Zé Valentão.

ago 2, 2014 by

João Rego.

 

Zé Valentão era baixinho e musculoso. Moreno, trazia a coragem, a honra e a fortaleza do homem do sertão. Quando chegou na Vazante, nossa fazenda próxima a Caruaru, eu tinha uns nove anos. Chegou com mulher e dois filhos pequenos, também baixinhos e surpreendentemente musculosos para sua idade. Foi contratado para ser o capataz da fazenda, ou seja, o principal gestor das atividades ligadas a produção da Vazante.

Uma das coisas valiosas que meu pai me legou foi desprezar as barreiras sociais e conviver com todos de igual para igual, no que pesassem as diferenças de riqueza e tradição da família. E era assim que me sentia, um igual, juntos aos filhos dele e, como seus filhos, um ávido e obediente aprendiz no fazer das coisas da fazenda, desde ações simples como cortar palma na cocheira até as mais complexas como cavalgar pelo meio das caatingas, com um cavalo resfolegando desenfreado perseguindo uma rês.

Impressionava-me a habilidade e a firmeza de Zé Valentão no domínio de um cavalo chucro. Havia um campolino arisco que ele montava sem sela e tinha um jeito de pegar na crina do bicho que o fazia empinar com as duas patas dianteira no ar. Isto eu pensava que só o cavalo branco de Zorro fazia, no seriado da televisão. Conhecia e passava para mim todo seu saber sobre árvores e plantas diversas: o juá, o cipó, o marmeleiro, etc. É necessário ser do mato para compreender e valorizar a riqueza destes conhecimentos, seus diversos detalhes, passados de geração para geração, ao longo do tempo. O amolar de uma peixeira; escolher o pedaço certo da madeira para fazer um bom cipó; o banho do cavalo na beira do rio, como encilhá-lo e tratá-lo. Ele tinha um carinhoso hábito de conversar com os animais, acalmando-os nas horas de tensão, como o momento de marcá-los com o ferro quente. Foi dele que, pela primeira vez, ouvi as estórias de Cumadre Fulôzinha e outros mitos atávicos do sertão. Muitas vezes, de manhã, na hora do leite no pé da vaca, ficávamos espantados em ver as crinas dos cavalos todas trançadas como se Cumadre Fulôzinha tivesse passado a noite por lá.

Tudo isto Zé Valentão me passava como um mestre a um discípulo. Lembro da gente caminhado pela Queimada do Milho, este era o nome dado a uma das áreas internas de uma mesma fazenda, possivelmente uma fazenda que meu avô comprara e integrara a Vazante.Ele cortando as plantas, me mostrando e pedindo para fazer o mesmo, cheirando, mastigando as folhas, observando e classificando na mente como se daquele gesto dependesse sua relação com a natureza. Neste dia, acho que ele estava feliz pois me apresentou a dança do coco cantando e dançando com as alpercatas levantando poeira e emulando uma roda de coco.

Uma vez, ele tinha que trazer uma boiada de outra fazenda. Houve um pacto entre ele e papai e eu fui junto com ele e mais três vaqueiros. Montado em meu cavalo, Passageiro, contra a vontade e a apreensão de mamãe, partimos bem cedo para nosso destino.

O trabalho levaria quase um dia de cavalgada, contando com o recolhimento das reses espalhadas pelos cercados. Este dia foi para mim um rito de passagem: deixava de ser criança e começava a assumir responsabilidades de gente grande. Foi na volta, tangendo o gado pela estrada, que ouvi o aboio, um belo e triste som, cantado por ele, ao ritmo das passadas do boi. Não tem palavras, apenas um som, um lamento que ecoa pela mata, uma elegia sobre a relação homem-animal, como se naquele momento o vaqueiro fundisse seu destino com o do boi, sabendo que agora era a vez do boi ir para o matadouro; mais tarde, o destino e a vida, esta sempre finita, determinariam o fim dele, o vaqueiro.

Chegamos à noite, encharcados pela chuva que nos pegara no meio do caminho. Eu, cansado e orgulhoso de ter cumprido bem minha primeira missão – me vem agora à mente o cheiro do suor do cavalo – desço e encontro minha mãe aos prantos, chorando de ansiedade e alívio por ter corrido tudo bem. O pai orgulhoso, calado, observava a cena, convencido que havia tomado a decisão correta no momento certo da minha vida.

Este cenário se dissolveria, como que por encanto, marcado pela morte de meu pai pouco tempo depois. Viemos para o Recife e sempre evitei, já adulto, deparar-me com este passado e estes personagens. Soube depois que Zé Valentão fora morar em um bairro da periferia de Caruaru e, longe do seu habitat, se afundara na cachaça e na depressão. Sua fortaleza fora enfim minada pelo “progresso” da cidade.

Julho, 2014

***

 

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João Rego
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A Vazante – fragmentos 1.

jul 26, 2014 by

João Rego.

Acordo no meio da noite e, desobedecendo a orientação da minha nutricionista, preparo um copo de leite com Nescau. Começo a sorvê-lo lenta e deliciosamente com um prazer infantil de quem faz uma trela…. às memórias vêm aos borbotões, como se o inconsciente estivesse de ressaca, vomitando em golfadas os afetos e lembranças recalcados da infância.

Alguém grita:

— Primeiro!!

Outro,

— Segundo!

Mais um,

— Eu já disse segundo antes de você.

— Mas ninguém ouviu, prove!

Estávamos em um dos quartos da Casa da Fazenda Vazante, a mais próxima de Caruaru, onde toda a família, juntos com primos e amigos passavam a invernada das férias de julho. A gritaria, neste quarto amplo e cheio de camas e beliches, ocorria todos os dias às cinco horas da manhã. O motivo?Ser o primeiro na fila do leite das vacas ordenhadas por José Valentão que, às 4:30 já estava na labuta separando os bezerros das vacas.

Nossas mães preparavam os copos com porções de Toddy e saíamos em fila indiana, alguns vestidos ainda de pijama de flanela, em direção a vacaria: Mimosa, Pretinha, Malhada e muitas outras, Zé Valentão as chamava pelos nomes e elas o obedeciam numa cumplicidade mágica para mim. O clima frio, o marmeleiro ainda com o orvalho cobrindo suas folhas, as cocheiras e os currais cheios de gado, o leite ainda quente, que devido aos jatos das tetas manuseadas com maestria por Zé valentão, vinha espumando — nem precisava mexer com a colher— era bebido com a mesma avidez com que bebíamos a vida na infância.

O indefectível e maravilhoso cheiro de bosta de boi coroava o cenário.

O dia estava apenas começando, onde as aventuras trançavam o tempo em momentos de excitação e prazer como a caça ao preá. O cachorro que pertencia a um dos moradores era rápido e certeiro e, por engenhosidade de alguém, deram-lhe o nome mais adequado que se poderia imaginar para um cão de caça: Vai. E Vai ia. A gente gritando vai Vai! vai Vai! no meio do capim elefante, correndo com dificuldades para alcançá-lo na beira do Rio Ipojuca. Vai pulava e desaparecia pelo meio daquele emaranhado e quase sempre saia com um preá na boca. Outra forma de caçar o delicioso rato do mato – sim, o comíamos assado no sal e brasa na casa de Seu Ireno, que sempre tinha paciência para nos receber e fazer o fogo com a lenha apanhada no terreiro — era preparar as aratacas, armadilhas rústicas, engenhosamente preparadas por nós. Trançadas com pequenos gravetos, as fazíamos, em formato retangular as tampas; depois saíamos, qual Sherlocks Holmes a investigar milimetricamente uma vasta área do cercado até identificar o caminho que as pequenas criaturas deixavam no seu vai e vem para se alimentar e caçar. Cavávamos um buraco no meio das minúsculas trilhas, era possível identificar os rastros pelas marcas dos pezinhos, e deixávamos, à noite, as armadilhas prontas para a captura. Um graveto apoiava a tampa aberta tendo, na outra extremidade, uma base de pedra; os preás, confiantes na segurança das suas trilhas, quando saiam à noite para se alimentarem, quase todos apressadinhos, batiam no pau que suportava a tampa e caiam no buraco, não muito profundo, mas suficiente para, com a tampa presa por cima, aprisioná-los. No outro dia fazíamos a coleta, metendo a mão na cumbuca e, rapidamente, torcendo-lhes o pescoço, para matá-los.

***

O Rio Ipojuca, que no inverno era uma beleza, serpenteando toda a extensão da Vazante, vinha lá das bandas de São Caetano e seguia atravessando toda a cidade. A pescaria tinha sempre um ritual, para muitos, nojento, que era apanhar as minhocas no leeiro de Zé Damião. Havia uma arte em enfiar a minhoca no anzol e, quase sempre, a paciência e o trabalho eram recompensados pelas piabas, traíras e acarás que pescávamos. Se déssemos sorte, podíamos pescar um muçum, espécie de enguia preta que vivias nas margens do rio, que assado no toicinho e servido com farinha, comíamos com sofreguidão, aos punhados.

Zé Damião tinha uma casa no extremo norte dos limites da Vazante e plantava coentro, alface, cebolinho, quiabo e tomate para vender na feira. Passava, com a regularidade de um relógio, montado em sua burrinha, coitada, espremida pelo peso dele que era gordo e careca e tinha um caso, soube depois, com Maria Dadá, minha babá. Pois bem, a jumenta com seu passo pinicado parecia os ponteiros de um relógio, com sua passada constante, levando Zé Damião para cidade de manhã e o trazendo a tardezinha, quase anoitecendo.

É muito viva em mim esta volta, por que era a Hora do Ângelus na Rádio Difusora, declamada em tom lacrimosamente solene por Alziro Zarur. Esta era também a hora do coaxar dos sapos; do cheiro de café feito por Dadá no velho coador de pano, que se espalhava e me alcançava na rede da varanda. Na frente da casa, um único poste de luz amarela e fraca preparava o cenário para a burrinha de Zé Damião passar. E lá vinha a dupla, ele com os pés quase arrastando no chão, a barriga enorme e a burrinha firme e forte sem alterar o ritmo do seu trote. Cumprimentava-nos à moda antiga, tirando o chapéu de palha, e seguia estrada adentro. Nesta estrada, 400 metros depois da Casa da Fazenda, tinha uma cova com uma cruz sinalizando que alguém morrera de morte matada. Todos respeitavam e se benziam quando passavam por lá, principalmente à noite.

Não lembro bem do texto da oração do Ângelus, sei que começava com a Ave Maria, mas sentia uma angústia gratuita de tanta culpa e perdão que se falava. Era como se fosse pecado existir e ser feliz, isto me acompanhou até a vida adulta. Não podia ouvir aquela oração que uma tristeza inexplicável mim invadia.

Lá em cima, a Vazante ficava num vale, passavam os caminhões de carga na pista (era como chamávamos a BR232), fazendo com que o barulho característico de seus motores, ampliados pelo eco do vale, nos envolvesse. Dormíamos embalados ao som destes motores ecoando pelo vale, que vinha bem baixinho das bandas do sertão, ia subindo, subindo, subindo… para depois, baixar, baixar, baixar… e desaparecer rumo a cidade. Após curto intervalo de um silêncio total, outro caminhão pegava o bastão, como se tivessem combinado, e começava tudo de novo.

 ***

Foi lá que aprendi, sozinho, a andar de bicicleta. Pegava a velha bicicleta Hércules de meu pai, subia empurrando ladeira acima, aprumava um dos pedais num degrau da casa de um morador que não lembro o nome, só me lembro que lá comia feijão em punhados com farinha, misturado com coentro, cebolinha e um pouquinho de pimenta. Tudo amassado com a mão e com a mão comíamos. Bem, meu método de aprender a andar de bicicleta era bastante eficaz, porém muito doloroso. A ladeira era um caminho que ia dar na entrada da Casa da Fazenda, dos dois lados as cercas de arame farpado e aveloz faziam um estreito corredor, eu munido de coragem e do desejo enorme de aprender a andar na magrela, impulsionava a bicicleta e me lançava ladeira abaixo. Só tinha duas opções: eu acertava no equilíbrio, e ia direto até a entrada da fazenda; ou me lascava nas cercas de arames farpados e aveloz, me estatelando no chão. Obviamente foram necessárias duas ou três tardes da segunda opção, caindo, levantando e empurrando a bicicleta ladeira acima, repetidas vezes até que, no terceiro dia entrei triunfalmente, todo lanhado, sob o olhar animado dos moradores, no pátio da Vazante.

A vida, mais tarde, me mostraria que as quedas e recomeços não eram privilégio da infância.

 Julho, 2014

***

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João Rego
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Introdução

jul 24, 2014 by

Finis Africae, minha biblioteca.

No romance O Nome da Rosa, de Humberto Eco, há uma sala dentro da enorme biblioteca do convento chamada Finis Africae. É em torno desta sala, guardada por Jorge de Burgos, o velho e conservador bibliotecário, que se desenrola a trama de vários assassinatos. Guilherme de Baskerville, brilhantemente interpretado por Sean Connery no filme homônimo, descobre que todos os que morrem, são os curiosos que tentaram chegar até os livros que estavam guardados nesta sala.

No final, há um feroz embate entre Guilherme de Baskeville e Jorge de Burgos onde o velho revela que lá dentro estava a Segunda Poética de Aristóteles que tratava do humor. Temia ele que este saber fosse uma ameaça a toda igreja, pois dele poder-se-ia – com argumentos bem fundamentados pelo sábio Aristóteles -, inferir que o Cristo também rira, revelando-se sua humanidade, o que jogava por terra toda a sua divindade.

Um conhecimento que ameaça as estruturas vigentes, um saber que revela verdades subjacentes às estruturas de poder. Era disso que Jorge de Burgos tinha medo.

Em homenagem a este brilhante romance e ao seu autor foi que dei o nome a minha biblioteca de Finis Africae.

Talvez, quem sabe, numa tentativa de lembrar o compromisso de um intelectual com seus saberes.

***

Ler é uma viagem intensa e transformadora do espírito humano. Num livro posso me deparar com o complexo pensamento de Hegel; posso me impressionar com o ódio mortal do capitão Ahab contra Moby Dick; posso conhecer a compulsiva demanda de afeto de Drácula em Bram Stoker; em Freud me deparo com a mais completa compreensão da aventura humana; posso compreender, na leitura dos livros religiosos, o grito angustiado da humanidade em busca de um Deus, que nos responde com seu silêncio eterno.(em Carta a Joana, minha neta)

***

É nela — a Finis Africae— onde encontram-se os principais insumos, meus livros, para tudo que está escrito, criado, falado, cantado e registrado neste site. Afinal, quer seja livro digital ou não, é de conhecimento que estamos falando e os livros são os portadores dessa “substância” que nos perpassa produzindo um efeito transformador em nosso espírito.

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João Rego
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Introdução ao Grupo País de Caruaru

jul 8, 2014 by

João Rego. Junho de 2014

Sejam bem vindos ao Grupo País de Caruaru!

É um grupo criado no Facebook e formado por caruaruenses de várias gerações, lá pelos anos 60, que hoje vivem em outras terras e desejam, com certa nostalgia, resgatar estórias, causos e fatos&fotos daquela época.

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A Pedra.

jul 7, 2014 by

João Rego, Julho de 2014.

Quando criança em Caruaru, aos meus sete anos, lembro-me de um personagem muito marcante no cenário da minha vida. Era Chico, um negro jovem, alto e muito forte. Era um dos vaqueiros da Fazenda Trapiá, da família Rego, que ficava logo após São Caetano, cidade vizinha a Caruaru.

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A Casa Grande de Seu João do Rego e Dona Ernestina

jul 1, 2014 by

A Casa Grande de Seu João do Rego e Dona Ernestina – Meus avós paternos.

João Rego, junho de 2014.

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três….
(João e Maria – Chico Buarque)

 

A Casa Grande ficava na Praça Cel. Porto, 90, logo após o fim da Rua13 de Maio, que terminava na 312, minha casa. Esta casa, que nos parecia naturalmente eterna, era o símbolo do sucesso do empreendedor que foi Seu João do Rego, meu avô, como era conhecido. Aos dezesseis anos, vindo das bandas de Águas Belas-, chegou em Caruaru, junto com dois irmãos, com a corda e a cachorra, como se diz, e foi trabalhar de auxiliar de açougueiro lá no Mercado de Carne; isso, antes de 1900. Sair Águas Belas, terra da Tribo Fulni-ô, naquela época, era um ato de extrema coragem, pois era um lugar isolado do resto do mundo.

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Rua 13 de Maio, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

jul 1, 2014 by

RUA 13 DE MAIO, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.
Filhos de Sr. Zeza e Dona Débora.

João Rego, Domingo, 8 de junho de 2014

Lembro de Dona Débora, era uma mulher jovem e bela. Tinha um rosto fino e delicado e estava – nas vezes que ia brincar com Carlinho em sua casa – sempre trabalhando em uma máquina de costura.  A máquina de costura ficava na sala, logo na entrada da casa, seguia-se um corredor que levava aos quartos e chegava-se até a copa e a cozinha. É muito viva na memória, o jogo de futebol de botão em um “campo” que ficava na cozinha. Ficávamos horas jogando, cada um com seu time e seus jogadores polidos com esmero para ter um bom desempenho em campo. Após o jogo, todos os jogadores eram zelosamente guardados em um estojo de flanela com várias casinhas – pequenos bolsos – para cada um deles.

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Os locais de bate-papo de Meu Pai.

jul 1, 2014 by

Rua 13 de maio e arredores – Os locais de bate-papo de Meu Pai.

 João Rego, Recife, 14 de Junho de 2013.

 

Maurílio Rego, Seu Lila, como era mais conhecido, como bom contador de estórias, causos e piadas, tinha o dom e o timing para isso. Juntava sempre amigos ao seu redor, ou então, depois do trabalho ia ao encontro dos mais diversos personagens da Rua 13 de maio e arredores; sapateiros, marceneiros; seleiros e, aos sábados, no Bar de Chaguinhas finalizava a semana.

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Rua 13 de Maio, Caruaru – O Circo Dublin.

jul 1, 2014 by

João Rego, Recife 12 de junho de 2014.

Com a ajuda de César Rego, por telefone lá de Fortaleza.

 

O espaço onde aconteciam os espetáculos era um velho curral, por trás da Casa Grande, (Rua 13 de Maio, 90); o camarim, era uma pequena cocheira em desuso, pois construída por meu avô João do Rego, a Casa Grande era um conjunto de construções composto pela Casa Grande, construção principal; ao seu lado havia uma ladeira, que à esquerda encontrava o Escritório de papai; mais para cima, a Sala de Processamento de Mel de Tio Murilo, grande estudioso da apicultura no Estado; logo depois, do lado direito, havia o portão que nos levava ao pomar, na realidade, era um grande quintal que acompanhava toda a extensão da Rua João José do Rego. Essa rua foi construída por meu avô e fica ao “pé” do Morro Bom Jesus. À esquerda, havia uma construção que servia para armazenar o que era produzido nas fazendas: café, milho, feijão, enfim, um suporte para a logística de seu João do Rego. Dali, certamente, estes grãos eram comercializados. Bem vizinho, ainda subindo a ladeira, havia a oficina, que como toda oficina, tinha o piso sujo de óleo e peças e mais peças de tratores utilizados nas fazendas. Aí, logo depois da oficina era a entrada do Circo Dublin. Um portão alto com a bilheteria ao lado, escrito em letras vermelhas, bi-lhe-te-ria em forma de arco, acompanhando a forma do buraco feito na parede pelos meus primos, os idealizadores do Circo.

Estávamos todos entre 10 e 15 anos.

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O Modelo de Negócio e suas Implicações na Estratégia e na Inovação.

jul 1, 2014 by

João Rego, Recife, fevereiro de 2014

O que sustenta a vantagem competitiva de uma empresa, além da eficiência técnica e operacional e da visão de oportunidades e ameaças do ambiente de negócio, são os seus ativos únicos e difíceis de imitar. Quanto mais intangíveis, constituído por conhecimento e aprendizado, mais estes ativos devem ser protegidos e refinados para potencializarem sua capacidade de gerar valor por longo tempo.

A inovação, em produtos, processos e serviços deve ser uma componente operativa da empresa que, de forma permanente e sistemática, se integre na sua cultura e estratégia, perpassando e moldando sua gestão. Sem isto há o risco de, mesmo tendo atingido um desempenho técnico e operacional satisfatório, ou seja, ter feito o “dever de casa” na gestão da empresa, perder capacidade de gerar vantagem competitiva diante do mercado e da concorrência, declinando seus lucros e resultados.

“A gente foi perdendo o bonde da história, sem abrir novos processos para produzir outros medicamentos e fomos estagnando.” (Empresário da área de Fármacos.)

É essa a principal tensão de uma ação empreendedora: garantir de forma sistemática e permanente a componente inovadora na cultura da empresa. Entretanto, muitos são os desafios e as forças que impelem o gestor para o sentido contrário como o mais comum deles, as excessivas, e às vezes urgente, demandas do nível operacional impedindo que o gestor, ou gestores atuem no nível de decisão estratégico. Outro fator limitador é a falta de conhecimento de ferramentas que induzam a uma práxis inovadora na cultura da empresa.

Inovar quer seja em produto, processo ou serviço demanda tempo e recurso do empresário para algo que ele não vai ter retorno imediato, apenas no futuro e, sem garantias de que não haverá riscos sobre os resultados esperados desta ação.

A principal função de uma consultoria em gestão estratégica da inovação[1] é capacitar a empresa cliente com ferramentas capazes de, se bem operacionalizadas, diminuírem estes riscos e, o mais importante, inserir na cultura da empresa esta prática de forma sistemática e permanente.

Ferramentas com o GGI Grupo de Gestão da Inovação[2], unidade constituída por membros da gestão intermediária da empresa, para pensarem, avaliarem e identificarem projetos inovadores para a decisão da alta direção, é a base de uma infraestrutura organizacional por meio da qual se construirá a primeira instância inovadora da empresa. A função do GGI é espraiar, ao longo das suas atividades dentro da empresa, a nova cultura da gestão estratégica da inovação. Tendo como principal instância operativa sua Rede de Observadores[3] o GGI atua no sentido de varrer sistematicamente as oportunidades e ameaças do ambiente, assim como os problemas internos e recursos latentes dentro da empresa que possam ser orquestrados e transformados em projetos inovadores.

INOVAÇÃO E MODELO DE NEGÓCIO

O Termo Modelo de Negócio tem se incorporado no dia-a-dia da linguagem empresarial e do cidadão comum quase como um clichê, sendo utilizado sem muita preocupação se está sendo bem adequado ou não ao contexto que pretende explicar.

Na academia embora este tenha sido um tema pouco investigado, alguns teóricos da inovação[4] bem como da Administração Estratégica[5] resgatam este conceito por considerá-lo essencial na formulação e implementação das estratégias inovadoras da empresa.

O Modelo de Negócio está imbricado com o design e a qualidade do produto, os quais definirão a maneira como a empresa vai entregar valor aos clientes, seduzi-los a pagar por este valor e converter este pagamento em lucro. Estes refletem a hipótese do empreendedor sobre os desejos e necessidades do cliente e de como a empresa vai atendê-los da melhor forma.

A seguir descrevemos alguns aspectos importantes que o modelo de negócio deve envolver/responder (CHESBROUGH e ROSENBLOOM: 2002)

a.)    Quais as tecnologias e facilidades estão embarcadas no produto ou serviço?

b.)    Como a receita e a estrutura de custo de um negócio deve ser desenhada para, se necessário, ser redesenhada para atender as demandas do mercado?

c.)    Qual a identidade dos segmentos de mercados para serem trabalhado como público-alvo?

d.)    Quais os mecanismos e as maneiras pelo qual o valor será capturado pelo cliente?

Em resumo: o modelo de negócio é um plano para a “arquitetura” financeira e organizacional de um negócio.

Em outras palavras, este modelo deve construir premissas sobre o comportamento da receita e da estrutura de custos, e como provavelmente os consumidores e concorrentes irão se comportar.

O sucesso exige que o modelo de negócio seja artesanalmente moldado, de forma astuta e precisa ou, de outro modo, as inovações tecnológicas não irão gerar resultados comerciais para as empresas inovadoras. Selecionar, ajustar e/ou aperfeiçoar o modelo de negócio é mais do que ciência, é uma arte complexa. (TEECE: 2009 p.24)

Ou seja, desenhar um novo modelo de negócio exige criatividade, profundas reflexões e capacidade de lidar com um razoável volume de informação sobre o cliente, os concorrentes e fornecedores, além da inteligência sobre o núcleo do negócio.

***

BIBLIOGRAFIA

CHESBROUGH, H e ROSENBLOOM, R.S: 2002 The Role of Business Model in capturing value from innovation: Evidence from Xerox Corporation’s Technology. in  Industrial and Corporate Change. 11 (3): 529-555.

TEECE, J. David: 2009. Dynamics Capabilities & Strategic Management: organizing for innovation and growing. Ed. Oxford.

 

 

[1] Usaremos sempre o Termo Gestão Estratégica da Inovação para nos referirmos a esta ação de intervenção em consultoria com base em estratégia envolvendo a inovação. Estratégia e inovação devem ser pensadas, planejadas e executadas como duas partes que constituem um todo dinâmico e transformador da empresa. Pensar e agir dando ênfase e uma, dissociando da outra pode ser frustrante e ineficaz, se a intenção da empresa é construir vantagem competitiva de longo prazo.

[2] O GGI Grupo da Gestão da Inovação é a instância organizacional do PGI Plano de Gestão da Inovação. Criado desde o primeiro momento da intervenção da consultoria, seus membros são capacitados para espraiarem, através da sua prática, a cultura inovadora na organização voltada ao crescimento. Com a delegação da alta direção, o GGI trabalha com o intuito de identificar potenciais oportunidades e problemas – dentro e fora da empresa – que possam ser transformados em Projetos Inovadores.

[3][3] A Rede de Observadores é uma instância operativa dentro do GGI. Sua função é monitorar, interna e externamente, oportunidades inovadoras que possam ser trabalhadas como objeto do GGI para serem transformadas em Projetos Inovadores. Como o ambiente de negócios está cada vez mais dinâmico – decorrente do fenômeno da globalização e de seu suporte de comunicação, a internet – com um elevado volume de informação disponível, a função da Rede de Observadores é capturar informações relevantes, de forma sistemática, para que estas possam subsidiar e imprimir qualidade e eficácia as suas entregas: os projetos inovadores. Uma vez que as atividades do GGI são operadas em forma de um ciclo, medido pela execução dos projetos, a Rede de Observadores é fonte principal para alimentar, com qualidade, o GGI em suas atividades.

[4] CHESBROUGH, H e ROSENBLOOM, R.S: 2002 The Role of Business Model in capturing value from innovation: Evidence from Xerox Corporation’s Technology. in  Industrial and Corporate Change. 11 (3): 529-555.

[5] TEECE, J. David: 2009. Dynamics Capabilities & Strategic Management: organizing for innovation and growing. Ed. Oxford.

 

* João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
Atua como consultor empresarial com o foco na pesquisa e na práxis da administração estratégica, da inovação e da gestão do conhecimento.

É Diretor da Factta Consultoria, Estratégia e Competitividade.
É Editor da Revista Será? Opinião, crítica, artigos, ensaios e resenhas.
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Reflexões sobre inovação e consultoria empresarial.

jul 1, 2014 by

João Rego. Recife, junho de 2013.

O universo da produção econômica tem uma complexa dinâmica estrutural – assim como as práticas e teorias da administração e da economia desenvolvidas para investigá-lo e operá-lo – que o vem moldando de forma sistemática e abrangente. Esta dinâmica se consolida com o surgimento dos mercados mais organizados durante a Revolução Industrial. De lá para cá, foram muitas as transformações das práticas empresariais, com a extinção e multiplicação de produtos e a ampliação diversificada de novos mercados, nos trazendo, até os dias de hoje, com a sociedade da informação penetrando e transformando as vias capilares da economia, da sociedade e do desejo.

Subjacente a estas transformações, há uma força, ou vetor impulsionador que tem sua raiz mais profunda no desejo e na curiosidade humana. Esta, assim como o desejo, não cessa de atuar nos conduzindo para um futuro que nos pertence mais que pouco sabemos onde vai dar.

Esta força impulsionadora da humanidade é a inovação.

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Reflexões Metodológicas sobre a teoria de APL de Michael Porter.

jul 1, 2014 by

Esboços para uma Teoria de Gestão Estratégica da Inovação em Pernambuco e formulação de estratégias para Sindicatos Empresariais. 

João Rego, Recife Junho de 2013.

  1. INTRODUÇÃO

João Rego[1]

 

Este trabalho se propõe a desenvolver um Plano de Ação voltado à abordagem com líderes empresarias e governamentais dos diversos setores da economia em Pernambuco com vistas à construção de alianças estratégicas que forjem uma base de relações interempresariais favorável a implementação de Plano da Gestão da Inovação PGIS nas empresas-que compõem estes setores.

O primeiro movimento que se propõe, é tentar compreender os diversos setores da economia pernambucana como embriões de APL’s Arranjos Produtivos Locais, ou clusters. Isto, porque esta forma de compreender estes conjuntos de empresas nos possibilita dar um sentido mais amplo às ações de inserção de gestão da inovação nas mesmas, que vão além das unidades empresariais trabalhadas, se espraiando pelo ambiente de negócio, ou seja, por toda sua cadeia produtiva.

A meta é atingir as empresas individualmente, entretanto, com a abordagem de APL estas ações ultrapassarão as empresas, se desdobrando no aumento da competitividade do setor como um todo.

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Designer Gráfico

jul 1, 2014 by

João Rego, junho de 2014.

O designer gráfico se impôs as minhas atividades quando em 1999 criei o site da instituição de psicanálise, O Traço Freudiano, e com ele ganhei o prêmio de melhor site psi da América latina, por uma instituição argentina que vasculhava a internet para dar este prêmio. Daí, foi um passo para dar início da carreira de designer gráfico, começando com a criação de sites para ONGs, como uma forma de criar um portfólio básico. Foram dois prêmios seguido com o Ibest para o site do Movimento Tortura Nunca Mais de Pernambuco e o da Casa de Passagem.

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Carta para Joana Rego, minha neta.

jul 1, 2014 by

João Rego, Recife, 24 de outubro de 2011.

Quando você veio ao mundo nos encheu de apreensão, pois no quinto mês da gravidez de sua mãe os médicos identificaram que você tinha uma má formação na coluna.

Eles chamam isso mielomeningocele, ou espinha bífida. Com esta má formação você vai ter que enfrentar mais desafios que as outras crianças, diante da vida.

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Finis Africae, minha biblioteca.  

jul 1, 2014 by

 João Rego, junho de 2014.

No romance O Nome da Rosa, de Humberto Eco, há uma sala dentro da enorme biblioteca do convento chamada Finis Africae. É em torno desta sala, guardada por Jorge de Burgos, o velho e conservador bibliotecário, que se desenrola a trama de vários assassinatos. Guilherme de Baskerville, brilhantemente interpretado por Sean Connery no filme homônimo, descobre que todos os que morrem, são os curiosos que tentaram chegar até os livros que estavam guardados nesta sala.

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Introdução Módulo Crônicas

jun 30, 2014 by

João Rego, junho de 2014

Aqui serão publicados textos, — na maioria das vezes, em forma de crônica, ou mini crônicas —, sobre momentos do que por mim foi vivido, num esforço mesmo que inalcançável, de “pegar a vida pelo rabo[1]”, registrando fragmentos da minha existência tentando perenizá-la através da escrita que—, segundo Gramsci, com sua visão materialista—, é a única forma possível de imortalidade.

É escrita para tentar dar conta dos desejos, angústias e sintomas, – mesmo que a posteriori—, que forjam nossa existência e dos quais somos alienados.

Tentei dar um ordenamento mínimo para facilitar minha escrita e também situar o leitor, assim, as crônicas são organizadas em três categorias:

a.)Infância – estas publicadas no Grupo País de Caruaru, criando por mim no Facebook;

b.)Perdas – registros, em forma de luto, das perdas que impactaram minha vida de forma profunda e

c.)Impressões de um Viajante – textos “livres, leves e soltos” das minhas viagens, quase sempre acompanhado da mulher que amo.

 

[1] Aqui uma referência ao O Desejo Pego Pelo Rabo, peça teatral de  Pablo Picasso (Le Désir Attrapé par le Queue, 1941)

 

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O Que Cantei

jun 30, 2014 by

João Rego, janeiro de 2010.

Minha relação com a música vem desde os meus primeiros anos quando a minha mãe, aprendendo a tocar violão, tocava e cantava para mim e meus irmãos. Ela, depois de várias aulas, desistiu de tocar, deixando para mim, como herança, seu violão e o gosto pela música. Lá pelos meus oito ou nove anos dava início a uma relação com este instrumento, não sabia eu, perduraria por toda a minha vida, passando mais tarde para meus filhos, que dos três, apenas o mais velho, Maurílio, seguiu tocando.

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Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos.

jun 30, 2014 by

O valor do resgate do nosso passado

João Rego
Recife, 9 de abril de 2011.

Diante da inevitabilidade da morte, enigma que nos situa angustiado frente a vida, o registro do passado nos conforta como uma linha de continuidade da qual fazemos parte. Esta linha nos é passada oralmente, através das histórias que nossos pais, avós e parentes mais velhos nos contam na infância. São palavras que transformadas em significantes nos moldam como sujeito humano. Fundam nossos trilhos desejantes, com os quais iremos caminhar pelo mundo; amando, sofrendo, desejando e aprendendo como é próprio do ser humano.

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Introdução ao Módulo Psicanálise

jun 30, 2014 by

João Rego, junho de 2014

Creio que o retorno aos textos freudianos, que foram objeto de meus ensinamentos nos últimos dois anos, deu-me a certeza cada vez maior de que não há apreensão mais ampla da realidade humana do que aquela que é feita pela experiência freudiana.
LACAN, Jacques in Le symbolique, l’imaginaire et le réel – Bulletin de l’Association freudienne, No. 1, nov, 1982.

 

Sobre os Artigos

A psicanálise se impôs à minha vida como uma ajuda possível ao meu espirito quebrado, diante de tantas desconstruções de ideologias, — assim como da práxis política —, e certezas que havia “religiosamente” acreditado e vivido. Nada agora tinha mais validade, uma realidade histórica que, antes sólida, naquele momento, se desmanchava no ar, parafraseando Karl Marx.

Isso foi no período do fim da experiência “comunista” na União Soviética simbolizado em 1989 com a queda do Muro de Berlim.

Após ter perdido o pai biológico, aos treze anos, agora perdia os pais míticos, ou seja, ídolos e ideologias políticas que me sustentaram durante parte importante da minha vida. Estava eu com trinta e três anos quando, destroçado, demandei análise.

Foi na instituição Traço Freudiano, Veredas Lacanianas e, principalmente através da análise pessoal, que fiz minha formação psicanalítica. A prática clínica, veio como decorrência natural da apresentação de trabalhos em Seminários e encontros, possibilitando demandas de analisantes. Durante uma rica década, exerci a prática clínica da psicanálise, sempre associada a prática de leitura nas instituições (Um analista isolado é uma espécie de autista – José Zuberman). Foi um tempo de reconstrução e fortalecimento do meu universo afetivo; da ampliação da minha visão de mundo sobre o sujeito e a sociedade; assim como a compreensão da cultura como “um resto” deste conflito estruturante entre estas duas vertentes que move nossa humanidade: pulsão e civilização, sujeito e sociedade, ou se preferirem, Eros e Thanatos.

São textos, em sua grande maioria, datados—, ou seja, para lê-los é preciso o leitor se situar no momento em que foi escrito—, mas nem por isso os descarto sabendo da sua importância para construção da minha formação intelectual.

Sobre Registros de uma Análise.

Linguagem, memória e inconsciente.

A linguagem é o meio que nos constitui. Não há nada que exista no mundo que não seja por ela nomeado. Se não é nomeado, não tem nome, é por que não existe, ou existe mas não foi ainda descoberto pelos homens. Nosso nome, escolhido pelos pais ou parentes; as palavras da mãe, quando ainda estamos em seu útero; nosso idioma, carregado de história e cultura; são expressões da linguagem que vão preparando os trilhamentos da nossa existência, desde a vida pré-uterina – sim, quando ainda éramos puro desejos dos pais — até muito depois da nossa morte, quando seremos apenas lembranças, em fotos, vídeos e fragmentos nas memórias daqueles que amamos, odiamos, ou simplesmente aqueles que, ao longo desse caminhar da nossa existência conhecemos.

Não há sequer pensamento sem linguagem. Um sintoma psíquico é um afeto, algo ainda em estado bruto, se debatendo em nosso mar de angústia interior, demandando uma fala, uma escrita, para ser nomeado, libertando-se (e nos libertando) das primitivas amarras do inconsciente.

O inconsciente não dá, senão traços. ( J.Lacan)

Resgatar, através da escrita, reminiscências da infância, é uma forma de lidar com um passado que, no mundo real – onde o tempo é o senhor de todas as coisas, pois a ele nada resiste —já acabou. Buscamos dar sentido a afetos vivido e guardados em nosso espírito, quando não tínhamos ainda o acesso as palavras para expressá-los. Eles, estruturados como uma linguagem, estão latentes e, para sempre, fazendo efeito em nossa formação como sujeito.

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Introdução ao Módulo Ciência Política

jun 30, 2014 by

João Rego, junho de 2014.

Quando deixei a área da gestão pública para fazer o mestrado e ciência política, em 1989, o mundo enfrentava o fim de uma era com a Queda do Muro de Berlim. Foi o fim da experiência fracassada do comunismo, iniciada em 1917 na Rússia e o começo da era da democracia como um valor universal. Nessa atmosfera dediquei quatro anos de estudos sobre teoria política clássica e contemporânea; sobre métodos de pesquisa social e comportamento eleitoral. Estávamos no meio para o fim da transição de uma ditadura para a democracia. Partidos políticos e sistemas partidários eram os temas de maior relevância na agenda da pesquisa em ciência política no Brasil, pois tratava-se de compreender o trilhamento institucional que possibilitaria o trem da democracia partir rumo ao futuro, que até hoje, 25 anos depois, nunca descarrilou. Minha tese foi sobre a formação do Sistema Partidário Brasileiro durante o período de 1982 a 1990.

Este módulo é uma espécie de acervo de meus escritos durante parte da militância partidária e da realização do Mestrado em Ciência Política na UFPE. Período entre 1982 e 1993, quando terminei minha tese sobre a formação do Sistema Partidário Brasileiro.

São textos, em sua grande maioria, datados—, ou seja, para lê-los é preciso o leitor se situar no momento em que foi escrito—, mas nem por isso os descarto, sabendo da sua importância para construção da minha formação intelectual.

Estão ordenados, para facilidade de leitura entre:

a.) Artigos para jornais;

b.)Ensaios;

c.)Tese de Mestrado

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Europa 2007 – O final.

jun 27, 2014 by

João Rego, 2007.

De manhã já no aeroporto estava moído de cansado. Ficamos perambulando por ali esperando as lanchonetes abrirem para tomar nosso café, que foi croissant com café com leite.

Pegamos o voo que parava em Lisboa para troca de avião. Deu tudo certo nos horários e nas alfândegas.

Já no voo Lisboa –Recife nos encontramos com vários conhecidos: Cadoca e Beré que estavam voltando de um casamento de amigos na Ilha da Madeira, Padre Edvaldo, pároco de Casa Forte que vinha com um séquito de seguidoras que foram à Fátima.

Um destaque fica para a grossura das aeromoças da TAP. É incrível como são grossas. Estava cochilando com o pé um pouco fora do corredor quando duas delas carregando o carrinho que serviria o café empurraram prá valer o carrinho em cima do meu pé. Retirei o pé assustado, pois dormia e não ouvi um pedido de desculpas, nada, apenas aceleraram ainda a mais a velocidade do carrinho. Ou seja, elas fizeram uso do carrinho para me acordar e para que eu encolhesse o pé. Fiquei muito irritado, mas estava cansado demais para fazer um escândalo e não queria, nem sou do tipo que faz cena em lugares públicos.

Utilizei o tempo restante dentro do avião para planejar os meus projetos pessoais que incluam a empresa e a psicanálise.

O grupo, entusiasmado com a excelente viajem realizada já começou a planejar a próxima. O destino será a Itália. Vinte e dois dias percorrendo de carro a Itália. Mas isso será em 2009, tempo necessário – se as condições de temperatura e pressão se mantiverem estáveis – para nos organizamos financeiramente.

No fim fica aquele gostinho saboroso na alma, de que curtimos, sem nenhum incidente mais grave, apenas a costela quebrada de Norma em Barcelona. Uma bela viajem, planejada e desejada por Elba, pelo menos um ano antes.

Era o nosso grande desejo de casados, fazer essa viagem, mas sem a “cutucada” de Elba, o sonho seria sempre adiado.

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Voiron – A despedida

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron, 2007

E foi o que aconteceu. No outro dia já notamos Tatiana emburrada e triste com a partida das tias e tios. Para Carlota iria dar trabalho explicar que provavelmente, demoraríamos a nos encontrar de novo.

Carlota nos guiou até a saída da cidade, mas antes paramos em uma loja de esporte enorme, para as compras finais. Estava atrás de um par de patins para Vinicius, meu neto.

No final encontrei, por 100 euros, um tênis para mim, o que não encontrei em nenhuma loja de Paris, pois o número do meu pé é 46, aqui é 50.

Na despedia, quando estávamos caminhando para o carro, Carlota já começou a chorar bem baixinho. Elba, Fabiana e Norma também foram acompanhando Carlota, como uma onda de tristeza que as inundava.

Eu e Antônio Carlos nos emocionamos também, mas um pouco mais reservados.

Afinal, depois de vários dias em Lisboa, outros em Barcelona e mais 9 dias em Paris, tudo muito bonito, tudo perfeito, viagem para turista nenhum botar defeito, foi em Voiron que experimentamos algo valioso e diferente.

Além das belezas estonteantes das Chartreuse, o que recebemos foi uma enorme, densa e acolhedora onda de carinho por parte de Cezar, Carlota e seus filhos. Sem contar com a simpática família de Miguel e Cláudia.

O sentimento de saudade, emoção misturada com a alegria por ter vindo, nos calou durante vários quilômetros.

Dava para ouvir o soluço de Norma atrás de mim.

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O passeio para as Chartreuse- A Capela de Arkabas em Saint Hughes

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron, 2007

Após a descida, um rápido lanche dentro do carro e partida para uma cidade vizinha, Saint Hughes, onde tem uma famosa capela ilustrada, em seu interior, por um artista plástico Arkabas. A cidade é uma pequena vila no meio das montanhas e o clima é de paraíso. Parece um cenário montado por algum estúdio de cinema.

Subimos, com Cezar nos guiando, para uma pequena colina onde é possível ver toda a vila. São no máximo sessenta casas, serpenteadas pela estrada asfaltada que nos leva para outros locais mais ermos ainda.

Um local perfeito para a contemplação, as pessoas vão para lá e ficam ali “bestando”, caladas diante daquele cenário.

Após algumas fotos, descemos e partimos para uma estação de esqui. O objetivo era encontrar alguma neve.

Queríamos ver neve, apesar de estarmos na primavera. Cezar nos levou até uma estação de esqui mais adiante. Bem, não era neeeeve, mas para turista nordestino foi o suficiente para brincarmos e tirarmos algumas fotos.

Já era o final do dia quando regressamos pelas estradas sinuosas das Chartreuse, estávamos felizes, cansados e extasiados com tudo que tínhamos visto naquele dia.

Á noite eu havia prometido fazer uma massa para o grupo todo, macarrão a carbonara, bem “diet”. Eu sou um aprendiz de cozinheiro, e não me sinto confiante para fazer comida para mais de quatro pessoas, mas no final, parece que tudo deu certo, eu não sei se pela fome e o cansaço do grupo, mas não sobrou um fio de macarrão para contar a estória.

Amanhã seria nosso último dia em Voiron e já prevíamos choros e emoções na despedida, pois bem sei como essas coisas funcionam para quem vive distante, no exterior. Quando chega alguém você rapidamente enraíza seus afetos com o grupo visitante, vive com bastante intensidade aqueles momentos, para também, de forma abrupta, desenraizar-se das relações afetivas.

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O passeio para as Chartreuse – O monastério

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron 2007.

Vencemos a preguiça que se instala em nosso corpo depois de um lanche com cerveja em lugar como esse. Eu estava cochilando embaixo de uma árvore, as crianças brincando e o resto do grupo conversando animadamente. Fabiana, que estava no “estaleiro”, descansava.

O próximo local era o monastério das Chartreuse, motivo principal do nosso passeio.

A subida de carro é íngreme, mas é tudo envolto de uma beleza natural extasiante. Leva-se quase uma hora subindo e subindo. Noto que no meio do caminho havia muito carros estacionados, descubro depois que é do pessoal que vai fazer o tracking montanha a cima e floreta a dentro. É muito fôlego, pois de carro, só vendo a subida, você já cansa, imagine a pé por dentro da floresta.

Lá em cima há um estacionamento, tudo muito organizado. Para chegar até o monastério deve-se caminhar uns 800 metros subindo ladeira. È uma boa subida, mas se vai devagarinho, passo a passo, não cansa, e, para onde você vira o olhar, encontra um detalhe, uma vista bonita.

As meninas subiam correndo ao lado da trilha, pelo mato. Cada uma com uma vara na mão e muita folia, até que… ouve-se um choro, era Tatiana que havia raspado a perna na urtiga. Para-se para tratar dela e o grupo continua a subida.

De repente a gente já começa a avistar o monastério, algo grandioso, com seus tetos de ardósia cinza. Está ali há nove séculos, é incrível não é? Não pude evitar de lembrar do filme O Nome da Rosa, com Sean Conney e Cristian Slater.

Os monges ficam anos enclausurados no monastério, não se deixam ver nem conversar. No alto havia um grupo de monges tomando sol e orando, consegui algumas fotos com a minha câmera.

No meio do caminho uma defecção do grupo. Norma cansou e decidiu nos esperar no meio da subida.

Uma vez lá em cima, podemos ver toda a grandiosidade do monastério.

Confiram no site deles

http://www.chartreux.org

É de tirar o fôlego de tão bonito. Fica isolado no meio do nada, cercado pelas montanhas com seus picos cobertos de neve.

Ficamos ali tirando fotos e apreciando a beleza da vista. Num lugar daquele é fácil se converter a monge contemplativo, pois o silêncio e a natureza o convidam à reflexão.

O que me chamou a atenção era que na volta, saiam de dentro da floresta os trackers, jovens, idosos, com as faces vermelhas pelo esforço da subida mas, com um ar de satisfação de um desafio vencido.

Um casal já chegando aos setenta sai com seus stick de esqui na mão, lépido e fagueiro, caminhando rápido, nos passaram como se estivessem saindo de casa naquela hora.

Que saúde da gota!

Carlota conta que nessa região a cultura do alpinismo e montanhismo são muito fortes, nas escolas as crianças têm aula – obrigatória – de montanhismo.

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O passeio para as Chartreuse – o picnic em Saint Pierre du Pont

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron 2007

 De madrugada, um incidente, Fabiana passou mal por conta do vinho e da gordura do queijo. Na verdade o termo “passar mal’ é uma forma delicada de dizer que estava “elaborando” a ressaca da noite anterior.

De manhã, ela que tem enxaqueca, estava derrubada. Pensamos em fazer uso do plano de saúde caso ela não melhorasse logo. Mas Carlota, que é enfermeira Ana Nery, decidiu que o melhor era se curar em casa, pois uma vez no hospital a burocracia e o rigor são muito grandes e isso poderia ser um atrapalho para Fabiana, e todo o grupo.

Bem, enquanto isso os preparativos para o passeio continuavam. O plano era pararmos a beira de um regato em uma cidade vizinha, St Pierre du Pont, fazermos o picnic e de lá subirmos para as Montanhas Chartreuse.

A família de Miguel e Cláudia nos acompanhará. Sobre essa bela família, devo destacar a Inês, a mais nova. É uma menina encantadora, que conquistou de imediato Elba e a todos nós, sentando no colo de Elba e mostrando a sua ferida no joelho. Além de muito bonita é espevitada, está sempre fazendo algo para atrair a atenção, o que consegue com muita frequência. O mais gozado é que, apesar de nova, tinha consciência do seu poder. Não se podia apontar a máquina fotográfica para ela, que de imediato fazia poses de modelo.

Sanduíches, saladas, refrigerantes, água, fraldas, comida de bebê e muito desencontro na hora de se organizar para sair, o que é muito natural em um grupo grande. Um é mais rápido que o outro, a mãe briga com um, discute com outro, enfim aquele “caos harmonioso” que faz parte de todo evento desse tipo em uma família.

Enfim, partimos.

Eram três carros atolados de gente.

A estrada que tomamos, por si só já é uma atração turística. É tudo muito bonito! Ao longo do caminho, passamos por pequenas cidades, cada uma mais charmosa que a outra. È isso que imaginava mesmo do interior da França, afinal já tinha visto em filmes.

O local do nosso picnic é a beira de um regato, tudo muito acolhedor. Os meninos se espalharam pelo parque, outros foram andar nas águas friiiiiias de lascar.

Ao seu redor as belas montanhas nos espreitando.

Sol e frio, pães deliciosos e cerveja gelada, família, tudo envolvido pelo belo visual das montanhas. O que se pode querer mais para ser feliz?

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Europa 2007 – Voiron – A Raclete.

jun 27, 2014 by

João Rego

À noite, Carlota preparou uma Raclette, que é aquele tipo de comida feita para um grupo de pessoas passar a noite conversando. Convidaram uma família de portugueses amiga. Essa família era composta por Miguel, Cláudia e os três filhos, Maria, João e Inez.

Foi uma noite muito agradável, Miguel e Cláudia imediatamente se entrosaram com aquele sotaque peculiar – que acho com um ritmo melhor que o nosso português-, enquanto as meninas dançavam na frente da TV tentando acompanhar o vídeo de Xuxa.

É incrível o poder que Xuxa tem. Esse vídeo, segundo Carlota, é visto horas e horas, dias e dias, incansavelmente pelas meninas.

Miguel, um batalhador, nos contou o motivo de deixar Portugal e vir se arriscar no Sul da França. Com a entrada de Portugal na comunidade europeia, a economia de lá sofreu um forte impacto, atingindo os salários. Assim, veio ele para a França, onde o salário mínimo é bem superior ao de lá e o custo de vida um pouco mais alto. Contou, até bastante emocionado, o período de dificuldades que passou até se fixar no seu emprego. Estava desesperado, já pensando em desistir quando um outro português lhe convenceu a insistir. Essa conversa foi na associação de portugueses de Voiron, onde vão jogar damas e assistir aos jogos de futebol pela tv, ouvir fado e chorar de saudades de Portugal.

Hoje ele trabalha como mestre de obras, já tem sua casa, pequena é verdade, mas com conforto, carro e tudo mais. Carlota me contou que eles já estão comprando uma outra casa em uma cidade vizinha.

Bem, essa foi uma das conversas que atravessavam a sala da Raclette. O ritmo das conversas cruzadas era enorme, e tome vinho e raclette. Uma certa hora falei no vinho verde, que apesar de termos passado alguns dias em Lisboa, não havia tido a oportunidade de provar. Miguel de imediato se levantou e me convidou a ir, com ele, até a sua casa para apanhar algumas garrafas. Fomos eu, ele e as meninas. A estrada parecia uma estrada de fazenda, estreita e cheia de curvas. Tudo escuro, muito mato e algumas vacas nos cercados.

Seu carro, uma pick up com carroceria atrás, onde as meninas gritavam a cada curva que fazia. Lembro-me que não parávamos de conversar, eu curioso em saber da experiência de imigrante de Miguel e ele muito atencioso em me contar.

O vinho verde veio se somar ao vinho tinto que Cezar havia tirado da sua adega. Além do vinho, teve um licor secular feito pelos monges do Mosteiro das Chartreuse, que foi nos dado para provar. Bom, porém, como todo licor, doce.

A farra foi até de madrugada e nos despedimos com tudo acertado para no outro dia visitarmos as Chartreuse, que é uma bela cadeia de montanha nos Alpes, e fica entre Voiron e Grenoble. O nome Chartreuse é mais famoso pelo licor feito pelos monges há nove séculos enclausurados no belíssimo monastério incrustado nas montanhas.

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Europa 2007 – A visita a Juninho Pernambucano em Lion.

jun 27, 2014 by

João Rego, Voiron em 21 de abril de 2007 ( Sábado).

Eram apenas três dias que iríamos passar com eles. Portanto tudo tinha que ser bem planejado para extrairmos o máximo daquele convívio.

Cezar e Carlota, fãs de Juninho Pernambucano, verdadeiro herói do futebol na França, sabiam que Norma era muita amiga da mãe dele e aí cobraram a Norma trazer algum presente da mãe dele para irmos entregá-lo e conhecê-lo.

Partiu um grupo na Van, Carlota e Elba ficaram esperando o término da aula das meninas para seguirem. Cezar é engenheiro químico, doutor pela USP, trabalha em pesquisa na Universidade de Grenoble, gente boa, anfitrião de primeira, mas como guia turístico, se enrolou todo. Foi um sufoco para chegar até a casa de Juninho.

Havíamos ligado para Juninho e ele, muito solícito, disse que seria um prazer nos receber, só que tinha um pequeno problema, ele tinha um jogo importantíssimo pelo campeonato nacional e teria que partir das 14:30. Sei que a hospitalidade do pernambucano é muito boa, mas sacrificar um jogo por nós seria querer demais dele. E tome ruas e ladeiras com nome de Generais Franceses. Sobe, desce, dá volta, pergunta e nada. E o tempo passando. César suando frio com o mapa da cidade na mão – acho que pensava que iria perder a grande oportunidade de conhecer seu ídolo -, todos nós calados para não estressá-lo ainda mais. Decidimos parar em uma cabine telefônica para ligar para Juninho e nos rendermos como perdidos em Lyon. Pronto, daí com um telefonema seria barbada. Mas….o telefone estava quebrado! Aí bateu o desespero, pois pelo adiantado da hora iríamos chegar e ele já teria partido.

Para complicar um pouco mais a situação, liga Carlota, que estava no outro carro com Elba e as crianças, também perdida!!!!

Cezar decide entrar em um bar e perguntar, foi daí que veio a dica e finalmente chegamos a casa. A rua realmente não estava no mapa de tão pequena e estreita, mas um lugar muito bonito.

Juninho é realmente um cara simples e extremamente educado, pois havia preparado um grande almoço para todos nós, tudo regido pela batuta da sua cozinheira que era de Recife e sabia o valor da comida natal para quem está distante.

O 2º grupo ficou rodando, perdido, devido a pouca disponibilidade do tempo de Juninho e o avançar da hora, decidimos nos encontrar na catedral Fourvière.

Antônio Carlos e Cezar, que sabem tudo de futebol, não deixavam o Juninho um minuto sem conversar, o que foi muito bom, pois eu estava preocupado em não sermos inconveniente, uma vez que o cara tinha que pegar um avião daqui a pouco. Ele não estava nem aí para o tempo, nos tratou com muito carinho: almoço feito por Graciete, bolo, Juninho pajeando Jojô e João todo encabulado.
Eu como não entendo nada de futebol, pois sou aquele torcedor de copa do mundo, fui para o jardim com Jojô, enquanto todos curtiam a íntima tietagem com Juninho.

O Centro antigo de Lion

Após o agradável encontro com Juninho, fomos encontrar os desgarrados e conhecer a famosa catedral de Lion. È realmente muito bonita e de lá se tem uma bela vista de toda a cidade, que é enorme, acho que é a segunda maior da França.

Descemos e fomos para um centro antigo de Lion, Lion Vieux, ruas da época do renascimento e centenas de pessoas passeando, bebendo e comendo. Para nossa agradável surpresa, naquele dia eles estavam comemorando algo relacionado com o   Renascimento, então havia grupos de atores e cantores espalhados por todo o bairro. Muito bom! Apesar de não entendermos o francês, era muito instigante ver aqueles atores muito a vontade, representando pequenas peças de teatro que, provavelmente, foram escritas há séculos.

Cezar traduziu algumas dos diálogos dos atores e tinham sempre alguma sacanagem, como sentido figurado, de traição, virilidade e sexo, essa coisa é bem antiga mesmo.

O passeio pelas ruas antigas de Lyon, que já é agradável sem nada, tornou-se uma excelente experiência conviver com os lioneses no meio de uma festa de rua.

Lanchamos numa confeitaria divina, comemos a famosa torta de açúcar, e no fim, paramos em um bar escondido no meio daquelas vielas, para tomar uma cerveja.

Acho que prédio do bar tinha uns quinhentos anos. A arquitetura me remeteu para os filmes de Franco Zefirelli, Romeo e Julieta e Irmão Sol, Irmã Lua.

Foi um grande dia!

***

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João Rego
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Europa 2007 – Viagem Paris -Voiron, sul da França.

jun 27, 2014 by

João Rego, sexta- feira, 20 de abril de 2007.

A noite anterior, nossa última em Paris, foi comemorada com um jantar preparado por mim. Salada e lagosta na entrada e massa com camarão. Tudo regado champanhe e vinho comprados no Monoprix.

Fomos de trem até o aeroporto de Orly, onde pegaríamos a Space Ford, uma van já previamente alugada em Recife. A saída de Paris foi pela estação do metrô do Jardim de Luxemburgo. Sempre se despedir de um lugar onde você curtiu é um pouco melancólico, mas tínhamos que seguir para o nosso novo destino, Voiron, no sul da França perto de Grenoble. Lá, passaríamos três dias com Carlota, prima de Elba, e sua família: Cezar, seu marido, e seus três filhos: Tatiana, Luiza e o caçula, Joseph.

Um problema nessas horas é quando você está pegando o metrô e a bagagem é muito pesada, é um verdadeiro sacrifício! Na próxima viagem teremos que ser bem parcimoniosos no que vamos levar. Para Norma era uma dureza carregar aquela enorme mala, escada acima e escada abaixo. A sorte é que eu e Antônio Carlos nos revezávamos para ajudá-la.

A Van, uma Space da Ford, novinha em folha, era o máximo. Antônio Carlos, que fez engenharia mecânica e coleciona carrinhos, estava ungido para ser nosso motorista durante toda a viagem. Minha função era fotografar. O que, mais tarde descobrimos, foi uma ótima decisão, menos pelo fotógrafo e mais pelo motorista.

As mulheres, todas atrás, e uma sensação de alegria muito grande pelo desconhecido da estrada que estávamos prestes a entrar. Viajar pelo interior de um país da Europa sempre foi, para mim, um grande desejo. E era assim que estava me sentindo, feito um menino que estava para ganhar sua primeira bicicleta, super excitado. Mas…

… para que tudo não ficasse apenas nessa monotonia de felicidade e excitação, nos perdemos para pegar a saída de Paris. E aí começou o estresse. Eu apontava para um lado, Norma para outro e era aquela discussão. Tonho, paciente, dirigindo tentando achar a saída. O danado é que, nessas horas, o nervosismo toma conta do grupo e a tendência é uma acusar o outro como culpado pela situação. Ufa! Finalmente a saída e a estrada para Voiron.

A estrada é bonita, mas como é tudo muito plano, pelo menos até chegarmos em Dijon, aos poucos vai se tornado repetitiva e monótona. Havia muitas plantações de umas plantas baixas e amarelas, que depois Cezar nos informou que era Cousa, utilizada para a produção de bio-diesel..

A parada em Dijon

Dijon, famosa pela sua mostarda e gastronomia, estava vazia. Não sei se era um feriado ou algo parecido, mas a cidade estava um deserto. Fomos ao local mais elevado, onde tem uma igreja e uma bela vista do alto, mas nada de extraordinário.

O que tem de pitoresco são algumas casas antigas em ruas estreita, mas só. É provável que por estarmos apenas de passagem, nossa visão esteja um pouco distorcida, mas nada nos impressionou lá.

Na saída paramos para um lanche em um restaurante à beira de um lago. Um ambiente bucólico, com algumas pessoas praticando remo e muita área de lazer.
Na hora do pedido, tinha um tipo de vinho que nos chamou a atenção, outros pediram cerveja. Quando vem o vinho, o bicho vem quente e ruim que só a gota. (uma mistura de vinho, canela, rodelas de laranja e algo mais indefinido), Vinho quente !! Arghhh!

A chegada em Voiron.

A cidade é muito simpática, tem uma igreja no centro e foi onde acertamos com Carlota para nos encontrarmos. Havia uma grande expectativa para esse encontro, pois fazia certo tempo que não nos víamos. Lá vem Carlota, dando gritos e assovios de alegria. Ela estava com Tatiane e Luiza, filhas de Cezar com sua esposa do primeiro casamento, enquanto Cezar em casa arrumava Joseph.

É uma festa de abraços e beijos. Neste momento, me emociono lembrando do seu pai, Carlos Fernando, irmão de Norma, minha sogra, imaginei que se estivesse vivo como não estaria feliz.

Carlota vai à frente, com seu carro, nos guiando até sua casa, que fica em uma elevação nos arredores da cidade. É um lugar belíssimo, cercado de montanhas e com casas espalhadas pelas colinas. A casa de Carlota é grande, com vários níveis e estava toda arrumada, nos esperando.

O bom de visitar parente no exterior é que, de repente, sem muito esforço, você já se sente em casa. E foi o que aconteceu com todo o grupo, jogamos nossas malas no chão e tome a atualizar o papo.

À noite Cezar e Carlota preparam um jantar delicioso com Confit du Carnard (Confit de Pato). Comemos todos com muito vinho e conversa animada. Isso sem cessar de elogiar a paciência dos dois em preparar um prato tão trabalhoso. No final caíram na risada, era um prato enlatado.

Eu e Elba ficamos com o quarto de casal; Tonho e Fabiana com Joseph, o bebê; Norma dormiu no térreo, no sofá; Cezar e Carlota espremeram-se no quarto das meninas.

Chiei a noite toda com a falta de umidade. O clima estava muito seco e sempre tenho dificuldades com isso. Depois Carlota me orientou a utilizar o umidificador que fica no canto do quarto.

***

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João Rego
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Europa 2007 – O primeiro dia em Paris.

jun 27, 2014 by

João Rego, Paris. 11 de abril de 2007

Havíamos pago o aluguel de dois apartamentos com antecedência, através do My Apartment in Paris , uma empresa que nossos colegas de Recife tinham dado a dica. Foi por conta desta referência que pagamos antecipado no cartão os oito dias que iríamos ficar em Paris.

A chegada, arrastando as malas da estação de metrô de Luxemburgo até o apartamento, foi uma surpresa para nós. O apartamento fica ao lado da famosa igreja Saint Sulpicy,- por conta do livro e do filme O Código Da Vinci -, e é um luxo arretado. Portas de madeira alta e trabalhada, TV de plasma com trocentos canais de TV a cabo, uma decoração elegante e ainda mais, uma vizinhança chique da gota, entrando e saindo com carros caros como Jaguar e BMW.

Bem, para quem se lascou em Barcelona no quarto que quando alguém dava descarga lá em baixo, o vapor da merda invadia que tínhamos que sair correndo para o quarto de Tonho, este aqui era o paraíso.

Deixamos as malas e, todos excitados, fomos caminhar para acharmos os lugares estratégicos de comprar de comida, pois o flat tinha cozinha toda equipada, e não tínhamos a intenção de gastar com restaurantes. Achamos há duas quadras o Monoprix, uma rede de supermercado com ótimos preços.

No Boullevard Saint German paramos para “almoçar” um crepe num cara que vendia em uma barraca na rua. Muito bom e quebrou o galho.

Na volta passamos no Monoprix, compramos umas três garrafas de vinho, massa, e molho de tomate com cogumelos.

Eu preparei o jantar e parece que agradou.

Fomos dormir, para no dia seguinte, cumprimos uma agenda de clássica para quem chega a Paris pela primeira vez – esta era a minha segunda vez, mas na primeira tinha vindo sozinho, estudante e liso – visitar o Louvre.

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Europa 2007 – A chegada em Barcelona.

jun 27, 2014 by

Sexta-feira da paixão

João Rego, Barcelona 6 de abril de 2007.

A viagem de Lisboa para Barcelona é muito tranquila. Apenas uma hora de voo. Fomos por uma companhia, a Easy Jet, especializada em tarifas baratas. Como é apenas uma hora você não sente falta de comida. O chato é que fica o pessoal vendendo coisas para você, uma espécie de camelô do ar.

Quem comandava a equipe era um suíço que havia morado no Brasil, durante sua infância e adolescência, ou seja, era quase brasileiro. Ele foi muito simpático e seu português é impecável, tanto que eu tinha certeza que ele era brasileiro.

A queda e o susto

Chegando em Barcelona, o primeiro passo é logo comprar o ticket que nos dá direito a andar durante três dias em tudo quanto é de meio de transporte, sem falar ainda em vários teatros e casa noturnas que dão descontos. Como somos “jovens” e desenrolados, e como também vimos que o Hotel ficava a um passo do local do ônibus que faz o trajeto do aeroporto para o centro de Barcelona, decidimos ir de ônibus.

O problema do táxi, é que como estamos em um grupo de cinco pessoas, temos que alugar dois táxis, aí o custo vai lá pra cima.

Preferimos gastar estes euros em vinho, pães, jamon e queijo.

Quando o ônibus está chegando a Praça da Catalunha, que é praticamente o coração de Barcelona, pois fica de frente da principal Rambla, Norma pisa em falso e cai batendo com a costela na cadeira do outro lado. Fabiana ainda tenta segurá-la mais já tinha havido o impacto.

Recomposta, pois ela é dura na queda, ficou durante alguns dias com dores, mas decidiu não utilizar o seguro saúde. Filha de médico, ela raciocinava friamente: costela quebrada não tem o que fazer, é esperar. Na base do anti-inflamatório, não deixou de nos acompanhar nos percursos diários, a noite às vezes ficava descansando, mas muito raramente perdia a folia do vinho.

O Hotel Plaaaaazzzzzzzzaaaa!

Uma merda se comparado ao de Lisboa, mas era bem perto das Ramblas, depois eu falo sobre elas. No vídeo que filmo os quartos, não deixo de externar minha frustração, pois Lisboa era excepcional, com uma vista belíssima da cidade. Aqui eu teria que me conforma com umas janelas velhas, a dois metros de distância da minha, canos de esgoto e um cheiro que a princípio pensei que fosse do aquecedor, mais depois, quando o hotel foi enchendo de gente, para o meu desespero, era o cheiro de merda mesmo, que subia pelo respiradouro do hotel, onde minha janela teve o azar de dar nele.

A Procissão e Las Ramblas.

Bem, passado o impacto inicial do hotel, fomos todos correndo para Las Ramblas que são as famosas avenidas de Barcelona, belas e largas com uma multidão subindo e descendo e se espalhando pelas ruas vicinais a elas. É gente que só a gota! Bem, não deixa de ser interessante, pois à medida que você vai andando – ela tem 1,5 km- você vai vendo todo o tipo de artista: estátuas, um cara fantasiado de Ronaldinho fazendo embaixadas com uma bola, outro fantasiado de bruxo, que ficava parado e depois dava um grito aterrorizante.

Antes, porém, encontramos uma enorme procissão, com os fiéis vestidos com umas máscaras iguais às usadas pela Klu Klu Klan.

Sobre a procissão publico trecho de um e-mail que enviei a família.

“Chegamos em Barcelona na sexta-feira santa e fomos direto para a La Rambla, nunca vi tanta gente junta em uma rua só. A quinta avenida em Nova Yorque é a metade do fluxo de pessoas daqui, pelo menos em um feriado importante.
Assistimos a uma procissão com uma nossa senhora enorme, cheia de velas, carregada nas costas por alguns fieis. O povo bate palma, se emociona, chora. Tudo é acompanhado por uma banda tocando um tipo de música que lembra um cortejo militar. Depois li no jornal principal daqui, o El Pais, que no interior tem gente que sai batendo nas costas com um chicote, como os iranianos fazem naqueles eventos religiosos.
É incrível como a barbárie aliada à religião sobrevive aqui na Europa.”

Voltando a Las Ramblas.

Havia um cara gozado, deitado no chão dentro de uma caixa com a cabeça escondida na caixa e duas pernas falsas voltadas para cima. O que se via mesmo do corpo dele eram as mãos que ficavam arriadas, até quando alguém colocava uma moeda na lata que ficava a sua frente, aí ele se movimentava: botava a cabeça para fora, as pernas falsas balançavam, as mãos gesticulando freneticamente, tudo isso por alguns segundos, para depois, feito um peixe chupa-pedra voltar para a sua toca. O que me impressionou foi a babaquice do povo em colocar uma moeda para ver aquela cena. Era muito dinheiro que rolava. Uns poucos minutos que fiquei na frente, o cara não parou um minuto de fazer o seu show, com a cabeça para fora, fazia cara de besta, balançando as mãos e tum, tum, tome euro entrando na lata.

Mais adiante vi uma enorme multidão em volta de algo que, pela excitação da turba, devia ser um show de lascar. Sabe o que era? Um cara com uma cadela da raça labrador e seis filhotinhos mamando. E olhe que eu gosto de cachorro, mais ali comecei a construir uma teoria sobre o sucesso das Ramblas.

Uma cena interessante foi um tailandês com uma fantasia daqueles deuses deles, cheia de adereços, um negócio pesado mesmo. Tinha ele uma cobra de madeira na mão que balançava a cabeça de um lado para outro. Ele não podia se mover muito para não cair sua pesada fantasia. Aí vem um grupo de quatro jovens negros – ou afras descendentes, como queiram- e aí eles se postaram atrás do deus tailandês e começaram um rap zonando com a cara do deus. Eles eram muito bons, pois cada uma fazia os sons de batida com a boca e um deles cantava o rap. Não entendi bem o que dizia, mas sabia que era algo jocoso com cobra que o tailandês segurava na mão. O deus tailandês, vendo seu show ir par as cucuias, sem poder nem se virar para encarar os rappers, preso no peso da sua fantasia só fazia rir, e para tentar fazê-los parar mexia o braço tentando fazer com que a cobra de madeira, coitada, os alcançasse.

Todo mundo ria com a cena.

Dois dias depois, estávamos de volta as Ramblas e Elba, que tem um problema de dores nas costas quando anda muito, tem que alongar. Não é um alongamento discreto, é meio espalhafatoso. Ela se debruça e toca com as pontas dos dedos nos pés, e fica ali por alguns minutos, parada. Ou seja, quem passa por trás ver aquela cena de estranho contorcionismo. Como estávamos cansados, paramos eu, Norma e Fabiana para esperar Elba, olhando calados. De repente, um gringo que ia passando, parou e ficou ali esperando, junto com a gente, o show que Elba iria apresentar. Rimos muito, pois depois que se desfez o equívoco, o cara chispou.

Bem, minha teoria sobre o sucesso das Ramblas, é que é uma avenida como outra qualquer, só que criada para pedestres. As atrações não são nada demais, você encontra em qualquer esquina do mundo essas estátuas até na nossa Rua Bom Jesus, nos seus bons tempos. Lembram do mímico argentino? O principal motivo de sucesso somos nós, os turistas que, sem termos consciência disso, formamos aquela atraente multidão.

No fundo vamos lá para nos vê.

É assim mesmo o conceito de alienação de Karl Marx sobre a relação de alienação do operário com a mercadoria.

***

Como estávamos com fome, comemos um sanduíche caro que só, com umas fatias transparentes de queijo e presunto, acompanhado de uma garrafa de vinho.

Bem, no outro dia descobriríamos o Carrefour com seus vinhos maravilhosos de 3 euros. O Sangue de Touro é excelente.

Era quase meia noite e o movimento não dava nem sinais de que iria diminuir, voltamos andando para o hotel, que fica a poucos metros dela.

Fomos todos dormir pensando como Norma estaria no outro dia, quando a dor de uma pancada dada em um dia, vem com sua potência total no outro.

***

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Europa 2007 – Saída de Lisboa rumo a Barcelona

jun 27, 2014 by

Deixando Lisboa rumo a Barcelona

João Rego, maio de 2007

E-mail para família

Galera:

Estamos partindo hoje para Barcelona.

Ontem, nosso último dia, foi a visita a Sintra, uma bela e rica cidade que fica à uma hora de Lisboa.

Fizemos o que toda UNANIMIDADE — por essa palavra traduza-se sempre por: massa de turistas ávidos por conhecer o que tem de óbvio, desprezando tudo o que de essencial faz parte da vida da cidade — faz, visitar um Palácio da Pena, que é interessante mas perde de longe para o que vimos em Lisboa no Castelo de São Jorge.

A nossa rua é a Florida de Lisboa, jovens artistas tocando e cantando, centenas de pessoas do mundo todo passeando, restaurantes diversos tudo envolvido por uma atmosfera única, traduzida pela luz amarela dos lampiões se esparramando pelas pedras portuguesas que compõem a passarela.

Bem, de Barcelona escreverei um pouco mais, mas não pensem que escaparam dos meus textos, pois estou anotando as histórias no rascunho e quando chegar vou escrever em forma de crônicas.

Tem estórias engraçadas como a do cuspe que a japonesa deu na sopa de Caldo Verde, de Tonho, Norma e Fabiana. A minha e a de Elba era de Tomate e estava quente.

Ufa! Escapamos por pouco.

Ps. Guila, e Madri como está? Liga para mim lá pelas 21:00

Vou me embora galera que eu sou sozinho e a vida é vasta, como diria Chico Cézar.

Abraços
João Rego

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Europa 2007 – Visita a Sintra

jun 27, 2014 by

Visita a Sintra

João Rego, maio de 2007.

Acordamos dispostos a retomar nossa caminhada pela manhã. Afinal essa é a nossa marca registrada – minha e de Elba— quando estamos no exterior. Sempre, antes de tomar café, colocamos o tênis e fazemos à caminhada acelerada. Serve como um certo antídoto, – muitas vezes insuficiente —, para os carboidratos que iremos ingerir durante o dia, como também para mapearmos o terreno e sentir a cidade se acordar.

De vez em quando a gente entra em cada uma de lascar. Lembro-me quando em Buenos Aires, acordamos às 6 da manhã, Elba cheia de protetor solar, roupa de ginástica para o espanto do recepcionista do hotel que nos olhava como se fossemos ET’s. Fizemos o alongamento na calçada e estava tudo escuro ainda. Parecia três horas da madrugada em Recife. Não recuamos, partimos céleres para a Praça Gal San Martin, que fica no começo da Florida e nos danamos pelas ruas absolutamente vazias e escuras. Só na volta, lá pelas 7:30 foi que o dia chegou, e com ele o movimento de jornaleiros abrindo suas bancas de revista.

Bem, agora em Lisboa não tínhamos esse problema. Nos mandamos pela Av. Liberdade e saímos procurando ruas estreitas e ladeiras para nos enfronharmos nelas. O lugar não era tão bonito como o Parque, mas valeu a pena. Chegamos perto da entrada do Jardim Botânico, que pelo mapa pensei que fosse mais distante do nosso hotel. Como estava fechado, demos meia volta e nos dirigimos a praça do Rossio e depois para nosso hotel.

O café da manhã é simples, mas o atendimento do casal de idosos compensa. Todas as vezes que terminava o café ia até a copa pedir um pouco de gelo para a água, pois detesto água natural. Hoje, quando cheguei, logo assim que me sento, lá vem aquele senhor educado com a xícara cheia de gelo.

Considerando o enorme fluxo de turistas naquelas vinte e tantas mesas, todas ocupadas, num vai e vem incessante, esse gesto me sensibilizou.

Sintra

Nossa familiaridade com os trens e metrôs nos permitiu partir para Sintra de trem.

À medida que nos afastamos do Centro de Lisboa chega-se a uma periferia igual a de qualquer grande cidade. Ou seja, feia e de arquitetura repetitiva.

A cidade é fincada no meio de várias montanhas e suas atrações principais são: os castelos, que são dois – bem, há uma diferença hierárquica entre castelo e palácio que não vale a pena explicar aqui -, e o seu centro comercial com muitos artesanatos.

Pegamos um ônibus que nos leva ao tour dos palácios. O bicho vai acelerado por aquelas ruas estreitas e tome a subir. A gente em pé, espremido no meio de turistas do mundo inteiro, fica zonzo de tanta subida, numa ladeira em espiral que parece que não vai acabar nunca. Por baixo, são mais de vinte curvas subindo e subindo.

Me impressionou foi que quando estávamos já perto de chegar, lá vinha um ciclista no seu ritmo lento mas firme, tãin, tãin, tãin subindo aquela ladeira como se estivesse no quintal de sua casa. Eita cabra macho da gota!

Descemos finalmente em frente a um castelo onde já tinha uma fila de lascar de grande. È tudo muito bonito. Uma densa floresta e uma vista da cidade em baixo muito bonita, mas aquela fila não estava na nossa agenda.

***

Quando você está com fome, com vontade de fazer xixi e esperando em uma fila lá em cima de uma montanha, você começa a pensar besteira. Foi aí que provoquei Antônio Carlos fazendo a comparação entre a noite desagradável lá na casa de fado, com aquela japonesa chata e a noite no Alfama. Aí eu disse:

— Tonho, aquela japonesa cuspiu na sopa de vocês! Ela já estava arretada porque a gente não ia consumir nada além do courvert, Elba derrama vinho na toalha e Norma diz que a empregada dela faz uma sopa de caldo verde melhor, e ainda por cima pede para esquentá-la. Está muito claro que ela quando foi esquentar cuspiu na sopa de vocês.

Aí Tonho fez aquela cara, ficou pensativo e deu um sorriso amarelo.

A fila andava, eu esperava um pouco mais e soltava outra, olhando de lado com se estivesse comentando comigo mesmo:

— Ainda bem que minha sopa e a de Elba era de tomate e estava quente!

— Vocês não notaram aquele riso malicioso no canto dos lábios dela, enquanto olhava vocês tomarem a sopa?

Aí ninguém se aguentou e caímos todos na risada.

***

De imediato avaliamos e cancelamos a vista ao castelo. Ficamos apenas com a do palácio, que é maior e mais interessante.

Anda-se alguns metros para chegar até a entrada do Palácio. Lá tem as opções de você subir por uma ladeira, pelo meio da floresta, ou de subir de ônibus que fica circulando o tempo todo. Norma foi de ônibus e nós subimos a pé.

Lá dentro, descobrimos que tínhamos que enfrentar outra fila, apenas para garantir o fluxo normal de pessoas dentro do castelo.,. ops, palácio.

Tudo muito interessante e profissional. O palácio pertenceu a um rei, que era alemão e como tinha medo de ser assassinado, fez sua “humilde” moradia de férias bem longe do povo. Essa é minha versão rasteira para a forma erudita que me foi contada pelo guia, com nomes, datas e tudo mais.

Tudo está absolutamente preservado, louças, móveis, cristais etc… É como se tivessem congelado no tempo.

Os guias sempre muito atenciosos e bem informados.

Me chamou a atenção o quarto do rei, bem distante do da rainha. Até aí tudo bem, mas o estranho é que a rainha tinha um oficial de guarda particular cujo quarto é conjugado ao dela. Devia ser o seu personal alguma coisa daquela época.

Na descida ficamos um pouco no centro, onde comemos um delicioso sanduíche com cerveja. Após rápido passeio pelas lojas de artesanato, pegamos nosso rumo de volta à Lisboa.

 

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João Rego
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Europa 2007- Lisboa: Rua Augusta, Bairro Alto e outros

jun 27, 2014 by

Rua Augusta, Elevador da Santa Justa, Bairro Alto e outros.

João Rego, maio de 2007.

Um pouco ressabiados da maratona do dia anterior, decidimos fazer algo bem light e sem muita pressa. Saímos do nosso hotel caminhando tranquilamente, vendo lojas, batendo pernas. Passamos a Praça do Rossio e descemos à bela Rua Augusta. Lá tem lojas de qualidade, muita gente nos cafés e alguns tipos interessantes como o rapaz que tocava acordeom sentado na rua com seu minúsculo cachorro. O gozado era que o cachorro, que carregava meia garrafa pet no pescoço à guisa de cofre para amealhar os trocados, uivava todas as vezes que o cara tocava certa nota no acordeom.

Ah! Sim, ia me esquecendo. Aqui todo mendigo, não são muitos, tem o seu cão. Na nossa rua tem um mendigo que fica o dia inteiro sentado na Igreja, com seus três cães e sua pereba na perna. Os cães dormem o dia todo, mas acho que cumprem o seu papel de sensibilizar o passante. Em Recife, as mendigas usam seus próprios filhos – ou emprestados de outros – para cumprirem essa missão.

A Rua Augusta tem dois imponentes arcos, um no início e outro no fim. Fico pensando sobre qual função de erigir algo tão sofisticado sem ter nenhuma função prática, nem sombra faz. Mas a realeza era assim mesmo, tinha mão de obra sobrando, a função era mesmo de ostentar sua riqueza, acho. Como a bengala, mais tarde, tinha a função de mostrar que não se usava as mãos para o trabalho, outros trabalhavam para você.

Bem, voltando da Rua Augusta nos deparamos com o Elevador da Santa Justa, uma construção antiga e muito bonita encravada no meio da principal área do comércio chique de Lisboa. Subimos e de lá curtimos uma vista interessante da cidade. O elevador nos leva a entrada do Bairro Alto.

E foi para lá que fomos, caminhando pelas ruas estreitas e cheias de ladeiras. Lá tem também uma concentração de casas de fado. Saímos por ali até o ponto mais alto da área. As mulheres param em uma loja de produtos indianos, onde Fabiana comprou um vestido, acho, enquanto nós, e Tonho, esperávamos pacientemente lá fora. E foi nessa espera que demos de cara com uma padaria belíssima, chamada a Catedral do Pão.

Convencemos o grupo a tomar um café só para sentir o clima do local. Quando fomos pagar a conta, perguntei ao senhor do caixa há quantos anos ela havia sido fundada. Ele muito tranquilamente, como se não fosse nada demais, respondeu: 200 anos.

É essa estranha longevidade das coisas na Europa que me fascina.

Pegamos um ônibus e descemos até o Largo do Chiado, de onde pegaríamos o metrô que nos levaria a parte moderna da cidade, no caso o Parque onde houve a exposição internacional de comércio. Lá além do belo Shopping Vasco da Gama, tem um dos maiores aquários da Europa.

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Europa 2007 – Lisboa: Castelo de São Jorge

jun 27, 2014 by

Parque Eduardo VII e o Castelo de São Jorge.

João Rego, maio de 2007.

Abrimos o dia, eu e Elba, saindo num frio de 10 graus para caminhar até o Parque Eduardo VII. Somos cobras em identificar áreas verdes nos mapas. Subimos a nossa rua, num frio arretado, mas também com um nível de excitação e curiosidade enorme. Elba, como sempre, vai na frente, pois o ritmo natural dela é acelerado. Eu, um pouco mais atrás mas firme e forte (cof…..cof).

Nos surpreendeu a ausência de pessoas no parque. Só encontramos um pequeno grupo de japoneses fazendo Tai-chi-chuan, uma mulher passeando com um cão e mais nada. O Parque é grande e cheio de elevações, saímos andando por todo ele. Depois de 30 minutos andando acelerado, sua mãos já começam a aquecer e aí fica tudo muito agradável.

Elba, havia sonhado com essa viagem por anos e foi pelo menos um ano ou mais de planejamento, poupança, incertezas e determinação. Dezenas de revistas lidas, sites visitados, dicas com colegas e tudo mais.

Deu para perceber que o nosso ritmo era de quem queria sorver com intensidade aqueles momentos.

Chegamos no Hotel, descendo pela Avenida Liberdade e fomos direto para o café, onde lá já estavam Tonho, Fabiana e Norma.

O café é simplesinho, mas dá para quebrar um galho. Atendia-nos um casal idoso e muito atencioso. Aliás, o atendimento na recepção é excelente. O Antônio e o Carlos, dois gajos com seus 35 -40 anos, eram extremamente atenciosos e brincalhões. O Antônio me pegou numa logo assim que cheguei. Como estava chovendo eu perguntei:

— Você acha que amanhã vai ter sol?

E ele na bucha;

— Mas aqui em Lisboa tem sempre sol, o que acontece é que em alguns dias ficam nuvens entre o sol e Lisboa.

Caímos todos na risada.

Quando fazíamos uma pergunta sobre como ir a algum lugar ele tirava um mapa e nos explicava detalhadamente, só parando quando tinha a certeza de que havíamos compreendido. Houve um momento que, no meio de uma explicação, chegou um casal americano que estava de saída do hotel, e Carlos ficou imperturbável, terminando a explicação. Achei muito interessante aquele profissionalismo.

O Castelo de São Jorge.

Nosso passeio começou pegando o ônibus na Praça da Figueira, a poucos metros do nosso hotel, para irmos ao Castelo de São Jorge, imponente construção, que olha, dia e noite, o centro de Lisboa. Dava para vê-lo da janela do meu apartamento. Tirei tanta foto dele que gastou um pouco as muralhas.

O lugar é realmente privilegiado para se vê Lisboa. Andamos, sem pressa, curtindo o momento. O clima de 17-18 graus estava agradável com o sol aberto.

Norma firme e forte, não abria para escadaria nenhuma. Houve uma escada, entretanto, que é uma espécie de armadilha para turista. Depois de andarmos todo o Castelo, já quando estamos voltando, há uma bela e enorme escada de pedras nos convidando para descer. Imaginávamos que, como todos os caminhos do castelo, lá embaixo derivaria para a saída. Quando estávamos já no final dela Fabiana percebe que não há saída, ou melhor há mais subindo de volta centenas de degraus. Paramos no meio para descansar e tomar água e nos mandamos de volta.

Tendo dado por visto o Castelo de São Jorge, que é uma visita obrigatória em Lisboa, tomamos um sorvete, um bolo de bacalhau e uma cerveja e saímos caminhando pelas ruelas para a Feira da Ladra , uma atração que só acontece nas terças e o livro recomendara a visita.

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Europa 2007 A chegada em Lisboa

jun 27, 2014 by

Lisboa 2007 –  Passeio logo após a chegada

João Rego, Maio de 2007

Chegamos e, no aeroporto mesmo já compramos o Tourist Card, que significa uma grande economia para quem deseja cruzar a cidade sem se preocupar com custo de passagens de ônibus e metrôs, além de ter desconto na entrada das atrações turísticas.

O dia estava chuvoso, nosso Hotel, o Residencial Florescente, fica muito bem localizado, na Rua Porta de Santo Antão, bem próximo do coração de Lisboa, que é a Praça do Rossio e do Restauradores.

A nossa rua é, guardadas as devidas proporções, no estilo da Florida de Buenos Aires, não passa carro e é cheia de atrações: bares, teatro, restaurantes, comércio de frutas e queijos e a famosa Ginginha. A noite é um show de músicos de qualidade trocando seus talentos por alguns euros pingados.

Bem, a chuva não nos intimidou e saímos por ali caminhando a deriva. O que nos impressionava era a beleza das ruas. Os casarões e prédios antigos, as praças, é tudo muito bonito. O clima frio é sempre a prova de que estamos fora da nossa terra.

Subimos o Beco do Carmo, paramos em um Shopping – a essa altura a fome, nossa velha companheira de viagem, já começava a dar seus sinais de inquietação.- depois subimos a Rua Garret que nos leva ao Largo do Chiado. O objetivo era encontra o famoso café e restaurante A Brasileira, com cento e tantos anos onde lá tem a estátua de Fernando Pessoa, o maior poeta deles, depois de Camões. Ao lado da estátua há um banquinho onde os turistas se sentam para tirar foto.

Como o restaurante só abria depois de meio dia e era ainda 11 horas, fomos forçados a dar uma caminhada para passar o tempo, e a fome aumentando. Há um belo prédio no Largo do Chiado que é o consulado do Brasil. Nossa elite sabe gastar bem o dinheiro dos contribuintes, pelo menos nessa área diplomática.

Chegamos, e eu contando os minutos para comer, Elba, recriminando a minha pressa. Eu olhava a porta de vidro do restaurante e os garçons e as garçonetes, comendo tranquilamente. Não estavam nem aí para nós. Isso deve ser culpa do sindicado que organiza e garante os direitos dos trabalhadores daqui.

Finalmente eles abrem e nós pedimos sopa como entrada e dois pratos de bacalhau. Havia uma salsicha bem temperada que era deliciosa. Tudo regado a um bom vinho, que para os nossos padrões, a grande maioria se encaixa nesse patamar de qualidade.

Voltamos para o Hotel felizes da vida.

A proposta era descansarmos um pouco e a noite iríamos ao Parreirinha da Alfama, uma casa de Fado recomendada por Zé Nivaldo e que fica no bairro do …..Alfama, claro.

Após o descanso fomos caminhando, deslumbrados pela beleza da cidade, passamos o Largo do Rossio e descemos a Rua Augusta, belíssima com seus arcos no início e no fim. A ideia de pegarmos um ônibus ou táxi foi se diluindo até que de rua em rua chegamos lá no Alfama. Não é uma grande caminhada, mas à noite não me sinto seguro. O Parreirinha estava lotado e decidimos não ir para outro, pois Zé Nivaldo insistira que era esse o local.

Voltaríamos amanhã.

Ficamos peruando por ali até que decidimos voltar de ônibus para nosso hotel. Havíamos pago o Tourist Card foi para isso mesmo. O orçamento controlado por Elba não nos permitia certos luxos como táxis.

Na chegada, um pouco frustrados por não termos conhecido a casa de fado, a galera já ia passivamente entrando no hotel, foi quando insisti que deveríamos comer, nem que fosse uma bagette com uma taça de vinho.

Consegui convencer o grupo e paramos num bar em frente ao nosso hotel. Uma cerveja gelada, um bom atendimento e depois fomos dormir.

Para o segundo dia estava planejado – o que só depois viemos saber- uma verdadeira maratona turística: Começaríamos pelo Castelo de São Jorge, depois a Feira da Ladra, que só tinha naquele dia, dali nos mandaríamos para Belém, onde há o famoso pastel e a torre de Belém e o Mosteiro de São Jerônimo.

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Europa 2007 – Viagem para Lisboa.

jun 27, 2014 by

A Travessia do Atlântico.

João Rego, Lisboa 2007.

Estava munido de muita expectativa, ansiedade, algumas roupas – sempre organizadas por Elba-, e da máquina que Guilherme me deu, uma Kodak Z 710, de 7 MPixels, com zoom ótico 10X e tripé.

Havia a pretensão de além de curtir a viagem, registrá-la com fotos, textos e vídeos e publicar tudo em um blog.

Qual o sentido desse trabalho todo?

É que nós, eu e Elba, após anos e anos educando filhos e dando suporte para que eles construíssem seus destinos, havíamos decidido usar nossa poupança para viajar, batendo pernas pelos quatro cantos do mundo.

O fato de Guilherme, nosso filho mais novo morar e trabalhar nos EUA, tendo apenas dez dias de férias por ano, é uma variável a mais para a gente se encontrar nas viagens.

Assim, o registro de cada uma dessas viagens, além de compartilhar tudo com os parentes e amigos, serve como balizamento e estímulo para as outras que virão.

O voo para Lisboa.

A turma: eu, Elba, Antônio Carlos, Fabiana e Norma. Dois casais acompanhados da sogra.

Saímos no horário certo apesar dos problemas em todos os aeroportos há poucos dias.

Norma, através de Ricardo, conseguiu viajar na classe executiva, e nós, pobres mortais, fomos na econômica mesmo. Eu, como raramente consigo dormir, já vou preparado para ficar perambulando pelo avião. Ficar espremido naquela cadeira apertada, sem ter onde botar os meus pés com tênis Nº48, é um desafio arretado.

Registrei, só por fofoca, alguns vídeos de dentro do avião.

Notem que utilizei o mesmo recurso que Steven Spielberg utilizou em ET, naquela cena no início do filme, quando ele (E.T, não Spielberg) corre pela floresta. Pendurei a câmera no pescoço a filmei a movimentação dentro do avião, pois de outra forma iria constranger as pessoas.

Em um dos filmes há um cara, de estatura pequena- uma forma educada de chamá-lo de baixinho- com os pés na parede a frente do seu assento. Esse é Zé Nivaldo, sócio de Marcelo na Makplan, gente boa e com um papo arretado para se curtir. Foi o que fizemos quando acordamos. Por coincidência a minha vizinha era uma dentista de Surubim, terra de Zé Nivaldo, aí foi aquele entrosamento. E tome estórias engraçadas.

Mas o que eu queria mesmo era registrar a minha enorme inveja de Zé Nivaldo, ali esparramado que nem um paxá, enquanto eu iria enfrentar uma noite sem dormir, onde o programa mais agradável seria ficar entre o banheiro e a copa, vendo o povo entrando e saindo do banheiro e a tripulação ali, de mal humor, te esperando sair para tirar um cochilo.

E foi o que fiz.

Medo mesmo de avião eu não tenho, mas na minha visão materialista, não deixo de pensar um pouco na extrema vulnerabilidade humana quando estamos a 10.000 metros de altura dentro de um deles. Um mecanismo de defesa contra a ansiedade gerada por esse pensamento tão pragmático é: primeiro, confiar nas estatísticas; e segundo, elogiar o enorme talento tecnológico do homem para fazer cosia incríveis e assustadoras, uma delas é botar um bicho pesado daquele para atravessar o Atlântico, cheio de gente e, ainda por cima, com as janelas fechadas.

***

DITOS &ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

 

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A TV Trancham e o pai.

jun 27, 2014 by

A TV Trancham e o pai.

João Rego, junho de 2014.

Meu pai não era muito chegado a investir em geringonças tecnológicas e a TV, para ele, era uma delas. Assim, este moderno equipamento veio chegar na nossa casa algum tempo depois que muitas famílias da Rua 13 de Maio, em Caruaru, já tinham essa coisa mágica que iria mudar a forma de vermos o mundo. Era muito comum ficarmos esticando o pescoçoe “pescando” da calçada os filmes, as primeiras novelas da Rede Tupi e outros programas nas casas dos vizinhos. Não sabíamos que a TV iria acabar com uma época onde os vizinhos saiam para conversar na praça ou colocar as cadeiras na calçada, à noite, para prosear.

Ela, ao mesmo tempo em que nos abria um enorme e fantástico universo de conteúdo, qual um monstro bigbrotheano, iria nos enclausurar em nossas casas.

Lembro, muito claramente, eu e mais outras pessoas –  e aí não tinha distinção de idade ou classe social, a única coisa que nos unia era a curiosidade e a enorme cara de pau de não se incomodar em incomodar o vizinho – em pé, na calçada, diante do janelão de Seu Ernesto, assistindo a novela Redenção ou a célebre e lacrimosa o Direto de Nascer. E Seu Ernesto com sua esposa, num gesto de generosa solidariedade para com nós, pobres mortais desprovidos de TV, nos acolhia sem nenhum incômodo. A horda era inconveniente, ficava dando pitacos e só faltava pedir água, café e uma bolachinha. Era como se você estivesse lendo seu jornal com um grupo de pessoas “fungando em seu cangote” para ler junto, sem ter sido convidado

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Introdução ao conceito de capacidades dinâmicas de David Teece 1/4

maio 30, 2014 by

INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE “CAPACIDADES DINÂMICAS” DE DAVID TEECE. 1/4

João Rego*

Recife, 20 de janeiro de 2014.

 

 

OBS. Este artigo é parte de um conjunto de quatro artigos sobre o conceito de capacidades dinâmicas de David Teece.

Recomenda-se a leitura na ordem abaixo:

  • Introdução ao conceito de capacidades dinâmicas de David Teece. 1/4
  • Estratégia e Inovação: Sentindo e Modelando as Oportunidades. 2/4
  • Estratégia e Inovação: Agarrando as Oportunidades. 3/4
  • Estratégia e Inovação: Gerenciando as Ameaças e Reconfigurando seu Negócio. 4/4

Existe um hábito perverso com o uso da linguagem de alguns conceitos. Estes, muitas vezes relevantes, com a utilização de forma inadequada ou generalizada, sua função, anteriormente fundamental para explicar os fenômenos, vai se banalizando até chegar ao fundo do poço se transformando em um clichê.

No Campo da Administração Estratégica, assim como em muito outros campos, alguns clichês vão se chegando na tentativa de tudo explicar o que, ao final nada explica ou pior, as vezes, de tão superficial, confunde. Este talvez seja o caso das palavras estratégia e inovação.

Vou apresentar alguns conceitos do campo da administração estratégica voltados às pequenas e médias empresas, imersas em ambientes de negócio que sofrem rápidas transformações. O novo Ciclo Econômico de Pernambuco, com investimentos anuais de cerca de 10% do seu PIB, isto estimando apenas os megaprojetos estruturadores como a Refinaria Abreu e Lima e todo o complexo de SUAPE, a Transnordestina, a FIAT, dentre outros, se configura como um destes ambientes.

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Estratégia e Inovação: Sentindo e Modelando as Oportunidades. 2/4

maio 28, 2014 by

INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE “CAPACIDADES DINÂMICAS” DE DAVID TEECE 2/4

João Rego*

Recife, 12 de fevereiro de 2014.

 

 

OBS. Este artigo é parte de um conjunto de quatro artigos sobre o conceito de capacidades dinâmicas de David Teece.

Recomenda-se a leitura na ordem abaixo:

  • Introdução ao conceito de capacidades dinâmicas de David Teece. 1/4
  • Estratégia e Inovação: Sentindo e Modelando as Oportunidades. 2/4
  • Estratégia e Inovação: Agarrando as Oportunidades. 3/4
  • Estratégia e Inovação: Gerenciando as Ameaças e Reconfigurando seu Negócio. 4/4

Michael Porter com seu trabalho acadêmico de grande profundidade sobre a empresa e sua relação com o ambiente de negócios, refunda, a partir do início dos anos 80, o campo da administração estratégica. Seu trabalho se impôs pelos quatro cantos da terra como uma das escolas mais influentes desta área, a do posicionamento. Seguindo seus modelos e conceitos milhares de empresas orientaram e orientam até hoje seu processo decisório, suas estratégias e constroem sua visão de mundo.

Conceitos básicos como as Cinco Forças de Porter que moldam a competitividade, ou a Cadeia de Valor Porteana, eficaz instrumento para se olhar processos e ativos dentro de uma empresa, com ênfase em seus elos, internos e externos, e seus impactos na construção da vantagem competitiva, são ainda valiosos instrumentos gerenciais.

Entretanto, sempre há um “entretanto”, o modelo porteano se mostra ineficaz em ambientes de rápidas transformações tecnológicas, principalmente por está centrado em uma visão do setor (industry) na qual a empresa está imersa. A diferença fundamental entre o modelo de Porter e o das Capacidades Dinâmicas de David Teece é que o primeiro está baseado na premissa de que a estrutura de mercado se funda de uma forma exógena à empresa, enquanto o de Teece – que vai buscar na escola da RBV Resourse Based View ( Edith Penrose, Jay Barney e outros)-, vê as transformações do mercado como efeito endógeno da empresa, resultante de duas vertentes estruturadoras do mercado (e porque não dizer revolucionárias?): a inovação e a gestão do conhecimento.

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Morro de São Paulo, a chegada.

maio 28, 2014 by

Impressões de um viajante: Morro de São Paulo, a chegada.

*João Rego

“Estou em uma ilha, mas com a mulher que há muito descobre, às vezes com dor, os continentes perdidos em mim.(J. Rego)”

A viagem a Morro de São Paulo, ilha 30 milhas ao sul de Salvador, era um desejo antigo de Elba, minha esposa e companheira há 35 anos. O ritmo de trabalho intenso, meu e dela, nos induz como estratégia de fuga do cotidiano – ainda que temporário -, as viagens.

Levo comigo, além de bagagem reduzida, alguns livros: Cândido e o otimismo de Voltaire, Maravilhas do Conto Alemão, edição de 1958 e Empreendedorismo e Inovação de Peter Drucker, caso tenha uma recaída e não consiga me desligar do trabalho. Além disso, levo Dramine para enjoo e coragem (não muita) de aventureiro para enfrentar duas horas de mar aberto em um Catamarã com 20 pessoas.

A travessia transcorre normalmente e, apesar de algumas pessoas terem enjoado, o barco é seguro com uma tripulação treinada. Há na minha frente um grupo de seis estudantes argentinos dormindo profundamente, certamente resultado de uma farra na noite anterior, o que parece ser uma ótima alternativa ao Dramine.

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Estratégia e Inovação: Agarrando as Oportunidades. 3/4

maio 27, 2014 by

INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE “CAPACIDADES DINÂMICAS” DE DAVID TEECE. 3/4

João Rego*

Recife, 13 de fevereiro de 2014.

 

 

OBS. Este artigo é parte de um conjunto de quatro artigos sobre o conceito de capacidades dinâmicas de David Teece.

Recomenda-se a leitura na ordem abaixo:

  • Introdução ao conceito de capacidades dinâmicas de David Teece. 1/4
  • Estratégia e Inovação: Sentindo e Modelando as Oportunidades. 2/4
  • Estratégia e Inovação: Agarrando as Oportunidades. 3/4
  • Estratégia e Inovação: Gerenciando as Ameaças e Reconfigurando seu Negócio. 4/4

 


Esta é uma série de artigos que se propõe a apresentar os conceitos básicos das Capacidades Dinâmicas de David Teece[1], ferramenta do campo da administração estratégica que envolve a literatura de estratégia e inovação voltada para o crescimento de empresas em ambientes que sofrem rápidas transformações tecnológicas e/ou econômicas.

Falei sobre a Primeira Instância Operativa das Capacidades Dinâmicas que consiste em “sentir e modelar as oportunidades e ameaças do ecossistema de negócio” transformando-as em projetos inovadores para, finalmente, entrarem no mercado como produto, serviço ou processo inovadores.

Vamos discorrer agora um pouco sobre como transformar uma oportunidade que foi identificada com potencial inovador em um produto/serviço/processo. Apresentaremos alguns dos principais desafios e resistências enfrentados pela empresa, e o que se demanda da alta gestão para acertar o alvo com os riscos – os quais sempre existem – atenuados. É importante destacar que ferramentas sofisticadas de gestão, principalmente para as empresas que se pretendem inovadoras, são instrumentos há muito utilizados por empresas que disputam o mercado global – e isto, graças aos recursos de comunicação da internet, não é mais privilégio das grandes corporações – que, queiramos ou não, o Novo Ciclo Econômico de Pernambuco, assim como a força da lei da gravidade que afeta a todos, vai gradualmente se transformando com a cultura da economia globalizada.

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Estratégia e Inovação: Gerenciando as Ameaças e Reconfigurando seu Negócio. 4/4

maio 26, 2014 by

INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE “CAPACIDADES DINÂMICAS” DE DAVID TEECE. 4/4

João Rego*

Recife, 17 de fevereiro de 2014.

 

 

OBS. Este artigo é parte de um conjunto de quatro artigos sobre o conceito de capacidades dinâmicas de David Teece.

Recomenda-se a leitura na ordem abaixo:

  • Introdução ao conceito de capacidades dinâmicas de David Teece. 1/4
  • Estratégia e Inovação: Sentindo e Modelando as Oportunidades. 2/4
  • Estratégia e Inovação: Agarrando as Oportunidades. 3/4
  • Estratégia e Inovação: Gerenciando as Ameaças e Reconfigurando seu Negócio. 4/4

Já apresentamos aqui as duas primeiras instâncias operativas que constituem as Capacidades Dinâmicas, ferramenta da administração estratégica voltada para o crescimento da empresa, através da inovação em ambientes de rápidas transformações tecnológicas e/ou econômicas.

A primeira instância operativa, Sentindo e Modelando as Oportunidades (Sentindo), a segunda Desenvolvendo o novo produto e, com base em um modelo de Negócio solidamente estruturado, lançá-lo no mercado (Agarrando). A terceira e última instância operativa é a capacidade da empresa em reconfigurar seu negócio, sempre que as mudanças ambientais assim demandarem, protegendo seus ativos intangíveis, suas competências e ativos complementares no sentido de continuar obtendo vantagem competitiva sustentável(Reconfigurando).

O grande desafio é que fazer isto ao mesmo tempo em que a empresa deve ter eficácia operacional em seus produtos/serviço/processos já estabelecido no mercado, demanda importante esforço gerencial. Isto porque um produto existente é resultado de vários e longos processos de investimento, pessoal qualificado, criação e aquisição de conhecimento, rotinas estabelecidas, processos de marketing e comercialização constituídos, construindo uma herança estratégica ou (path dependency), fenômeno que muitas vezes aprisiona a empresa limitando a sua capacidade de inovar para crescer.

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Morro de São Paulo, a Rua Caminho da Praia

maio 1, 2014 by

Impressões de um viajante: Morro de São Paulo, a Rua Caminho da Praia

*João Rego

Outubro de 2013

O Morro de São Paulo tem à noite, na Segunda Praia, a área de shows e bares, mais para quem gosta de som alto e misturado. Um dia antes tinha havido um show evangélico com caixas de sons enormes. Se estivéssemos em um dos hotéis da área teríamos fugido da ilha, a nado, noite adentro. Ou então teriam nos convertido.

Mas na Primeira Praia, aquela do atracadouro, tem a Rua Caminho da Praia. Lembra a Rua principal de Porto de Galinhas ou de Pipa, com uma enorme diferença: no seu final tem uma praça. Sim, a rua termina na Praça. E, para mim, que vivi minha infância na Praça Cel. Porto em Caruaru, foi uma prazerosa descoberta. Caminhar sem pressa, vendo as pessoas – todas leves e simpáticas -, os restaurantes e bares alinhados com as lojas de roupas para, no final da Rua, sentar em um banco de praça e pensar em nada. Se há uma grande perda na qualidade de vida de quem vive em grandes cidades, além do isolamento em seus apartamentos e do infernal trânsito, é a perda do hábito de sentar em uma praça à noite e jogar conversa fora com amigos e desconhecidos.

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A Casa da Rua 13 de Maio, 312.

abr 30, 2014 by

João Rego, em 5 de novembro de 1993.

 

Foi nesta casa onde eu me vi construir como ser humano, portanto é também um dos principais cenários de grande parte dos meus sonhos. Ela era sinônima de segurança, era o abrigo do mundo exterior, o qual à medida que eu crescia ia ampliando os horizontes.

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O sofá e o Pai Omnipotente.

abr 30, 2014 by

*João Rego

Na sala me recordo inicialmente do sofá azul, com curvas sinuosas, espuma fina ( o que o deixava um pouco duro) e pernas de ferro. É neste sofá que tenho talvez uma das mais remotas recordação da minha vida com meu pai.

Eu me lembro de papai recém chegado de uma caçada deitado no sofá, sem camisa brincando comigo, pelo meu tamanho é possível imaginar que a minha idade era por volta de 2 anos, no máximo três. Eu pulava brincando de cavalinho em seu peito forte e cheio de cabelos. Me recordo da intensa alegria e da forte sensação de conforto e admiração por ter um pai tão forte e bom[1].

Tempos depois, esse sofá foi substituído por um conjunto de três cadeiras confortáveis separadas por duas tábuas, supostamente colocadas para servir de suporte para cinzeiro. Foram estas três cadeiras que nos acompanhou até Recife após a morte de papai.

***

É importante destacar que essa imagem do pai bom e onipotente vai ao longo da psicanálise assumindo a sua forma mais real, inclusive com características ambivalentes de amor e ódio, fruto da tragédia edipiana, da qual nenhum ser humano escapa e é o próprio momento estruturador do indivíduo.

 

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

 

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Caruaru, a feira e o pai.

abr 30, 2014 by

Crônica de um Sábado Chuvoso

João Rego

Recife, 04 de setembro de 1999

Hoje acordei e estava chovendo. Gosto muito da chuva, especialmente se ela ocorre pela manhã e é bem fraquinha. Não tenho dúvidas que isto me remete a um passado cheio de felicidade, que é o período da infância. As férias na Fazenda Vasante em Caruaru onde, junto com os primos e colegas acordávamos o mais cedo possível para avisar, aos gritos, que era o primeiro na fila do leite. Enchíamos as nossas canecas e copos de Toddy e açúcar, e partíamos para a cocheira que ficava a uns 300 m da casa da fazenda.

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O banquinho da bicicleta Hércules, meu pai e a apresentação ao mundo.

abr 30, 2014 by

*João Rego

Vem-me involuntariamente, a memória do meu pai me conduzindo até a fazenda Cachoeira das Onças. O meio de transporte era a sua bicicleta Hércules. Eu ia ainda pequeno, creio 3 ou 4 anos, sentado num banquinho especial que ficava instalado no quadro. Esse banquinho era de madeira e zinco, especialmente desenhado por ele e mandado fazer por um marceneiro, Sr. Miguel. A posição onde o banco era instalado, possibilitava, em um caso de um buraco ou um tropeço qualquer da bicicleta, os braços do meu pai me segurarem de imediato. Portanto era um esquema bastante seguro.

É forte a sensação de alegria e proteção de estar sendo apresentado ao mundo,  através do meu pai. O clima frio e gostoso de Caruaru, o cheiro do mato orvalhado, os pés de avelós utilizados como cerca. Tudo era encantamento e excitação dentro de mim, garantido por uma áurea invisível, naquele momento, que era o amor, a proteção desse pai forte e bom.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

 

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Cenas avulsas da minha infância.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

Noto que cenas  da minha infância surgem do inconsciente sem nenhuma solicitação de minha parte. É como um filme antigo que eu tivesse me recusado, durante anos, a ver, e de repente, algum controlador desses filmes (o inconsciente) insiste em me exibir.

Na maioria das vezes são cenas agradáveis, bucólicas que me envolvem com uma sensação de prazer e segurança. Esta segurança é transmitida pela figura dos pais, e pela casa sólida e enorme em que nós morávamos.

Devo anotar item por item dessas lembranças e depois convertê-las em crônicas da minha vida:

-O pé de castanhola próximo ao sobrado da praça Cel. Porto

-A alfaitaria de Sr. Nelson, onde papai costumava ir lá bater papo.

-O cachorro branco, pequeno e chato que pertencia a casa da frente de casa, passava as horas correndo atrás dos carros. Acho que era do vizinho de seu João Rosas – o dono da padaria.

-A sensação de onipotência e o desejo de conquistar o “mundo” que a visão do alpendre da casa de vovô Elídio me causava. De lá era possível se ver o Campo de Monta, o Matadouro público e as curvas do Rio Ipojuca. Sentia um desejo enorme de partir e conquistar o mundo, que na minha visão era logo depois do primeiro morro da linha do horizonte. Acho que eu tinha 9 ou 10 anos, e ficava horas em estado de contemplação.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

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As férias na casa de Lulú.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

As férias na casa de Lulú eram sempre momentos extremamente prazeirosos. Lá eu era tratado com exclusividade de um filho único. Passava horas vasculhando, no quarto de empregada, a coleção de revistas “O Cruzeiro” de Tio Zezé. Lia seus livros, em sua grande maioria eram atlas geográficos e de Ciências Naturais, ouvia seus discos clássicos (lembro-me que tinha um disco de List). Durante as tardes eu ficava ansiosamente esperando a televisão entrar no ar, e passava as tardes me deleitando com aquela programação que hoje lembro com saudades. A televisão era em preto e branco mas a sensação e a expectativa diante da programação era muito grande.

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A Morte de Zart,

abr 30, 2014 by

 

“Nu sai do ventre de minha mãe e nu voltarei a ela!”
Livro de Jó (antigo testamento)

Essa bela frase de Jó, quando descobre que perdeu tudo que tinha: ovelhas, camelos, todos os seus bens, seus filhos e suas filhas – isso tudo em um mesmo dia-, é uma expressão máxima da resignação do homem diante da inevitabilidade da morte.

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