a filmei a movimentação dentro do avião, pois de outra forma iria constranger as pessoas.

Em um dos filmes há um cara, de estatura pequena- uma forma educada de chamá-lo de baixinho- com os pés na parede a frente do seu assento. Esse é Zé Nivaldo, sócio de Marcelo na Makplan, gente boa e com um papo arretado para se curtir. Foi o que fizemos quando acordamos. Por coincidência a minha vizinha era uma dentista de Surubim, terra de Zé Nivaldo, aí foi aquele entrosamento. E tome estórias engraçadas.

Mas o que eu queria mesmo era registrar a minha enorme inveja de Zé Nivaldo, ali esparramado que nem um paxá, enquanto eu iria enfrentar uma noite sem dormir, onde o programa mais agradável seria ficar entre o banheiro e a copa, vendo o povo entrando e saindo do banheiro e a tripulação ali, de mal humor, te esperando sair para tirar um cochilo.

E foi o que fiz.

Medo mesmo de avião eu não tenho, mas na minha visão materialista, não deixo de pensar um pouco na extrema vulnerabilidade humana quando estamos a 10.000 metros de altura dentro de um deles. Um mecanismo de defesa contra a ansiedade gerada por esse pensamento tão pragmático é: primeiro, confiar nas estatísticas; e segundo, elogiar o enorme talento tecnológico do homem para fazer cosia incríveis e assustadoras, uma delas é botar um bicho pesado daquele para atravessar o Atlântico, cheio de gente e, ainda por cima, com as janelas fechadas.

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João Rego
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Morro de São Paulo, a chegada.

maio 28, 2014 by

Impressões de um viajante: Morro de São Paulo, a chegada.

*João Rego

“Estou em uma ilha, mas com a mulher que há muito descobre, às vezes com dor, os continentes perdidos em mim.(J. Rego)”

A viagem a Morro de São Paulo, ilha 30 milhas ao sul de Salvador, era um desejo antigo de Elba, minha esposa e companheira há 35 anos. O ritmo de trabalho intenso, meu e dela, nos induz como estratégia de fuga do cotidiano – ainda que temporário -, as viagens.

Levo comigo, além de bagagem reduzida, alguns livros: Cândido e o otimismo de Voltaire, Maravilhas do Conto Alemão, edição de 1958 e Empreendedorismo e Inovação de Peter Drucker, caso tenha uma recaída e não consiga me desligar do trabalho. Além disso, levo Dramine para enjoo e coragem (não muita) de aventureiro para enfrentar duas horas de mar aberto em um Catamarã com 20 pessoas.

A travessia transcorre normalmente e, apesar de algumas pessoas terem enjoado, o barco é seguro com uma tripulação treinada. Há na minha frente um grupo de seis estudantes argentinos dormindo profundamente, certamente resultado de uma farra na noite anterior, o que parece ser uma ótima alternativa ao Dramine.

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Morro de São Paulo, a Rua Caminho da Praia

maio 1, 2014 by

Impressões de um viajante: Morro de São Paulo, a Rua Caminho da Praia

*João Rego

Outubro de 2013

O Morro de São Paulo tem à noite, na Segunda Praia, a área de shows e bares, mais para quem gosta de som alto e misturado. Um dia antes tinha havido um show evangélico com caixas de sons enormes. Se estivéssemos em um dos hotéis da área teríamos fugido da ilha, a nado, noite adentro. Ou então teriam nos convertido.

Mas na Primeira Praia, aquela do atracadouro, tem a Rua Caminho da Praia. Lembra a Rua principal de Porto de Galinhas ou de Pipa, com uma enorme diferença: no seu final tem uma praça. Sim, a rua termina na Praça. E, para mim, que vivi minha infância na Praça Cel. Porto em Caruaru, foi uma prazerosa descoberta. Caminhar sem pressa, vendo as pessoas – todas leves e simpáticas -, os restaurantes e bares alinhados com as lojas de roupas para, no final da Rua, sentar em um banco de praça e pensar em nada. Se há uma grande perda na qualidade de vida de quem vive em grandes cidades, além do isolamento em seus apartamentos e do infernal trânsito, é a perda do hábito de sentar em uma praça à noite e jogar conversa fora com amigos e desconhecidos.

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Morro de São Paulo, o Capitão Pipoca e a volta.

abr 30, 2014 by

Impressões de um viajante: Morro de São Paulo, o Capitão Pipoca, novos amigos e a volta.

 *João Rego

Outubro de 2013

Minha experiência com o barco não foi traumática, porem exigiu de mim certa tensão. Logo que cheguei, o tripulante do barco me avisou: a volta é contra as ondas e o barco bate mais. Fiquei com a pulga atrás da orelha e pensando como achar uma saída alternativa para estas duas horas e meia de balanço mar adentro.

Como o lugar é paradisíaco (eita clichê), esqueci- me deste detalhe a tratei de curtir a Ilha. Encontro um primeiro problema com relação aos passeios marítimos em torno da ilha. Não há meio termo: ou você compra um passeio e passa o dia inteiro zanzando em um barco, ou não vai passear de barco. Não há um passeio de duas horas ou até mesmo de uma hora só para matar a curiosidade. Não. São no mínimo nove horas dentro de um barco, o que, para mim que estou acostumado no máximo ao balanço da minha rede, é muito. Decidimos relaxar e não seguir a multidão.

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Impressões de um viajante: Machu Picchu

abr 27, 2014 by

*João Rego

A visita a Machu Picchu, no que diz respeito à estrutura turística do Peru, é algo de se admirar, pela competência e organização. Cusco, cidade que foi centro do domínio Quéchua, cujo imperador foi o Inca, recebe trinta e cinco voos diários com turistas do mundo inteiro. É de Cusco, cidade de meio milhão de habitantes, que se parte, em um trecho de ônibus e outro de trem, para se chegar a Águas Calientes, a cidade ao pé de Machu Picchu.

Subimos em um pequeno ônibus num ziguezague de uma curta trilha até a entrada de Machu Picchu. Até ali nada de novo nem surpreendente. A surpresa foi quando, após andar uns duzentos metros, nos deparamos com a cidade de Machu Picchu. O cenário é estonteante e, dependendo da crença do viajante, todos os pensamentos explodem em nossas mentes. Para o místico, sente-se a energia de um lugar outrora sagrado. Para o trilheiro é apenas um ponto de chegada, após quatro exaustivos dias embrenhado no meio das montanhas da região. Para outros, apenas mais um lugar interessante para se dizer que foi e tirou belas fotografias.

No meu caso, inicialmente, veio a mim uma enorme sensação de insegurança, pois estava chuviscando, e as escadas de pedras irregulares com os abismos que nos cercam nos impõem  a exata limitação do homem diante de uma amplitude infinita.

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