A Camille Claudel de Ceronha Pontes.

abr 27, 2014 by

A Camille Claudel de Ceronha Pontes.

* João Rego

Uma luz abre suavemente o cenário. Deitada sobre um monte de barro vermelho começa a surgir a silhueta sensual de um corpo de mulher. É uma jovem e bela mulher, que durante uma hora meia irá nos emocionar representando Camille Claudel, a genial escultora francesa abandonada por Rodin, seu mestre e ex-amante, que após surtos psicóticos é trancafiada em um manicômio onde irá viver seus últimos anos de vida. Foram trinta anos internada, na maior parte do tempo, sedada e amarrada em uma cama.

Ceronha incorpora de forma surpreendente Camille aprisionada em uma relação de amor-ódio por Rodin, realidade que, para ele, já fazia parte de um passado, mas para sua loucura era o seu alimento diário. Sabia-se genial, e de fato era, tanto que alguns historiadores comparam suas obras com a mesma qualidade do seu famoso mestre.

A peça de Ceronha explora com intensidade inusitada o drama e a angústia de uma alma que navega, a cada instante, entre o delírio e a dura realidade em que ela, Camille, vive seus últimos anos de vida. Seus mecanismos de defesa, se é possível identificá-los, era lembrar-se da sua infância em Villeneuve brincando com a argila vermelha em busca de desenterrar ‘diabinhos’ na areia. Em outros momentos delira, vendendo suas obras para um público imaginário onde a atriz nos puxa, de forma hábil e corajosa, para o centro da peça. Somos de fato, parte concreta dos seus delírios e suporte para sua atuação. Comemos com ela, sofremos e nos assustamos com a intensidade do seu sofrimento. É possível ouvir risos nervosos na plateia, certamente reflexo de algum efeito que a atuação desta jovem e talentosa atriz provoca em nosso espírito.

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O Minotauro e o Labirinto da vida.

abr 27, 2014 by

O Minotauro e o Labirinto da vida.

* João Rego

Sou um admirador de obras de arte. Os clássicos, os modernos e os pós-modernos com suas diversas escolas -, se é possível organizar a criação dos artistas ao longo do tempo de forma tão estanque e segmentada -,são inspirações para que contemplando suas obras, nos posicionemos diante da vida.

Vejo na obra de arte uma expressão do inconsciente do autor diante de seus desejos e limites para dar conta da sua inserção na realidade. A arte é assim uma expressão criativa de um indivíduo, a qual realiza sua função (ou causa um efeito no outro) quando é levada ao público.

Assim como a literatura e a ciência, é algo do subjetivo que irrompe para o universal espraiando seus efeitos sobre a humanidade.

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Spok e as raízes pernambucanas da música instrumental.

abr 27, 2014 by

Spok e as raízes pernambucanas da música instrumental.

*João Rego

Na Casa de Seu Jorge assisti, no ano passado (maio de 2012), um show de raríssima qualidade. Spok com seu grupo de artistas, Renato Bandeira na guitarra e viola de 12 cordas, entre outros. Durante três horas, no espaço intimista da Casa, nos deslumbraram com o virtuosismo do grupo.

Spok é tão bom com as palavras e sua paixão pelo frevo quanto é com seu sax. Ao longo do show foi cativando a todos, dando uma aula sobre o frevo, seus principais compositores, suas raízes e seu papel fundante na alma pernambucana. Com suas palavras e sua música, aos poucos foi transformando a Casa de Seu Jorge na Bluenote do Frevo. Não estávamos em Nova Iorque, nem ouvindo Jazz no BlueNote. Estávamos no Recife ouvindo o frevo de Spok, mas a atmosfera e o prazer eram absolutamente os mesmos.

Aí começaram a surgir das mesas Cláudio com seu pandeiro de lascar, Luciano Magno, guitarrista consagrado e outros. Transportei-me para uma Jam Session que presenciei no famoso Bud Guy Legend  em Chicago. Era então uma segunda feira e os monstros sagrados estavam todos por lá se revezando, tudo misturado, professor de música da Chicago University com um gaitista de rua, tudo harmonizado pela música que os unia.

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Drácula de Bram Stoker – o desejo, o sujeito e a falta.

abr 26, 2014 by

Drácula de Bram Stoker – Uma interpretação sobre o desejo e a falta do sujeito.

 João Rego, 12 de abril de 2014.

 

A interpretação que trago aqui sobre a obra Drácula, de Bram Stoker, de maio de 1897, é baseada na abordagem psicanalítica sobre o homem e sua relação com mundo. Trata-se do universo construído por Freud que teve início com o estudo da histeria, no qual ele descobre a instância do inconsciente, um dos pilares da descoberta da psicanálise sobre o homem. A estrutura psíquica do homem tem seu leit motiv no desejo. Não o desejo explícito, do qual temos consciência em nosso dia-a-dia, mas sim o desejo inconsciente, ao qual somos alienados e que molda as nossas vidas, determinando o nosso caminhar pelo mundo.

O sujeito humano é constituído pelos desejos que as figuras parentais sobre ele depositam.

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Lisboa 2007 – O Músico no Mundo

maio 30, 2007 by

João Rego, 2007

Algumas pessoas quando viajam tentam reter suas melhores lembranças registrando com suas câmeras digitais os passeios; os museus; as ruas, praias, bares, etc… Enfim, tudo que de bom lhe marcou aquele lugar.

Eu também faço tudo isso, só que existe um evento que pelo seu poderoso efeito em mexer com as minhas emoções, se destaca de todos os outros: a música.

Com sua universalidade, a música é uma forma de linguagem que ultrapassa todas as barreiras culturais, territoriais e políticas nos perpassando através dos nossos sentidos, deixando um efeito, muitas vezes arrebatador na alma.

Uma obra de arte também tem este poder de lhe revolver os sentimentos, mas é através do olhar que ela faz este efeito na gente.

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