O sofá e o Pai Omnipotente.

abr 30, 2014 by

*João Rego

Na sala me recordo inicialmente do sofá azul, com curvas sinuosas, espuma fina ( o que o deixava um pouco duro) e pernas de ferro. É neste sofá que tenho talvez uma das mais remotas recordação da minha vida com meu pai.

Eu me lembro de papai recém chegado de uma caçada deitado no sofá, sem camisa brincando comigo, pelo meu tamanho é possível imaginar que a minha idade era por volta de 2 anos, no máximo três. Eu pulava brincando de cavalinho em seu peito forte e cheio de cabelos. Me recordo da intensa alegria e da forte sensação de conforto e admiração por ter um pai tão forte e bom[1].

Tempos depois, esse sofá foi substituído por um conjunto de três cadeiras confortáveis separadas por duas tábuas, supostamente colocadas para servir de suporte para cinzeiro. Foram estas três cadeiras que nos acompanhou até Recife após a morte de papai.

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É importante destacar que essa imagem do pai bom e onipotente vai ao longo da psicanálise assumindo a sua forma mais real, inclusive com características ambivalentes de amor e ódio, fruto da tragédia edipiana, da qual nenhum ser humano escapa e é o próprio momento estruturador do indivíduo.

 

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

 

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