Rua 13 de Maio, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

jul 1, 2014 by

RUA 13 DE MAIO, 264 – A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.

A Casa de Marcos, Carlinhos e Elaine.
Filhos de Sr. Zeza e Dona Débora.

João Rego, Domingo, 8 de junho de 2014

Lembro de Dona Débora, era uma mulher jovem e bela. Tinha um rosto fino e delicado e estava – nas vezes que ia brincar com Carlinho em sua casa – sempre trabalhando em uma máquina de costura.  A máquina de costura ficava na sala, logo na entrada da casa, seguia-se um corredor que levava aos quartos e chegava-se até a copa e a cozinha. É muito viva na memória, o jogo de futebol de botão em um “campo” que ficava na cozinha. Ficávamos horas jogando, cada um com seu time e seus jogadores polidos com esmero para ter um bom desempenho em campo. Após o jogo, todos os jogadores eram zelosamente guardados em um estojo de flanela com várias casinhas – pequenos bolsos – para cada um deles.

A casa era vizinha a de onde morou Dona Lia e Seu Luís da Onça (apelido claro) com seus filhos Walter, Ademir, Danilo e tinha um que perdera o dedo mindinho (Júnior?) na máquina de costura e outros.

Sr. Zeza era alfaiate e tinha um estabelecimento na Rua, jocosamente chamada por todos, de Beco da Mijada, não que fosse uma Rua comercialmente decadente, era sim muito bem localizada, vizinho ao Armazéns do Norte (uma das principais lojas que vendia tecidos finos), o que, para aquele tempo, era estrategicamente localizada. O freguês saia com a peça e já ia direto para a alfaiataria de Sr Zeza.

O nome de Beco da Mijada era por que era o único reduto para a galera, durante as Festas do Comércio, se aliviar da cerveja, coca cola, crush, e outros líquidos.

É importante destacar que isso foi final dos anos 50, início dos 60, ou seja, jeans só em Recife e importado (Calça Lee). Em Caruaru tinha a Durabem (com um elefante no bolso de trás) o resto, principalmente roupa de adultos eram confeccionadas com zelo artesanal de profissionais – alfaiates para roupas masculinas e costureiras para femininas – altamente experientes como Sr. Zeza.

Lembro-me de ter ido com Carlinhos lá, acho que ele foi levar alguma encomenda, tinha Sr. Zeza um ou dois auxiliares. Vê-lo trabalhar com suas “réguas?” de alfaiate marcando com giz o pano, qual um cirurgião, antes de fazer o último e definitivo corte impressionava-me. Fisicamente lembro que ele era de estatura baixa e um pouco calvo.

De Carlinhos e Marcos, seu irmão mais velho, tenho uma vaga lembrança dos seus rostos. Marcos era um pouco mais moreno e Carlinho era lourinho. Elaine era muito nova para lembrar.

Uma vez um deles me contou que a família era de Itabaiana e eram evangélicos. Assim como Seu Luís Monteiro, frequentavam a Igreja que ficava na mesma rua, logo depois da Tyresoles.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

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