Introdução ao Módulo Ciência Política

jun 30, 2014 by

João Rego, junho de 2014.

Quando deixei a área da gestão pública para fazer o mestrado e ciência política, em 1989, o mundo enfrentava o fim de uma era com a Queda do Muro de Berlim. Foi o fim da experiência fracassada do comunismo, iniciada em 1917 na Rússia e o começo da era da democracia como um valor universal. Nessa atmosfera dediquei quatro anos de estudos sobre teoria política clássica e contemporânea; sobre métodos de pesquisa social e comportamento eleitoral. Estávamos no meio para o fim da transição de uma ditadura para a democracia. Partidos políticos e sistemas partidários eram os temas de maior relevância na agenda da pesquisa em ciência política no Brasil, pois tratava-se de compreender o trilhamento institucional que possibilitaria o trem da democracia partir rumo ao futuro, que até hoje, 25 anos depois, nunca descarrilou. Minha tese foi sobre a formação do Sistema Partidário Brasileiro durante o período de 1982 a 1990.

Este módulo é uma espécie de acervo de meus escritos durante parte da militância partidária e da realização do Mestrado em Ciência Política na UFPE. Período entre 1982 e 1993, quando terminei minha tese sobre a formação do Sistema Partidário Brasileiro.

São textos, em sua grande maioria, datados—, ou seja, para lê-los é preciso o leitor se situar no momento em que foi escrito—, mas nem por isso os descarto, sabendo da sua importância para construção da minha formação intelectual.

Estão ordenados, para facilidade de leitura entre:

a.) Artigos para jornais;

b.)Ensaios;

c.)Tese de Mestrado

***

 

DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

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A Teoria Ampliada do Estado em Gramsci.

abr 29, 2014 by

Reflexões sobre A Teoria Ampliada do Estado em Gramsci.

João Rego[1]

 

Texto publicado em 5 de Abril de 1991 no Caderno Cultural do Jornal do Commercio quando dos 100 anos do nascimento de Antônio Gramsci.

 

Desde Maquiavel até Hobbes, de Locke, Rousseau até Marx o Estado vem sendo interpretado das mais diversas maneiras. É, entretanto, em Marx que o Estado perde sua áurea de superioridade entre os homens.

Em Hobbes, o poderoso Leviatã, no qual todas as experiências históricas totalitárias podem ser nele retratadas, em Locke o Estado liberal, protetor da propriedade privada; todos veem agregando partes de “verdade” na explicação desse estranho “ente” que representa a passagem da humanidade do estado natural para o estado de vida em sociedade. Porém, foi apenas em Marx onde o Estado foi “dessacralizado”[2], ou seja foi relacionada sua existência às contradições das classes sociais existentes na sociedade.

Assim, em vez do Estado imanente e superior, acima dos homens, Marx apresenta-o como um mero instrumento da classe dominante. A gênese do Estado reside portanto, na divisão da sociedade em classes, sendo sua principal função conservar e reproduzir esta divisão, garantindo os interesses da classe que domina as outras classes.

Esta descoberta de Marx, alterou significativamente as relações sociais, em decorrência das diversas inferências que a classe trabalhadora pôde dai extrair, principalmente no sentido de estimular a luta pela superação das contradições internas da sociedade, assumindo uma posição de nova classe dominante, extinguindo-se assim a sociedade de classes.

Desta visão aparentemente simplista e mecaniscista, Gramsci desenvolve uma visão mais elaborada e complexa sobre a sociedade e o Estado. Para ele, o Estado é força e consenso. Ou seja, apesar de estar a serviço de uma classe dominante ele não se mantém apenas pela força e pela coerção legal; sua dominação é bem mais sutil e eficaz.

Através de diversos meios e sistemas, inclusive e principalmente, através de entidades que aparentemente estão fora da estrutura estatal coercitiva, o Estado se mantém e se reproduz como instrumento de uma classe, também construindo o consenso no seio da sociedade. Assim Gramsci amplia a visão marxista do Estado, interpretando-o como um ser que a tudo envolve, o qual é composto pela sociedade política e a sociedade civil. Em suas palavras:

 

Estado – sociedade civil e sociedade política, isto é hegemonia encouraçada de coerção.(……….)

 

O termo hegemonia, apesar de ter sido usado anteriormente por Lênin, traz uma dupla interpretação: a primeira, teria o significado de dominação; a segunda um significado de liderança tendo implícita alguma noção de consentimento. É nesta segunda definição que este termo assume um papel de destaque na elaboração de todo o quadro teórico gramsciano. É interpretando como se dá a dominação da burguesia na Itália, e utilizando Maquiavel e Pareto, sobre seus conceitos de Estado como força e consentimento, que o conceito de hegemonia em Gramsci assume papel fundamentador na sua concepção de Estado.

É em uma carta à sua cunhada Tatiana Schucht de Dezembro de 1931 que Gramsci expõe de forma resumida seu novo conceito de Estado ampliado:

Eu amplio muito a noção de intelectual e não me limito à noção corrente que se refere aos grandes intelectuais. Esse estudo leva também a certas determinações do conceito de Estado, que habitualmente é entendido como sociedade política ( ou ditadura, ou aparelho coercitivo para adequar a massa popular a um tipo de produção e a economia a um dado momento); e não como equilíbrio entre a sociedade política e sociedade civil ( ou hegemonia de um grupo social sobre a inteira sociedade nacional, exercidas através de organizações ditas privadas, como a igreja, os sindicatos, as escolas, etc.)……..

Assim o Estado se compõe de dois segmentos distintos, porém atuando com o mesmo objetivo, que é o de manter e reproduzir a dominação da classe hegemônica:

A sociedade política (Estado em sentido restrito ou Estado – coerção) a qual é formada pelos mecanismos que garantam o monopólio da força pela classe dominante (burocracia executiva e polícial-militar) e a sociedade civil, formada pelo conjunto das organizações responsáveis pela elaboração e difusão das ideologias, composta pelo sistema escolar, Igreja, sindicatos, partidos políticos, organizações profissionais, organizações culturais (revistas, jornais, meios de comunicação de massa, etc).

E aqui merecem destaque os meios de comunicação, pois para sua época estavam ainda em sua fase embrionária, e a televisão nem sequer fazia parte dos projetos futurísticos da época. Isto só seria possível no início da década de 50. É exatamente através dos meios de comunicação modernos, que se dá a canalização da direção intelectual e moral, difundindo eficazmente as ideologias, da classe hegemônica vigente.

Percebe-se aqui, que aquilo que os clássicos vinham tentado interpretar e explicar como Estado, é apenas a sociedade política do Estado gramsciano. A sociedade civil representa o novo momento teórico, a nova determinação descoberta por Gramsci.

É interessante observar que esta sociedade civil vem assumir sua dimensão material com maior intensidade apenas no começo do século XX, com os partidos de massa, sindicatos de milhares de trabalhadores e outras formas complexas de organizações sociais.

É somente após sua evolução histórica que a sociedade civil pôde ser capturada teoricamente. Antes disso, o Estado- coerção era muito superior em sua base material para se permitir tal percepção.

O que nos chama a atenção no modelo do Estado Ampliado, contrariamente as definições dos clássicos, desde o Leviatã de Hobbes até Marx, é o sentido unitário do Estado. Ou seja, até Marx, se imaginava o Estado como algo distinto da sociedade civil, que deveria ser extinto no momento que se extinguisse a divisão de classes dentro da sociedade, uma vez que era esta divisão que produzia a necessidade de se ter um Estado. Percebe-se a separação entre Estado e sociedade, mesmo que a existência do primeiro esteja ligada a certas condições encontradas na segunda.

Em Gramsci, porém, quando ele agrega também a sociedade civil ao Estado-coerção, nada fica de fora do Estado. Este “todo”, entretanto, não é homogêneo, é rico em contradições e é mantido por um certo “tecido hegemônico” que a cada momento histórico é criado e recriado em um processo constante de renovação dialética.

Assim, a luta pela construção de uma sociedade socialista, torna-se bem mais complexa e difícil do que se imaginava em Marx-Lênin. Não basta ser classe dominante, mas tem que ser também classe hegemônica (dirigente). Desta forma a arena de luta entre as classes (igualmente ao modelo de Estado) também se amplia. Assim a sociedade só ultrapassará o estágio do modo de produção capitalista, quando o bloco histórico hegemônico passar às mãos da classe trabalhadora. Neste momento a sociedade civil terá atingido uma base material superior à base material (aparelho de repressão) do Estado-coerção, atingindo o que Gramsci chama de “sociedade regulada”.

Segue interessante e esclarecedor texto de Gramsci citado por Carlos Nelson Coutinho:

-… ele explicita melhor ainda a dialética (unidade na adversidade) entre sociedade política e sociedade civil : ” A supremacia de um grupo social se manifesta de dois modos, como domínio e como direção intelectual e moral. Um grupo social é dominante dos grupos adversários que tende a liquidar ou submeter também a força armada; e é dirigente dos grupos afins ou aliados.( Gramsci ….)”. Nesse texto, o termo supremacia designa o momento sintético que unifica (sem homogeneizar) a hegemonia e a dominação, o consenso e a coerção, a direção e a ditadura.-

 É finalmente no projeto de Gramsci em relação a transição da sociedade, de um modo de produção capitalista, para uma sociedade socialista, que ele renova dialeticamente os conceitos de extinção do Estado, de Marx, Engels e Lênin.

Ou seja, com a projeção da gradativa absorção da sociedade política pela sociedade civil, a qual atua através dos seus aparelhos privados de hegemonia (o que significa o consenso como essência da comunicação no interior da sociedade), o Estado-coerção irá sendo substituído pelo Estado-ético. E é esta entidade remanescente do Estado-coerção, que torna mais factível o modelo de sociedade socialista e menos utópico como planejara Marx e Lênin.

Novamente em Carlos Nelson Coutinho, encontramos esse trecho, no qual faz a distinção entre a extinção do Estado em Marx e Lênin para a extinção do Estado em Gramsci.

O ponto novo, a concretização gramsciana da teoria “clássica” do fim do Estado, reside em sua idéia-realista de que aquilo que se extinguiu são so mecanismos do Estado-coerção, da sociedade política, conservando-se entretanto os organismos da sociedade civil, os quais se convertem nos portadores materiais do “auto-governo dos produtores associados”. O fim do Estado não implica nele a idéia-generosa, mais utópica, de uma sociedade sem governo.

Do exposto, podemos inferir que, na concepção gramsciana de Estado, as sociedades capitalistas modernas, democráticas, estariam historicamente muito mais avançadas e por conseqüência mais próximas de uma nova etapa de transição para o socialismo do que as sociedades que vivenciaram os 70 anos de “tentativa de construção do socialismo”. Isto porque a sociedade civil nas primeiras estão infinitamente mais consolidadas estruturalmente do que as segunda, onde nestas o Estado-coerção ocupou durante décadas quase que a totalidade da base material da sociedade, ocasionando a necessidade de todo este processo de reestruturação com um estágio ainda incipiente de organização da sociedade civil.

Outra questão. Se a supremacia da sociedade civil se dará pelo consenso contra a coerção, onde fica o conceito de luta de classes, momento celular do pensamento marxista clássico?

Ainda mais. Se em Gramsci a extinção do Estado-coerção se dará pela reabsorção deste pelo Estado-ético (sociedade civil) e esta sociedade civil era parte integrante do Estado Ampliado, então não se pode falar de extinção do Estado, mas em uma reestruturação do Estado onde uma de suas partes componentes foi atrofiada por falta de uso ou necessidade, uma vez que os conflitos passaram a ser administrados pela base material do consenso ( o fato de você acabar com uma parte de um todo não significa que você acabou com o todo).

Nossa dúvida final, em relação a extinção do Estado é fundamentada em alguns aspectos centrais da obra de Mosca e Pareto, (teoria das Elites) pois se no modelo gramsciano ainda restará o governo para cuidar da sociedade civil, indagamos se nesta distinção de função entre as pessoas (as que cuidam de exercer o “sacrifício” de governar e as que “usufruem” a vida numa sociedade de consenso) não estaria ainda latente o germe da dominação entre as classes e portanto o embrião do Estado-coerção em outro nível?

Não estaria Gramsci incorrendo num erro fatal que perpassa todo o acervo do pensamento político socialista ( e portanto também pré-marxista) que é de superestimar a figura do homem com o “bon sauvage” rousseauniano, em vez da visão mais realista, ao nosso ver, do homem hobbesiano “o homem é o lobo do homem”? Não seria o Estado-ético apenas conseqüência da projeção desse tipo ideal de homem? e portanto uma sociedade capaz de ser viável apenas na hipótese remota de ser composta por anjos e não homens?

Mesmo com tantos questionamentos, consideramos o paradigma gramsciano elevado à categoria de um conjunto de idéias extremamente válidas, não apenas para propor uma transição para o socialismo, bem como delimitar as limitações desta nova sociedade, mas principalmente como base teórica para compreender o desenvolvimento das sociedades capitalistas modernas, cada vez mais geridas pelo consenso.

 

Bibliografia

 

BUCI-GLUCKMANN, Cristine – Gramsci e o Estado. Ed.Paz e Terra, 1980

COUTINHO, Carlos Nelson –Gramsci- um estudo do seu pensamento político. Ed.Campus, 1990

GRAMSCI, Antônio – Maquiavel, a Política e o Estado Moderno. Ed.Civilização Brasileira, 1980

GRAMSCI, Antônio – Cartas do Cárcere. Ed. Civilização Brasileira, 1987

 

 

 

 

[1] * João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
Atua, desde 2010, como consultor empresarial em estratégia e inovação.

É Diretor da Factta Consultoria, Estratégia e Competitividade.
É Editor da Revista Será? Opinião, crítica, artigos, ensaios e resenhas.
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[2]              Esta expressão é de Valentino Gerratana, em Lênin e a dessacralização do Estado, Roma, Ed. Riuniti, 1972

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O homem entre a barbárie e a cultura.

abr 28, 2014 by

Reflexões sobre Leviatã (Hobbes) e o Mal-estar na Civilização(Freud)

*João Rego

Enquanto, em Hobbes, a questão da barbárie, ou das paixões naturais que imperam sobre a vontade humana no estado de natureza, deve ser domada em sua totalidade através do Estado, este com as suas funções absolutizadas, exercendo forte e amplamente o seu domínio sobre a condição humana, em Freud, a civilização, apesar de apresentar evidentes melhoras em relação ao estado de natureza, não é vista como vitoriosa, ou como uma solução completa e acabada.

Contrário ao ponto de vista estático e determinista com que Hobbes imagina o seu modelo de Estado como solução para a humanidade, Freud apresenta uma visão dialética (Eros x Tanatos) e dinâmica, sem nenhuma certeza se haverá algum dia uma civilização capaz de resolver os conflitos estruturais entre o ser humano, com as suas forças pulsionais, e a civilização, esta última resultante do processo de regulação das pulsões dos homens.

Para ler o texto completo clique no título a seguir: Poder, Estado e Sociedade em Hobbes e Freud.

 

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* João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
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Este texto foi publicado originalmente na Revista Será? onde se permite a discussão sobre o tema. Para ter acesso ao texto e suas críticas clique aqui >>>

 

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Cultura, Pulsão e psicanálise.

abr 28, 2014 by

*João Rego

Creio que o retorno aos textos freudianos, que foram objeto de meus ensinamentos nos últimos dois anos, deu-me a certeza cada vez maior de que não há apreensão mais ampla da realidade humana do que aquela que é feita pela experiência freudiana.(LACAN, Jacques in Le symbolique, l’imaginaire et le réel – Bulletin de l’Association freudienne, No. 1, nov, 1982)

 

Esta ‘experiência freudiana ’a qual o texto de Lacan se refere, define a dimensão da psicanálise em um contexto que situa o homem e seus desejos de forma antagônica a civilização. Esta última tem a função de interditar, através da lei, grande parte da realização destes desejos.

Em Totem e Tabu e no Mal Estar da Civilização, que definimos como as principais obras do pensamento social de Freud, este situa o homem fundado em um impasse insolúvel: o ser e suas pulsões – aquilo que tem de mais primitivo e essencial dentro da gente -, só vem garantir a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade, através da interdição da realização desta pulsão.

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O golpe militar de 64: da ditadura à abertura

abr 28, 2014 by

.O golpe militar de 64: da ditadura à abertura – Uma análise sob a ótica dos partidos políticos no Brasil.

*João Rego

Não se pode compreender o Sistema Partidário Brasileiro (SPB) no período de 1982 a 1990, que funda a atual democracia no Brasil, sem situá-lo no contexto da fase final do regime autoritário de 1964. O atual Sistema partidário Brasileiro, principal suporte – para o bem e para o mal – do processo de consolidação da democracia no Brasil, foi fundado como resultado de uma estratégia de distensão do próprio regime autoritário.

O golpe militar de 1964 teve sua articulação coordenada por três forças políticas que já haviam marcado sua posição no processo político na década de 1950: o capital multinacional associado ao nacional, o capital de Estado e os militares.

A crise política que levou o país à ruptura de sua primeira experiência democrática, iniciada com o fim do Estado Novo, em 1945, possibilitou que, em 1964, as forças golpistas, após as prisões, expurgos e IPM’s, viessem, com o Ato Institucional Nº 2, extinguir todos os partidos que haviam florescido durante o período de 1945.

Encerrava-se assim o primeiro ciclo de uma experiência multipartidária efetiva onde a marca principal foi o surgimento de partidos com abrangência nacional e perfis ideológicos distintos, acompanhando o desenvolvimento urbano-industrial ocorrido na década de 1950.

Para ler o texto completo clique  no título O GOLPE MILITAR DE 64: DA DITADURA À ABERTURA.

 

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Tese Mestrado 1

abr 27, 2014 by

* João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
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STF, elite política e sociedade civil.

abr 27, 2014 by

*João Rego

Eu vi uma negra. Ela era jovem e carregava, como um burro de carga, uma carroça cheia de lixo e dejetos, colhidos ao longo do dia para ganhar algum. Sentia-se a força de uma mulher que, com brilho nos olhos, braços musculosos, avançava puxando aquele fardo que insiste em imprimir a marca da miséria e do subdesenvolvimento do Brasil.

Aquela carroça, puxada por um homemanimal, é um símbolo multinacional da miséria que perpassa os países pobres. Como o logo da Dell ou da Microsoft, é a logomarca da miséria humana, que nos transporta para o Congo, o Haití ou a Índia.

Ao seu lado, um esquálido auxiliar – quase branco, quase negro – cuidava para que a frágil proteção de papelão não deixasse cair o fruto do seu trabalho. E eu, dentro do meu carro com ar condicionado, smartphone na mão com a internet e o mundo de conhecimento à distância de um arrastar de dedos, tive, a princípio, receio que a carroça, a qual iria passar entre meu carro e o ônibus…arranhasse meu carro.

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A Política, a religião e o engodo

abr 27, 2014 by

João Rego

 

Oito de dezembro, dia da Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Recife. Todos os anos é a mesma correria: grande parte da classe política se empenha sofregamente em subir o morro, contrita, juntos aos fiéis. Marxistas, pós-comunistas, liberais, conservadores, neoliberais, todos unidos em devoção ao árduo trabalho da conquista do voto, por mais esdrúxula que seja a situação.

Se o grande enigma para a ciência política é porque a sociedade civil, muito maior que a minúscula classe política, não toma as rédeas do poder e controla o Estado, para a Religião é o eterno enigma indecifrável da morte e do pecado. O da Política: porque nos submetemos ao controle do Estado através da classe política? O da Religião porque precisamos de um Deus com um aparato moral para guiar as nossas vidas?

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O Pulso ainda pulsa….(Titãs)

abr 26, 2014 by

Reflexões sobre sociedade, internet e as manifestações sociais de julho de 2013.

 Para Marília que acabou de nascer. *João Rego

Tenho em minhas mãos a Revista Civilização Brasileira No. 16 de Novembro de 1967. Em sua a capa a foto de uma manifestação política, onde um jovem com óculos de intelectual carrega um cartaz que diz: NÃO SAIREMOS ENQUANTO NÃO FOREM LIBERTADOS ESTUDANTES E PADRES PRESOS! O conteúdo da revista, denso e instigante, tem artigos sobre marxismo, arte, desenvolvimento e pobreza, literatura, sindicalismo, inflação e ainda uma carta de Louis Altusser aos leitores brasileiros.

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O político, o homem e a razão cética.

abr 26, 2014 by

* João Rego

Recife, 22 de março de 2014.

Ao meu amigo David Hulak que teve parentes
incinerados nos fornos crematórios, durante o holocausto.

 

Peço licença aos leitores para apresentar algumas reflexões, que considero importantes, para aprofundarmos um pouco mais o nível da compreensão (e discussão) sobre o universo da política. A primeira é sobre a relação entre políticos e eleitores.

Esta é uma relação antiga que só a fome: sempre haverá aqueles que dominam e aqueles que são dominados. Antes do surgimento das instituições democráticas, as que temos atualmente, esta separação se dava na base da porrada mesmo. A história da humanidade, vista dessa ótica, é um enorme rio de sangue e crueldade que, incessantemente, verte sobre o domínio do tempo as guerras e as atrocidades do sujeito humano (?). Isto denuncia que nossa humanidade é uma visão idealizada, falsa, a qual, o processo civilizatório[1] tenta, de forma desesperada, domesticar, controlar ou, em alguns casos, empurrar para baixo do tapete.

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O Estado, a pulsão o sujeito.

abr 26, 2014 by

Reflexões sobre alguns conceitos utilizados em meu artigo Viva a Diferença!

 *João Rego

A visão despersonalizada do Estado (lembro que o Estado é sempre constituído de pessoas) identificando-o como uma “expressão do sentimento dominante na sociedade” dá a impressão de que nada mais resta a fazer, uma vez que esta visão ampla e generosa coloca o Estado como uma instância superior e fruto impune de uma “expressão dominante”.

Imagino um judeu em Auschwitz prestes a ir para o forno crematório pensando nessa expressão do sentimento dominante na sociedade.

É claro que a Solução Final foi uma estratégia secreta de guerra e de extrema crueldade nazista, e Hitler, mesmo tendo sido eleito (expressão da maioria), com essa política certamente não estava correspondendo à vontade da maioria. Mas era o Estado que estava lá, com sua logística macabra, com metas, prêmio de melhor funcionário, visão, análise SWOT e tudo mais.

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Viva a diferença!

abr 26, 2014 by

*João Rego

 

Duas notícias recentes me chamaram a atenção esta semana: a primeira, na Rússia, com leis que punem as expressões de afetos homossexuais em público; a segunda, na França, assim como já ocorreu em vários países, discutem no parlamento a união entre pessoas do mesmo sexo, a esquerda é favorável e a direita conservadora contra. Vem-me uma questão inquietante: em que a sexualidade dos seus cidadãos é identificada pelo Estado como ameaça? Por que uma instituição, construída ao longo de séculos de processos civilizatórios fruto de guerras, revoluções, dominações imperialistas, avanços e recuos políticos e sociais se importa com aspectos íntimos da singularidade humana?

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O Sujeito, o Desejo e a Política.

out 28, 2013 by

*João Rego

O conceito de sujeito, para a psicanálise, é o do sujeito constituído por uma falta que o funda como ser desejante. Essa é uma operação que ocorre em nossa alma e que tem sua origem no momento em que, como criança, viemos ao mundo. A princípio temos uma relação fusional com a mãe, ou seja, não somos constituídos ainda como sujeito. Nos confundimos e nos nutrimos desta fonte de vida original, que é o corpo da mãe. Com a interferência da figura paterna dá-se a interdição, que nos castra da mãe. A partir daí, seguimos a vida condenados a buscar, de forma incessante e sem êxito, o preenchimento desta falta.

É movido por esta falta que nos constituímos como sujeito, sentimos os limites do nosso corpo, criamos, amamos, e sofremos.

Sem ela cessaria o desejo, o que é a morte.

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Quem tem medo de Yoani Sanchez?

abr 29, 2012 by

*João Rego

O perigo das ideologias anacrônicas é sua fragilidade diante da realidade que insiste em desobedecê-las. Tem sido sempre assim, qualquer força política, ao longo da história, se expressa, define suas estratégias e ações impreterivelmente com base em uma ideologia. Disso ninguém escapa. O problema é a certeza cega, religiosa que certas ideologias carregam em seu bojo. Aí reside um grande obstáculo que é a incessante mutação da realidade social, política e econômica.

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Muito além dos moinhos.

abr 28, 2012 by

Resposta às críticas do meu artigo “O Socialismo e a Síndrome de Salieri”

*João Rego

Dom Quixote – A aventura nos vai guiando melhor as coisas do que pudéramos desejar; ali estão, amigo Sancho Pança, trinta desaforados gigantes, ou pouco mais, a quem penso combater e tira-lhes, a todos, as vidas, e com cujos despojos começaremos a enriquecer; será boa guerra, pois é grande serviço prestado a Deus o de extirpar tão má semente da Face da Terra.

Sancho Pança – Que gigantes?”

 

Este trecho da grande obra de Cervantes relata o delírio do nosso mais célebre herói da literatura, Dom Quixote. Após passar grande parte de sua vida lendo obsessivamente apenas os livros de história de Cavaleiros andantes, sai pelo mundo afora com uma missão nobre de lutar contra o mal, onde este se apresentasse. O problema é que, tendo sua percepção da realidade enublada pelo delírio, esta lhe escapa, deixando-o aprisionado em seu mundo interior. Capturado por uma lógica delirante, fechada, acabada, segue com sua certeza cega a errar por um mundo que só a ele pertence.

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O Socialismo e a Síndrome de Salieri

abr 28, 2012 by

*João Rego

No filme Amadeus de Peter Shaffer, dirigido por Milos Forman, se constrói uma relação de amor e ódio de Salieri por Mozart. A principal fonte do ódio de Salieri deve-se ao fato que este, desde pequeno, havia se oferecido celibatariamente a Deus, abrindo mão de todos os prazeres terrenos para que, em troca, Deus lhe desse o dom da música. E assim foi por certo tempo. Salieri acreditava ser o escolhido e estava muito bem instalado como diretor musical do Rei da Áustria, gozando de todos os privilégios, dentre os quais o reconhecimento e a fama. Até que…entra em cena Mozart, que já era conhecido como menino prodígio e, agora adulto, havia sido contrato para a mesma corte. Mozart é um personagem totalmente hedonista, sem nenhum limite quanto aos prazeres do sexo e da boemia. Entretanto, compunha uma música  que aos olhos (neste caso, ouvidos)de Salieri  era a máxima perfeição da expressão do divino na terra. Um ódio crescente e obsessivo se instala no espírito de Salieri passando a conviver, simultaneamente, com a paixão deste pela música de Mozart.

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Palocci, o Brasil e a corrupção.

abr 29, 2011 by

*João Rego.

Recife, 14 de junho de 2011.

 

No livro de João Ubaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro, que recomendo para compreendermos traços da formação da elite brasileira, lá no final há uma cena extraordinária: três ladrões pés-rapados, após a morte do general Patrício Macário, roubam da sua casa uma canastra, pequeno baú, e sem a chave um deles consegue forçar uma abertura no baú e para seu espanto consegue, espiando por uma fresta, vê o futuro.

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Entrevista a Revista Veja Online

abr 29, 2010 by

Entrevista a Revista Veja Online sobre a oposição no Brasil

*João Rego

 Recife, 28 de setembro de 2010.

 

Professor,

Vou fazer uma reportagem sobre a oposição no Brasil e quero entender como ela tem se comportado desde a redemocratização do país.

Enfim, não vamos fazer uma tese sobre o assunto, mas quero tentar mostrar para o leitor as diferenças de comportamento, o que esperar da oposição..

Muito obrigada,

Adriana Caitano
Repórter VEJA.com

Pergunta: As oposições que o Brasil já teve ou têm um comportamento padrão?

João Rego: Bem, durante o período autoritário havia valores e desafios que forçavam claramente uma clivagem entre governo e oposição, inclusive – percebemos a posteriori- cegando a todos os envolvidos, onde um visão dicotômica nos impedia de ver nuances do outro lado que apresentava uma diversidade política. Se você não fosse de esquerda era de direita e, portanto, estava dos lados dos militares. O outro lado via todos como comunistas.

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Formação da cidadania e tecnologia.

abr 29, 2007 by

*João Rego.

 

O conceito de cidadania se confunde com a democracia em si. Não é possível ter uma democracia operando de forma efetiva, e não apenas juridicamente formal, sem um contínuo exercício de cidadania. Este tem como função, controlar a classe política através de campanhas e pressões legítimas, e interferir na agenda política, econômica e social de seu país. Os partidos políticos, as eleições e a imprensa livre são condições necessárias para se operar uma sociedade democrática, mas não suficientes.

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Democracia na América Latina.

abr 29, 2007 by

*João Rego.

O Brasil, juntamente com grande parte dos países que compõem a América Latina, passou quase todo o século passado lutando entre períodos de regimes autoritários, marcados por forte militarismo; e regimes populistas, estes quase sempre distanciados do interesse do eleitor, marcados por um discurso antidemocrático e manipulador do eleitorado mais pobre. Apenas na última década do século, foi que embarcamos, com vários obstáculos ultrapassados, no ambiente democrático estruturalmente consolidado.

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Sociedade e política.

abr 29, 2006 by

*João Rego

Nas sociedades modernas, paira, acima das diferenças ideológicas e dos diversos credos, um conflito estrutural que se sobrepõe a tudo que, em nosso cotidiano, parece ser uma “normalidade silenciosa” que rege nossas vidas. Trata-se do conflito entre o Estado, este materializado pela classe política e por todos que fazem funcionar os aparelhos de Estado, e a Sociedade Civil, que somos todos nós.

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Tecnologia, cidadania e o futuro da democracia.

abr 29, 2006 by

*João Rego

Recife, 11 de Janeiro de 2006.

Para grande parte da população o exercício da política se restringe aquela política formal, dos deputados e governantes, a qual, quase sempre – pelo menos no Brasil, – fica no imaginário dessas pessoas como algo asqueroso, repugnante, que temos que suportar no nosso cotidiano, já tão cheio de problemas.

O desconforto é ainda maior quando sabemos que tudo é pago com o esforço do nosso trabalho, através dos impostos.

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Internet e política

abr 29, 2006 by

*João Rego.

A sociedade vem sofrendo uma radical transformação com o impacto da tecnologia da informação penetrando em suas estruturas.

No universo da política este impacto não é menor.

As relações entre o político e o eleitor, apesar de existirem as amarras formais da legislação, estarão cada vez mais soltas e independentes do aparato jurídico formal que institui o Estado e seus poderes.

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A violência urbana e suas raízes.

dez 31, 2005 by

*João Rego

 Recife, 31 de Dezembro de 2005.

 

Recentemente a cidade do Recife foi impactada com a morte do psicanalista Antônio Carlos Escobar, que foi, solidariamente, chamar a atenção de um casal que estava sendo assalto por um adolescente de 16 anos. Este revidou e o acertou com um tiro. No mesmo dia, uma estudante de odontologia levou um tiro na testa de um outro adolescente que lhe roubara o celular. Esta se encontra em coma.

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O impeachment, a horda e a morte do Pai.

nov 14, 2005 by

*João Rego.

Recife, 14 de novembro de 2005.

 

O fenômeno que funda a política é a estranha qualidade de um grupo de pessoas se identificarem com um líder, e nele, projetarem suas esperanças, agregando-lhes imaginariamente, qualidades que nos indivíduos normais estão ausentes.

Tem sido assim desde os primórdios.

As frustrações do cotidiano, a mesmice de uma vida medíocre que insiste em se repetir e a fragilidade da vida diante da morte, assim o exigem. É necessário termos algo em que possamos fincar, mesmo que imaginariamente, suportes para a nossa existência, que nos realimente de esperanças, nos possibilite criar e amar.

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Zé Dirceu, o poder e o infantilismo da esquerda.

out 24, 2005 by

*João Rego.

Recife, 24 de outubro de 2005.

 

Quem viveu os anos sessenta, não pode deixar de reconhecer a importância da heroica figura de José Dirceu. Líder estudantil em São Paulo inspirava a todos a saírem às ruas de peito aberto contra o regime autoritário que acabara de envolver o país com sua sinistra cortina de autoritarismo e repressão.

Era um tempo de utopias e heróis.

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O Referendo do desarmamento: a quem interessa?

out 15, 2005 by

Crises, mídia, Delúbios e Delcídios. O Referendo do desarmamento: a quem interessa?

João Rego.

Recife, 15 de outubro de 2005.

 

Já não é nenhuma novidade a posição de impotência que nos cabe, como cidadão, na luta injusta contra as forças do Estado que nos determina o destino, nos limita a forma como vivemos, trabalhamos, desejamos e morremos.

É o preço que se paga para garantir a vida em sociedade.

E assim, entre um Jornal Nacional e outro, entre uma novela e outra, a gente vai tocando a vida. Cada um carregando o fardo cotidiano que lhe cabe.

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Democracia, crise e estabilidade política.

jun 29, 2005 by

*João Rego.

Recife, 29 de junho de 2005.

 

É freqüente, todas as vezes que o país está enfrentando uma crise política, o discurso de que estamos mesmo é precisando de um “regime mais forte”, numa alusão nostálgica ao período do regime autoritário de 1964. A consolidação estrutural de uma democracia demanda um enorme esforço, muita paciência e arte, de todos: intelectuais, políticos, empresários, trabalhadores, artistas e do cidadão comum.

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A Dessacralização do PT

jun 23, 2005 by

*João Rego.

Recife, 2 de junho de 2005.
Artigo publicado no Jornal do Commercio em 23 de junho de 2005.

 

É bastante conhecida, para quem estuda partidos políticos e sistemas partidários, a tendência ao deslocamento ideológico da esquerda para o centro, dos partidos progressistas, quando assumem o poder. A realidade social, com suas vicissitudes, atua contra os desejos de quem governa. Esta tem o poder de dissolver aquela visão idealizada da política e seus destinos.

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O fim do voto obrigatório no Brasil.

abr 29, 2005 by

*João Rego

Recife, 28 de novembro de 2005.

 

A história da legislação eleitoral no Brasil, é a história dos casuísmos e subterfúgios da elite política contra a efetiva participação da sociedade civil no processo de decisão político da nação.

Essa tem sido a sua natureza.

Só ceder na medida em que a pressão da sociedade civil se tornar insuportável. Durante os regimes autoritários, a regra era mudar para que as forças democráticas tivessem adiadas, ao limite máximo, os espaços para a instauração da democracia. Quem não se lembra dos Senadores Biônicos?

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Eleição e a Formação da Cidadania.

jul 29, 1997 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 29 de julho de 1997

 

Se voltarmos os olhos para os últimos anos do processo político no Brasil, podemos distinguir dois momentos relevantes que fundam nosso momento político atual: o primeiro, o momento da transição para a democracia que foi de 1979 (com a lei de anistia e reativação do multipartidarismo) até 1989 (eleição direta para presidente), e o segundo é o que podemos chamar do momento operativo da democracia, que teve início com as eleições presidenciais de 1989.

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Desmistificando a política.

set 30, 1994 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 30 de Setembro de 1994.

 

Se formos analisar, de maneira cuidadosa e desapaixonada, o quadro político nacional, mais especificamente o período pós-transição democrática (após 1979), conseguiremos destacar, para efeito de uma visão mais abrangente, duas entidades em sua formação estrutural. A primeira é a classe (ou elite) política democrática, que vem sofrendo, dentro da dinâmica consolidadora de um regime democrático, importantes transformações, através da atuação das instituições e da sociedade civil, projetando-a para um futuro qualitativamente superior porque estará cada vez mais subordinada, de fato, ao peso do controle das instituições.

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Os Desafios da Democracia

set 9, 1994 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 9 de Setembro de 1994.

 

Em um regime democrático, as demandas e desafios, tanto para a classe política como para a sociedade civil, exigem bem mais maturidade política que nos regimes autoritários ou nos de transição para a democracia. Diferentemente do autoritarismo, onde se vivia e morria por grandes causas, capazes de incendiar de paixão o imaginário das pessoas, em uma democracia corre-se o risco de se conviver com o mais terrível dos males que pode acometer o ser humano: o tédio, a desesperança e a mesmice, conseqüência da constatação de que podemos ser obrigados a conviver com altos níveis de mediocridade no processo político, as vezes insuportáveis.

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Partido político e dominação no Brasil pós-79.

abr 16, 1994 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 16 de abril de 1994

Aquele que se interessar em estudar o fenômeno partido político, irá encontrar sobre esse objeto uma diversificada gama de definições que variam de acordo com a formação ideológica e com os interesses de quem procurou defini-lo. Desta forma, é possível encontrar desde a visão liberal do partido como instrumento de representação legítima da sociedade civil, até o conceito de partido como principal meio de transformação revolucionária da sociedade.

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Partido político e dominação no Brasil pós-79.

abr 16, 1994 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 16 de abril de 1994

 

Aquele que se interessar em estudar o fenômeno partido político, irá encontrar sobre esse objeto uma diversificada gama de definições que variam de acordo com a formação ideológica e com os interesses de quem procurou defini-lo. Desta forma, é possível encontrar desde a visão liberal do partido como instrumento de representação legítima da sociedade civil, até o conceito de partido como principal meio de transformação revolucionária da sociedade.

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Ciência Política e Democracia no Brasil

mar 16, 1994 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 16 de Março de 1994.

 

A compreensão do processo político de uma sociedade moderna é condição fundamental para o aperfeiçoamento das suas instituições políticas e sociais. Na área da ciência política, quanto maior for a produção científica sobre os componentes estruturadores do processo político em uma sociedade, tais como: partidos políticos, ideologia, sociedade civil, elite política, imprensa e meios de comunicação, dentre outros, mais fortalecida esta se apresentará, possibilitando a manutenção de um ambiente favorável à consolidação de um regime democrático moderno.

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O Falso fim da ideologia.

set 13, 1993 by

*João Rego

Recife, 13 setembro 1993.

Após a queda do muro de Berlim em 1989, marco simbólico do fim da guerra fria e passo inicial para a desagregação da União Soviética em 1991/2, as nações ocidentais assumem historicamente a hegemonia política e ideológica para conduzir os destinos da humanidade neste fim de século e entrada do novo milênio. Foi o fim de uma experiência de 72 anos em busca da construção de um modelo alternativo de sociedade, que tinha como principal objetivo ultrapassar historicamente as graves contradições sociais e econômicas inerentes ao modo de produção capitalista.

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Transição para a Democracia: Riscos e Avanços.

set 12, 1992 by

*João Rego

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 12 de Setembro de 1992

É importante lembrar que a característica principal do retorno à democracia em nosso país foi à negociação pelo alto. Ou seja, o fim do regime autoritário no Brasil foi viabilizado através de uma “transição negociada para a democracia”. Neste processo, as forças que estavam no poder só permitiram sua democratização, quando as condições de retorno estavam absolutamente sob controle, e não existia o risco de que as estruturas sócio-econômicas viessem a sofrer rupturas radicais, ameaçando a perda de certos privilégios, como a questão da propriedade privada, por exemplo.

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Social democracia e mudança política.

mar 3, 1990 by

*João Rêgo

Artigo publicado no Jornal do Commercio em 3 de março de 1990.

 

O profundo processo de restruturação que atravessa de forma irreversível todos os países do Leste Europeu, demonstra, para aqueles que pretendem refletir e atuar de forma engajada sobre o processo histórico do nosso tempo, a urgente necessidade de se acelerar também no plano ideológico e nos meios intelectuais, a construção de uma nova concepção de mundo, que não só assimile a nova dinâmica que a realidade política apresenta, como também, se antecipe e exerça o seu papel crítico com vistas a garantir os avanços e as conquistadas orientadas para o grande objetivo que secularmente vem sendo perseguido pelas correntes políticas mais progressistas: a construção de uma sociedade economicamente rica, politicamente emancipadora e socialmente justa.

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A Construção da Democracia,

jul 29, 1989 by

* João Rego

Recife, terça-feira, 11 de julho de 1989-JORNAL DO COMMERCIO.

 

Para aqueles que viveram os anos difíceis do Regime Militar de 64, é extremamente preocupante o atual discurso que começa a se instalar na classe média esclarecida e na opinião pública em geral: o de que o Brasil não tem tradição partidária. Tentam passar uma opinião de que os políticos, em sua maioria, são volúveis (e são!) criando a impressão de que, com raras exceções, (os partidos ideológicos de esquerda) os partidos políticos estão fadados à ineficácia e a desempenharem um papel muito aquém da sua importante missão em um processo político democrático.

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