As férias na casa de Lulú.

abr 30, 2014 by

*João Rego.

As férias na casa de Lulú eram sempre momentos extremamente prazeirosos. Lá eu era tratado com exclusividade de um filho único. Passava horas vasculhando, no quarto de empregada, a coleção de revistas “O Cruzeiro” de Tio Zezé. Lia seus livros, em sua grande maioria eram atlas geográficos e de Ciências Naturais, ouvia seus discos clássicos (lembro-me que tinha um disco de List). Durante as tardes eu ficava ansiosamente esperando a televisão entrar no ar, e passava as tardes me deleitando com aquela programação que hoje lembro com saudades. A televisão era em preto e branco mas a sensação e a expectativa diante da programação era muito grande.
O terraço com suas cadeiras de vime, esperando a hora do almoço ouvindo as deliciosas músicas de piano da coleção Douçemant. Tio Zezé cochilando na cadeira de balanço e eu com fome esperando pacientemente pela deliciosa comida de tia Lú. Era impressionante o sabor, pois tratava-se de almoço simples, mas era de um sabor incomparável. Lembro-me bem da limonada com pouco açúcar, e dos lanches da tarde onde se comia bolachas soda com coca-cola bem gelada. O supra sumo do lanche, entretanto, era quando Tia Lú benevolentemente nos liberava para comer o Pão-de-Ló de vovó Ernestina.

Outro momento forte em minhas lembranças eram as prolongadas conversas no terraço com vovó Ernestina. Era uma mulher dôce e sábia e eu a adorava.

Xerife, o cão pastor-estrêla, completava o ambiente realizando o meu grande sonho de menino em possuir um cachorro fiel e companheiro (isto talvez tenha sido influenciado pelos filmes de Rin-tin-tin que eu não perdia um).

Lembro-me do dominó vermelho com o qual, passava horas brincando sozinho no quarto.

Tudo era encanto e harmonia. Harmonia e tranquilidade interior, talvez essas duas palavras traduzam meus momentos na casa de tia Lú.

Vovó Ernestina colocava embaixo do pé de carambola uma pequena tijela de barro, onde os passarinhos (em sua grande maioria sibitos) vinham pacificamente tomar banho. Aquilo me encantava!

O Citroen (lembro-me de seu cheiro interior, cheiro de carro velho mas bem cuidado) e os passeios com Tio Zezé ao cais do porto e ao Aeroporto para ver os aviões. Era muito bom!

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

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