Europa 2007 – Voiron – A Raclete.

jun 27, 2014 by

João Rego

À noite, Carlota preparou uma Raclette, que é aquele tipo de comida feita para um grupo de pessoas passar a noite conversando. Convidaram uma família de portugueses amiga. Essa família era composta por Miguel, Cláudia e os três filhos, Maria, João e Inez.

Foi uma noite muito agradável, Miguel e Cláudia imediatamente se entrosaram com aquele sotaque peculiar – que acho com um ritmo melhor que o nosso português-, enquanto as meninas dançavam na frente da TV tentando acompanhar o vídeo de Xuxa.

É incrível o poder que Xuxa tem. Esse vídeo, segundo Carlota, é visto horas e horas, dias e dias, incansavelmente pelas meninas.

Miguel, um batalhador, nos contou o motivo de deixar Portugal e vir se arriscar no Sul da França. Com a entrada de Portugal na comunidade europeia, a economia de lá sofreu um forte impacto, atingindo os salários. Assim, veio ele para a França, onde o salário mínimo é bem superior ao de lá e o custo de vida um pouco mais alto. Contou, até bastante emocionado, o período de dificuldades que passou até se fixar no seu emprego. Estava desesperado, já pensando em desistir quando um outro português lhe convenceu a insistir. Essa conversa foi na associação de portugueses de Voiron, onde vão jogar damas e assistir aos jogos de futebol pela tv, ouvir fado e chorar de saudades de Portugal.

Hoje ele trabalha como mestre de obras, já tem sua casa, pequena é verdade, mas com conforto, carro e tudo mais. Carlota me contou que eles já estão comprando uma outra casa em uma cidade vizinha.

Bem, essa foi uma das conversas que atravessavam a sala da Raclette. O ritmo das conversas cruzadas era enorme, e tome vinho e raclette. Uma certa hora falei no vinho verde, que apesar de termos passado alguns dias em Lisboa, não havia tido a oportunidade de provar. Miguel de imediato se levantou e me convidou a ir, com ele, até a sua casa para apanhar algumas garrafas. Fomos eu, ele e as meninas. A estrada parecia uma estrada de fazenda, estreita e cheia de curvas. Tudo escuro, muito mato e algumas vacas nos cercados.

Seu carro, uma pick up com carroceria atrás, onde as meninas gritavam a cada curva que fazia. Lembro-me que não parávamos de conversar, eu curioso em saber da experiência de imigrante de Miguel e ele muito atencioso em me contar.

O vinho verde veio se somar ao vinho tinto que Cezar havia tirado da sua adega. Além do vinho, teve um licor secular feito pelos monges do Mosteiro das Chartreuse, que foi nos dado para provar. Bom, porém, como todo licor, doce.

A farra foi até de madrugada e nos despedimos com tudo acertado para no outro dia visitarmos as Chartreuse, que é uma bela cadeia de montanha nos Alpes, e fica entre Voiron e Grenoble. O nome Chartreuse é mais famoso pelo licor feito pelos monges há nove séculos enclausurados no belíssimo monastério incrustado nas montanhas.

***

DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

 

Related Posts

Share This

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *