CIKI III Congresso internacional de conhecimento e inovação

Inovar em tempos turbulentos: estratégia, gestão do conhecimento e inovação.

Entrevista com *João Rego publicada na Revista AlgoMais ANO 8 Dezembro de 2013.

 Nos dias 13 e 14 de novembro de 2013, ocorreu em Porto Alegre, o terceiro CIKI III Congresso internacional de conhecimento e inovação, evento anual organizado com o apoio da  Rede DynamicSME, um consórcio de universidades de vários países voltado a produzir e aplicar conhecimento nas pequenas e médias empresas, para aumentar sua competitividade de forma sistêmica e duradoura. O Terceiro CIKI organizado pelo TECNOPUC (PUCRS) contou com a presença da empresa pernambucana de consultoria, a Factta, representada pelo seu diretor executivo, o engenheiro João Rego que apresentou resultados de aplicação do método da Rede Dynamic em algumas empresas de Pernambuco. Foi sobre práticas de gestão do conhecimento, estratégia e inovação para empresas em ambientes turbulentos que João Rego falou para nossa Revista.

João Rego - Diretor da Factta Consultoria

João Rego – Diretor da Factta Consultoria

O que é a Rede Dynamic SME?   A Rede Dynamic SME, o SME é nosso PME (Pequenas e médias empresas)  foi uma iniciativa casada entre o Departamento de Engenharia da Gestão do Conhecimento da UFSC (Santa Catarina), através do Prof. Gregório Varvakis e a Wiesbaden Business School, da Alemanha, cujo Prof. Klaus North desenvolveu o Método Aprender a Crescer.  O objetivo do projeto é investigar como as PMEs sobrevivem, se desenvolvem e competem em ambientes turbulentos e desenvolver metodologias para apoiá-las. O projeto é financiado pela União Europeia dentro do seu 7.Programa Marco de Investigação. Conta com a participação das universidades de Wiesbaden, Madrid, UFSC, a Nacional de Rosário, Argentina  e a  Universidade do Minho Portugal, esta a partir de 2014.

Como uma jovem empresa pernambucana está envolvida com esta Rede? A Factta Consultoria foi fundada apenas em 2010, mas tem valioso acervo de capital intelectual, construído através de seus consultores por várias décadas. Em março deste ano, a convite do Prof. Klaus North, fomos a um workshop na UFSC Universidade Federal de Santa Catarina quando nos foi apresentada a metodologia Aprender a Crescer, voltada para as pequenas e médias empresas. A Factta Consultoria estava participando um importante programa de Gestão Estratégica da Inovação em empresas pernambucanas e a integrou ao que já estávamos desenvolvendo. Foi uma excelente combinação que resultou no convite, já aceito, para a Factta ser o primeiro membro fora da academia a integrar a Rede DynamicSME.

O que é o CIKI? O CIKI é o fórum anual onde professores e pesquisadores pertencentes às Universidades da Rede, assim como convidados, apresentam seus trabalhos e projetos no intuito de compartilhar conhecimento e experiências voltados ao tema da gestão do conhecimento e da inovação. Tem uma forte preocupação na sua aplicabilidade nas empresas. O Primeiro CIKI, que fundou a Rede Dynamic foi em Florianópolis, em 2011, na UFSC, o segundo foi na Universidade de Madrid em 2012 e terceiro agora em 2013, ocorreu em Porto Alegre, coordenado pelo TECNOPUC, importante parque tecnológico da PUC RS. O quarto CIKI irá acontecer na cidade de Lojas, Equador, acolhido pela nova integrante da Rede a UTPL Universidade Técnica Particular de Loja, em novembro de 2014. Neste de Porto Alegre havia palestrantes de cerca de quinze países num extraordinário fluxo de ideias e debates voltados à inovação como ferramenta para enfrentar os desafios, presentes e futuros, das empresas e das cidades.

Da esquerda para direita: Prof. Wilfredo Giraldo Meíja, Diretor do Instituto da Qualidade Empresarial, Lima, Peru; João Rego, Diretor Executivo da Factta Consultoria, Recife, Brasil; Prof Klaus North da Wiesbaden Business School, Wiesbaden, Alemanha; Prof. Jorge Salazar Cantón da Universidad Autonoma de Yucatan (UADY), México e o Ing. Juan Calos Hiba, Diretor da Universidade Nacional de Rosário, Rosário, Argentina.

Da esquerda para direita: Prof. Wilfredo Giraldo Meíja, Diretor do Instituto da Qualidade Empresarial, Lima, Peru; João Rego, Diretor Executivo da Factta Consultoria, Recife, Brasil; Prof Klaus North da Wiesbaden Business School, Wiesbaden, Alemanha; Prof. Jorge Salazar Cantón da Universidad Autonoma de Yucatan (UADY), México e o Ing. Juan Calos Hiba, Diretor da Universidade Nacional de Rosário, Rosário, Argentina.

Da esquerda para direita: Prof. Wilfredo Giraldo Meíja, Diretor do Instituto da Qualidade Empresarial, Lima, Peru; João Rego, Diretor Executivo da Factta Consultoria, Recife, Brasil; Prof Klaus North da Wiesbaden Business School, Wiesbaden, Alemanha; Prof. Jorge Salazar Cantón da Universidad Autonoma de Yucatan (UADY), México e o Ing. Juan Calos Hiba, Diretor da Universidade Nacional de Rosário, Rosário, Argentina.

Como surgiu este método Aprender a Crescer? Bem, a metodologia foi desenvolvida na Alemanha pelo Prof. Klaus North – Universidade de Wiesbaden, e surge após a crise financeira mundial de 2008, quando grande turbulência agitou o ambiente de negócios, principalmente nos EUA e na Europa. Prof. Klaus tem como pedra fundamental do seu método o conceito de incremento de competitividade e consequentemente resultados através do desenvolvimento de produtos, processos e modelos de negócio aliados ao desenvolvimento das competências na organização.

E por que a Empresa  Dinâmica? O consórcio esta agora buscando incrementar o modelo desenvolvido utilizando também os conceitos relacionados a Capacidades Dinâmicas desenvolvido por David J. Teece, importante teórico do campo da administração estratégica, que retoma a escola RBV Resource Based View ( Estratégia fundada nos recursos internos da Empresa) , e sem desprezar a Escola do Posicionamento de Michael Porter ( estratégia fundada nas forças do ambiente da empresa), aprofunda a percepção destas duas escolas em uma terceira via. O termo capacidade dinâmica enfatiza o papel central da administração estratégica em adaptar, integrar e reconfigurar as experiências organizacionais internas e externas da empresa; seus recursos e suas competências funcionais para atender as demandas de um ambiente de negócio em permanente mudança. Outro aspecto importante é a gestão do conhecimento. Não se aprende a crescer sem ter uma ação sistemática voltada para a identificação e proteção do capital intelectual da empresa. Muito deste importante saber está aprisionado na cabeça do empresário, impossibilitando seu espraiamento para os níveis táticos e operacionais da empresa. Há, sob o manto da administração estratégica e da gestão do conhecimento, uma vertente que a tudo impulsiona: a inovação. O método desmitifica a inovação levando novas práticas e conceitos para as pequenas e médias empresas.

Mas como é possível algo desenvolvido em uma economia tão sólida como a da Alemanha ser aplicado nos países de economia emergente? Esta foi minha primeira pergunta ao Prof. Klaus North logo que fui apresentado ao método, o qual respondeu de forma muito convincente com resultados práticos aplicados, com sucesso, em empresas de várias regiões em desenvolvimento similares ao Nordeste Brasileiro. O próprio termo Aprender a Crescer, embora tenha um sólido embasamento teórico, já revela que há uma simplicidade e eficácia em sua interação do consultor com a empresa. Nada que qualquer empresa, pequena ou média, não possa se beneficiar. Pernambuco vive nestes últimos anos, e viverá ainda pelas próximas décadas, uma turbulência que chamo de positiva, causada por investimentos vultosos na instalação de mega empreendimentos na ordem de 60 bilhões em poucos anos. Isto tem significado quase 10% do nosso PIB por ano. Não há governo, não há academia que dê conta de tamanha turbulência que este fenômeno causará no ambiente de negócio como um todo. Muitos empresários locais já sentem os efeitos dolorosos deste crescimento acelerado, outros surfam placidamente sem se preocupar com o tsunami de oportunidades de negócios ( e empresas de fora)que está invadindo Pernambuco. Nossa economia está, inevitavelmente, sendo globalizada, para o bem e para o mal. Para dar conta de tamanha turbulência é necessário que as empresas se fortaleçam ficando suas amarras na produtividade e eficácia operacional do presente, mas guiadas por uma visão estratégica de longo prazo.

Mas tais ferramentas não são complexas demais para o pequeno e médio empresário? Creio que, assim como na vida, numa empresa, à medida que seu ambiente de negócio se torna ameaçadoramente complexo, é necessário fazer uso de ferramentas que elevem o nível de qualidade da sua gestão. Respeito e admiro muito o valor daqueles empreendedores intuitivos, que nascem com um talento natural para do nada construir grandes impérios. Mas não se encontram gênios como Mozart em cada esquina, estes são exceções. Talvez a principal resistência a ser vencida pelo empresário seja ter a capacidade de conviver com a angustiante incerteza de investir no futuro, que é a essência da inovação, trocando pela comodidade de um presente operacional, desgastante é verdade, mas que o sufoca e o acomoda. As ferramentas e o método foram estruturados de forma que possam ser utilizados de forma gradual pelos empresários, ou seja, conforme o seu desenvolvimento e sua necessidade de ampliar a competitividade.

Quais são os planos da Factta com relação a esta Rede Dynamic SME? Estamos trabalhando para trazer para Pernambuco, em abril de 2014, o Prof. Klaus North como também Prof .Gregório Varkakis e empresários de Santa Catarina que já avançaram com o Programa em suas empresas. Nossa intensão é promover vários workshops para empresários, em alguns clusters importantes do estado. Como somos uma rede compartilhamos experiências e conhecimento entre os membros do Dynamic SME o que é sempre muito estimulante para todos.

REFERÊNCIAS

***

* João Rego é engenheiro, mestre em ciência política e tem formação em psicanálise.
Como consultor empresarial, atua com o foco na pesquisa e na práxis da administração estratégica, da inovação e da gestão do conhecimento.

É Diretor da Factta Consultoria, Estratégia e Competitividade.
É Editor da Revista Será? Opinião, crítica, artigos, ensaios e resenhas.
joaorego.com
linkedin
facebook