Inovação e Globalização na Nova Economia de Pernambuco.

abr 30, 2014 by

João Rego*

Recife, agosto de 2012.

A inovação na indústria nacional se impõe como relevante valor estratégico nesta era da globalização.

O Brasil, ao inserir-se na economia globalizada, vem experimentando sérios reveses no setor industrial, com uma queda na participação do PIB de 25% em 1990 para 14,5% em 2010.•

Uma das causas está na perda de competitividade do setor por falta de densidade tecnológica em seus produtos, incapazes de competir com produtos com maior valor agregado do mercado global.

Aliás, a globalização destrói também conceitos e visões que antes eram consolidados, como o conceito de empresa local em oposição à estrangeira, de fora. Com a radical transformação da revolução da tecnologia da informação e comunicação o conhecimento perpassa nações e agentes econômicos, impondo seus efeitos transformadores na sociedade e na economia. Tudo isto num célere ritmo no qual, muitas vezes, fica difícil teorizar e estabelecer conceitos sobre estas mudanças e seus impactos.

Para o bem e para o mal.

Há, portanto, uma nova topologia na economia mundial onde o que está fora se funde com o local formando um inusitado locus de negócios, que para uns pode ser extremamente ameaçador, enquanto para outros representa uma porta de saída para a economia globalizada.

O que distingue estes dois grupos – o derrotado e o vencedor – é a ausência/presença de uma visão estratégica ampla do seu empreendimento e de suas possibilidades no ambiente em que atua.

Pensar globalmente mesmo que o agir seja local, é uma boa receita para se formular estratégias para uma empresa.

Com a Nova Economia de Pernambuco – complexo industrial portuário de SUAPE ao sul; indústria automobilística de última geração e fármacos ao norte; e setor de serviços ampliado com a cidade da copa ao oeste metropolitano; urge-se pensar estrategicamente com uma nova visão, mais ampla e profunda, sobre como não ser varrido pelas ondas deste enorme Tsunami de negócios que se aproxima.

Para a indústria, inovação está no cerne da formulação e implementação de estratégia empresaria e diz respeito a imergir sua empresa na base de conhecimento produzida pela academia e centros de pesquisas, articulando-se com os diversos órgãos fomentadores de inovação, resultando daí produtos e serviços diferenciados e competitivos.

As resistências a estas mudanças são naturais e previsíveis, mas ter a consciência de que precisa dar passos nessa direção já se define um sentido rumo ao possível sucesso.

***

* João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
Atua como consultor empresarial com o foco na pesquisa e na práxis da administração estratégica, da inovação e da gestão do conhecimento.

É Diretor da Factta Consultoria, Estratégia e Competitividade.
É Editor da Revista Será? Opinião, crítica, artigos, ensaios e resenhas.
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