Democracia na América Latina.

abr 29, 2007 by

*João Rego.

O Brasil, juntamente com grande parte dos países que compõem a América Latina, passou quase todo o século passado lutando entre períodos de regimes autoritários, marcados por forte militarismo; e regimes populistas, estes quase sempre distanciados do interesse do eleitor, marcados por um discurso antidemocrático e manipulador do eleitorado mais pobre. Apenas na última década do século, foi que embarcamos, com vários obstáculos ultrapassados, no ambiente democrático estruturalmente consolidado.

Em todas as passagens de regimes autoritários para os democráticos, essas foram sempre operadas pelo alto, ou seja, por uma elite política e econômica que decidia quando era a hora de apertar e “gradualmente” liberar o regime. Isso, apesar de evitar sobressaltos na redemocratização, mais notadamente a do fim do período do Golpe Militar de 1964 ( no caso do Brasil), causou um impacto devastador na sociedade civil e na conseqüente formação da sua cidadania.

No Brasil, assim como em diversos países da AL, não há uma prática política relevante, por parte da sociedade civil, que demonstre sua efetiva participação no momento operativo de uma democracia.

Uma democracia construída “pelo alto”, através dos acordos da classe política e do poder econômico, nos impele a acreditar na onipotência destes em reger os destinos das nossas nações.

Cidadania hoje

Assim, mesmo após quinze anos de pleno regime democrático (no caso do Brasil), nossa sociedade civil sofre de uma passividade amorfa, que embota nosso espírito e dá a sensação de que não estamos evoluindo. A classe política agradece, pois quanto mais infantil formos, quanto mais nos alienarmos das questões centrais da democracia, mais eles se tornam essenciais e poderosos, pois a eles tudo delegamos.

Um único ato de ativismo político exercido pela sociedade civil, é quando nos eventos eleitorais somos (obrigados, no caso do Brasil) convocados a reproduzir o poder político, elegendo, por mais um período, a classe política que regerá os nossos destinos.

Isso é insuficiente para um segmento tão importante em uma democracia, como é a sociedade civil. O mais grave, é que essa passividade possibilita o adiamento da solução de problemas estruturais em nosso continente. A evidência disso são os milhares de excluídos sociais, alimentando uma guerra civil representada pela violência urbana de cada dia.

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DITOS & ESCRITOS
João Rego
joaorego.com

إيروس وثانتوس

 

 

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