Cenas avulsas da minha infância.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

Noto que cenas  da minha infância surgem do inconsciente sem nenhuma solicitação de minha parte. É como um filme antigo que eu tivesse me recusado, durante anos, a ver, e de repente, algum controlador desses filmes (o inconsciente) insiste em me exibir.

Na maioria das vezes são cenas agradáveis, bucólicas que me envolvem com uma sensação de prazer e segurança. Esta segurança é transmitida pela figura dos pais, e pela casa sólida e enorme em que nós morávamos.

Devo anotar item por item dessas lembranças e depois convertê-las em crônicas da minha vida:

-O pé de castanhola próximo ao sobrado da praça Cel. Porto

-A alfaitaria de Sr. Nelson, onde papai costumava ir lá bater papo.

-O cachorro branco, pequeno e chato que pertencia a casa da frente de casa, passava as horas correndo atrás dos carros. Acho que era do vizinho de seu João Rosas – o dono da padaria.

-A sensação de onipotência e o desejo de conquistar o “mundo” que a visão do alpendre da casa de vovô Elídio me causava. De lá era possível se ver o Campo de Monta, o Matadouro público e as curvas do Rio Ipojuca. Sentia um desejo enorme de partir e conquistar o mundo, que na minha visão era logo depois do primeiro morro da linha do horizonte. Acho que eu tinha 9 ou 10 anos, e ficava horas em estado de contemplação.

***

DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

 

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