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DITOS & ESCRITOS

RAZÃO E VOTO

AFGHANISTAN. 2004. Voting during Afghan Presidential Elections

É muito conhecido o livro de Freud “Psicologia das massas e análise do Eu”. Um profundo estudo sobre o comportamento do sujeito, quando capturado por uma ideologia ou um pânico coletivo, dissolve sua vontade e razão, núcleo duro do seu Eu, na vontade da massa. Esta, sempre com percepção da realidade simplória e emergencial, esmaga a razão sob o jugo da urgência das paixões. A história mostra, com dor, que quase sempre, a massa tende a marchar para os abismos totalitários e as guerras.

A intolerância e a violência contra todo aquele que é diferente, são seus combustíveis. Aquele que pensa diferente é percebido como uma ameaça – mecanismo de defesa primitivo e retrógrado.

A democracia é exatamente o oposto. Tendo seu ambiente natural fundado na tolerância à diversidade, se fortalece na confrontação das ideias e, para isso, é necessária uma percepção da realidade muito mais complexa, aceitando a crítica como necessário recurso de aperfeiçoamento dessa percepção.

Estamos às vésperas de uma eleição que irá pavimentar os destinos da nação. O pêndulo do autoritarismo martela com força o juízo dos eleitores, uma grande maioria em pânico reage instintivamente e, assustada, prefere abrir mão da razão e da tolerância para, com ódio, posicionar-se em favor dos radicalismos ideológicos.

Vejo o primeiro turno das eleições como o ambiente propício para escolhermos aquele candidato que melhor nos identificamos. Mesmo compreendendo que esse melhor poderá não vencer, faço a escolha para fortalecer as forças que irão atuar como oposição. A democracia não acabará após as eleições de outubro, pelo contrário, seguirá seu rumo para o futuro.

Esse futuro, em parte, somos nós que construímos. Da natureza da nossa escolha na hora de votar, irracional ou ponderada, binária ou complexa, autoritária ou democrática, é como nosso futuro como nação será moldado.

Recife, outubro de 2018

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João Rego
Ditos & Escritos
É engenheiro, consultor e mestre em ciência política com formação em psicanálise.
www.joaorego.com/politica

 

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