Debate sobre Psicanálise 150 anos nascimento Freud

abr 28, 2014 by

Programa realizado pela Rádio Universitária AM em Maio de 2006 com: Fátima Quintas – entrevistadora João Rego – Psicanalista do Traço Freudiano Sandra Walter – psicanalista da IPB Maria Luiza Rodrigues – Psicanalista da IPB

Entrevista Rádio Universitária AM (UFPE)
Debate 150 anos do nascimento de Freud clique aqui >>

ATT Após abrir a página, clique em Play Song

 

 

DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

read more

Share This

O Complexo de Castração e o percurso da análise

abr 28, 2014 by

O Complexo de Castração e o percurso da análise – anotações esparsas

João Rego[1]

Recife, maio de 1998

 Texto apresentado na II Jornada do Traço Freudiano Veredas Lacaniana

Recife 22/23 de maio de 1998

 

Em psicanálise, o conceito de “castração” não corresponde à acepção habitual de mutilação dos órgãos sexuais masculinos, mas designa uma experiência psíquica completa, inconscientemente vivida pela criança por volta dos cinco anos de idade, e decisiva para a assunção de sua futura identidade sexual. (…) o complexo de castração, que apresentaremos como uma etapa na evolução da sexualidade infantil, não se reduz a um simples momento cronológico. Ao contrário, a experiência inconsciente da castração é incessantemente renovada ao longo de toda a existência e particularmente recolocada em jogo na cura analítica do paciente adulto. Um dos objetivos da experiência analítica é, com efeito, possibilitar e reativar na vida adulta a experiência que atravessamos na infância: admitir com dor que os limites do corpo são mais estreitos do que os limites do desejo. (NASIO, J.D.p13 in Lições sobre os 7 Conceitos Cruciais da Psicanálise)

 

CASTRAÇÃO

O Complexo de Castração esta experiência psíquica que Nasio tão bem define, compõe com o Complexo de Édipo a base onde a estrutura dos desejos que funda e institui o sujeito em sua relação com o mundo, vem operar sua subjetividade. Reconhecer que os limites do corpo estão aquém dos seus desejos é admitir a quebra de um certo sentimento de onipotência que o Eu insiste em sustentar, em nossa relação imaginária com o outro. É a quebra de uma forma idealizada de ser no mundo.

read more

Share This

Reflexões sobre a Instituição e seus vínculos.

abr 28, 2014 by

João Rego

Recife, 11 de agosto de 1998

Aos colegas do Traço:

Havia me comprometido a escrever minhas impressões sobre a decisão do Traço integrar Convergência. A finalidade do texto seria dar início a um outro mais formal que pudesse ser, digamos assim, o documento de formalização da entrado do Traço na Convergência. Apesar de me esforçar não encontrei tempo para fazê-lo, estou envolvido com duas mudanças (casa e consultório) que tem me impossibilitado parar para ler e escrever. Foi, entretanto, instigado pela mensagem de Teodora que na hora de responder saiu o texto que abaixo coloco para vocês. Com lapso e tudo.

read more

Share This

A Formação do Analista: por onde passa?

abr 28, 2014 by

João Rego, agosto de 1999. Texto apresentado na Jornada do Traço Freudiano Veredas Lacanianas – Escola de Psicanálise.

João Rego[1]

 

1.)Primeiro, um princípio: o psicanalista é autorizado apenas por si mesmo. Este princípio está inscrito nos textos originais da École, e decide sua posição

2.)Isto não exclui que a École garanta que um analista depende de sua formação. Ela pode fazê-la por si mesma.

3.)E o analista pode querer esta garantia, coisa que, a partir de então, deve necessariamente ir além: tornar-se responsável pelo progresso da Escola, tornar-se psicanalista de sua própria experiência (Jacques Lacan, in Proposição de 9 de outubro de 1967 – Sobre o Psicanalista da École)

O AUTORIZAR-SE

O primeiro parágrafo destacado acima é certamente o texto mais conhecido e polêmico de Lacan sobre a Formação do Analista. Este autorizar-se, porém, precisa ser necessariamente contextualizado historicamente a fim de evitar equívocos na sua interpretação. Recorremos a Elizabeth Roudinesco (cf. ROUDINESCO, 1989) para darmos um mergulho na compreensão dos fatos que provocaram a dissidência de Lacan com as instituições detentoras da herança deixada por Freud.

read more

Share This

Paulo e a transmissão da psicanálise

abr 28, 2014 by

Paulo e a transmissão da psicanálise ou Wo Es war, soll Ich werden.

*João Rego

“O discurso psicanalítico como efeito da destituição subjetiva, egóica, do sujeito ao inconsciente a partir do discurso histérico, deveria ser capaz, por si só, de assegurar a transmissão da psicanálise, guardando sua diferença na formação de psicanalistas em relação a outros discursos estruturados em torno do mestre e do universitário. Seu traço diferenciador se realiza na castração e subjetivação da morte.

Enfim, essas publicações endereçam-se, sobretudo, àqueles que, por fraqueza ou coragem, se submeteram ao divã de algum analista para falar das suas angústias, dos seus fantasmas, dos seus medos, de suas faltas e de sua incompletude, bem como àqueles que desejam acolher essas falas em sua escuta.” Paulo Medeiros ( apresentando as publicações do Traço)

 

Lembro muito de Lacan, quando disse que tudo que falou e escreveu foi na situação de analisante e não de analista.

É surpreendente esta afirmação, pois aponta para um saber que emerge direto, efeito do inconsciente, com a função de transmitir a psicanálise, herança (Maldita?? A peste?) deixada por Freud para aqueles que o seguiram.

Paulo, não fez outra coisa na vida com tanta intensidade, paixão e método do que transmitir esse saber, na clínica e nas instituições.

read more

Share This

Sobre a Psicanálise.

abr 28, 2014 by

*João Rego

Creio que o retorno aos textos freudianos, que foram objeto de meus ensinamentos nos últimos dois anos, deu-me a certeza cada vez maior de que não há apreensão mais ampla da realidade humana do que aquela que é feita pela experiência freudiana.(LACAN, Jacques in Le symbolique, l’imaginaire et le réel – Bulletin de l’Association freudienne, No. 1, nov, 1982)

Esta ‘experiência freudiana ’ a qual o texto de Lacan se refere, define a dimensão da psicanálise em um contexto que situa o homem e seus desejos de forma antagônica a civilização. Esta última tem a função de interditar, através da lei, grande parte da realização destes desejos. Em Totem e Tabu e no Mal Estar na Civilização, que definimos como as principais obras do pensamento social de Freud, este situa o homem fundado em um impasse insolúvel: o ser e suas pulsões – aquilo que tem de mais primitivo e essencial dentro da gente -, só vem garantir a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade, através da interdição da realização desta pulsão.

read more

Share This

Condensação e Deslocamento: uma reflexão sobre os mecanismos da emergência do desejo

abr 28, 2014 by

João Rego[1]

Texto apresentado na 1a. Jornada do Traço Freudiano,

Recife 12 de abril de 1997

 

 Permitam-nos agora, num vôo da imaginação, supor que Roma não é uma habitação, mas uma entidade psíquica, com um passado semelhantemente longo e abundante – isto é, uma entidade onde nada do que outrora surgiu desapareceu e onde todas as fases anteriores de desenvolvimento continuam a existir, paralelamente à última. Isso significaria que em Roma, os palácios dos césares e as Septizonium de Sétimo Severo ainda se estariam erguendo em sua antiga altura sobre o Palatino e que o castelo de Santo Ângelo ainda apresentaria em suas ameias as belas estátuas que o adornavam até a época do cerco pelos godos, e assim por diante. Mais do que isso: no local ocupado pelo Palazzo Caffarelli, mais uma vez se ergueria – sem que o Palazzo tivesse de ser removido  -, o Templo de Júpiter Capitolino, não apenas em sua última forma, como os romanos do império o viam, mas também na primitiva, quando apresentava formas etruscas e era ornamentado por antefixas de terracota. Ao mesmo tempo, onde hoje se ergue o Coliseu, poderíamos admirar a desaparecida Casa Dourada, de Nero. Na Praça do panteão encontraríamos não apenas o atual, tal como legado por Adriano, mas, aí mesmo, o edifício original levantado por Agripa; na verdade, o mesmo trecho de terreno estaria sustentando a Igreja de Santa Maria sobre Minerva e o antigo templo sobre o qual ela foi construída. E talvez o observador tivesse apenas de mudar a direção do olhar ou a sua posição para invocar uma visão da outra. (FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização) (FREUD, S. 1930[1929])

 

Com seu brilhante estilo literário Freud apresenta nesse texto, como o inconsciente se constitui e opera em suas condensações, deslocamentos e na menos famosa – mais nem por isso desprezível -, figurabilidade. Distingue as formas operativas do aparelho psíquico das existentes no mundo fenomenológico, aquele que estamos acostumados a sentir. No exemplo acima, ele tenta com muita objetividade, apresentar as formas de organização do aparelho psíquico descrevendo a simultaneidade como o ambiente onde as representações psíquicas trafegam com desenvoltura. Diante dos elementos que compõem a estrutura psíquica do sujeito, o tempo é absolutamente dissolvido em sua ação transformadora.

read more

Share This

O Homem dos Lobos: reflexões sobre o Fantasma em Freud

abr 28, 2014 by

*João Rego

Responde-me! Não me atormentes com a ignorância! Deixa-me saber porque teus ossos abençoados, sepultos na morte, rasgaram assim a mortalha em que estavam? Por que teu sepulcro, no qual te vimos quietamente depositado, abriu suas pesadas mandíbulas marmóreas para jogar-te novamente para fora? Que significa, corpo defunto, novamente revestido de aço, tua nova visita aos pálidos fulgores da lua, enchendo a noite de pavor? E nós, pobres joguetes da natureza, precisamos contemplar nosso ser tão horrivelmente agitado com pensamentos além do alcance de nossas almas?  Hamlet, pela primeira vez, diante do espectro do pai – (HAMLET, PRÍNCIPE DA DINAMARCA – William Shakespeare – ato primeiro, cena IV)

 

O fantasma, ou fantasia[1], é identificado por Freud, notadamente no caso do Homem dos Lobos (FREUD: 1918[1914]) como marcas inconscientes da estrutura psíquica do sujeito, que se impõem em momentos da pré-história deste como formas de apreensão de uma realidade edípica que estrutura e funda o ser desejante. Diferente de outras formações do inconsciente, é dramaticamente indestrutível, moldando (se), desdobrando (se) e repetindo-se na história do sujeito, definindo sua organização genital, imprimindo sua marca na sexualidade, nas suas relações de objeto e está contido nos sintomas como o agente fantasmaticamente aterrorizante e interrogador do sujeito e de seu dilema de existir.

read more

Share This

A Fobia em Lacan

abr 28, 2014 by

A Fobia em Lacan : reflexões sobre A Relação de Objeto e As Estruturas Freudianas.

*João Rego

 

Ia até o local da água, lambia a umidade da parede, durante uma, duas horas. Isso era uma tortura, o tempo não tinha mais fim, o tempo em que o mundo real lhe queimava a pele. Arrancava alguns pedaços de musgo e líquen das pedras, engolia-os, agachava-se, cagava enquanto comia, – rápido, rápido, tudo tinha que ser rápido – e, como se fosse caçado, como se fosse um animalzinho de carne macia e lá no céu já andassem os urubus em círculos, ele corria de volta à sua caverna, até o fim da galeria, onde estava estendida a manta. Aí finalmente estava seguro.(O PERFUME, Patrick Süskind)

 

O texto lido acima relata o autoexílio do personagem Jean-Baptiste Grenouille. Sete anos vivendo dentro de uma caverna, se alimentando de musgos, insetos e de seus desejos, os quais  tão bem sabia realizá-los em seus delírios. Um isolamento involuntário do mundo. É possível também interpretá-lo como uma excelente metáfora para a ágorafobia.

read more

Share This

Pulsão e repetição: tecendo a vida e a morte.

abr 28, 2014 by

João Rego*

 Texto apresentado na X Jornada Freud Lacaniana, Recife 5 e 6 de novembro de 2004.

 A morte tece seu fio de vida feita ao avesso. (Desenredo. Dori Caymmi e Paulo Cezar Pinheiro)

Em seu Mais Além do Princípio do Prazer, Freud introduz o conceito da pulsão de morte. Até então havia em seu modelo do aparelho anímico[2] a predominância do principio do prazer como uma força constante na operação do inconsciente. O sujeito do inconsciente teria então como contrapeso a obediência da realização deste princípio, a realidade, ou seja, a cultura com suas leis e impedimentos à realização de tais desejos. É o que Freud chama da prova de realidade. Este prazer é percebido como a descarga de uma “tensão desagradável” que busca um objeto e um sentido para sua finalização. A pulsão seria o estágio mais primitivo do aparelho anímico, uma espécie de combustível, que de forma latente utiliza-se das instâncias do Eu, do supereu e do Isso para dar vazão a sua natureza, o princípio do prazer. É uma quantidade de energia que alimenta incessantemente a estrutura psíquica do sujeito. Parte dessa pulsão, entretanto, não encontra a possibilidade de satisfação, pois são recalcadas aos níveis inferiores do aparelho anímico. Este inconsciente recalcado esforça-se para, por outras vias, dar vazão à descarga pulsional que é sentida pelo Eu como desprazer. O mecanismo de satisfação desse recalcado é através da compulsão a repetição, uma forma possível de lidar com sentimentos e emoções oriundos dessa instância mais intima e primitiva do homem.

read more

Share This

Cultura, Pulsão e psicanálise.

abr 28, 2014 by

*João Rego

Creio que o retorno aos textos freudianos, que foram objeto de meus ensinamentos nos últimos dois anos, deu-me a certeza cada vez maior de que não há apreensão mais ampla da realidade humana do que aquela que é feita pela experiência freudiana.(LACAN, Jacques in Le symbolique, l’imaginaire et le réel – Bulletin de l’Association freudienne, No. 1, nov, 1982)

 

Esta ‘experiência freudiana ’a qual o texto de Lacan se refere, define a dimensão da psicanálise em um contexto que situa o homem e seus desejos de forma antagônica a civilização. Esta última tem a função de interditar, através da lei, grande parte da realização destes desejos.

Em Totem e Tabu e no Mal Estar da Civilização, que definimos como as principais obras do pensamento social de Freud, este situa o homem fundado em um impasse insolúvel: o ser e suas pulsões – aquilo que tem de mais primitivo e essencial dentro da gente -, só vem garantir a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade, através da interdição da realização desta pulsão.

read more

Hamlet, psicanálise e ciência.

abr 25, 2014 by

Hamlet, psicanálise e a tentativa de captura do sujeito pela ciência.

João Rego*

Recife, 21 de abril de 2014.

É muito comum aparecer em revistas (especializadas ou não) entrevistas com neurocientistas e outras espécimes nos comunicando um novo aparelho de alta tecnologia capaz de desvendar os mistérios do homem em seu mais recôndito universo: sua estrutura psíquica.

São milhões de dólares investidos nesta desesperada e inútil tentativa de capturar o humano e suas vicissitudes.

Esta biologização do sujeito certamente tem um fim comercial ou de dominação – sempre ela -, para produzir algo que nos afaste da depressão ou alivie uma angustiazinha aqui, outra acolá. Enfim, se eu sei tudo sobre você, principalmente sobre aquilo ao que você é alienado e determina sua existência, fazendo-o sofrer com isso, tenho a faca o queijo para sobre você impor meu saber que o fará dependente de mim, e pagará por isso.

read more

O Sujeito, o Desejo e a Política.

out 28, 2013 by

*João Rego

O conceito de sujeito, para a psicanálise, é o do sujeito constituído por uma falta que o funda como ser desejante. Essa é uma operação que ocorre em nossa alma e que tem sua origem no momento em que, como criança, viemos ao mundo. A princípio temos uma relação fusional com a mãe, ou seja, não somos constituídos ainda como sujeito. Nos confundimos e nos nutrimos desta fonte de vida original, que é o corpo da mãe. Com a interferência da figura paterna dá-se a interdição, que nos castra da mãe. A partir daí, seguimos a vida condenados a buscar, de forma incessante e sem êxito, o preenchimento desta falta.

É movido por esta falta que nos constituímos como sujeito, sentimos os limites do nosso corpo, criamos, amamos, e sofremos.

Sem ela cessaria o desejo, o que é a morte.

read more