Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos.

jun 30, 2014 by

O valor do resgate do nosso passado

João Rego
Recife, 9 de abril de 2011.

Diante da inevitabilidade da morte, enigma que nos situa angustiado frente a vida, o registro do passado nos conforta como uma linha de continuidade da qual fazemos parte. Esta linha nos é passada oralmente, através das histórias que nossos pais, avós e parentes mais velhos nos contam na infância. São palavras que transformadas em significantes nos moldam como sujeito humano. Fundam nossos trilhos desejantes, com os quais iremos caminhar pelo mundo; amando, sofrendo, desejando e aprendendo como é próprio do ser humano.

As fotos, filmes e estórias de personagens do nosso passado são como balizas importantes nesta floresta infinita da vida, plena em labirintos, obstáculos e desvios aleatórios pelos quais percorreram nossos ancestrais.

Compreender esta linha do passado que nos criou é fortalecer nossa existência, preparando os novos trilhos para nossos filhos, netos e descendentes que no futuro virão. Não estou aqui falando de um resgate verdadeiro da linha biológica – esta, impossível de se reconstruir, uma vez que adoções, traições conjugais, incestos e outros desvios estão para sempre perdidos -, falo aqui do resgate do significante do nome da família, este muito mais poderoso que o fator biológico, pois é através dele que é fundada nossa identidade como sujeito humano.

Vi, outro dia, em um documentário uma abordagem interessante sobre o DNA. A lógica é a seguinte: se imaginarmos o DNA como um vírus, este seria imortal, uma vez que vai passando de geração para geração, pulando de corpo em corpo, deixando os mortos para trás até chegar ao nosso.

O mesmo acontece com o nome da família, percorrendo um longo e tortuoso caminho, atravessa o tempo, de geração em geração, deixando os mortos para trás, até chegar a nós.

Compreender este passado é uma forma – impotente, frágil é verdade, mas é a que nos cabe-, de lidar com a nossa própria existência, finita, mortal.

P.S Este é o texto de abertura o Projeto Minha vida, meus mortos meus caminhos tortos – origem e história da família REGO que se encontra em joaorego.myheritage.com

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

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